Comércio 351.pdf

Vista previa de texto
sociedade
CSS | 7 de Dezembro de 2017
4
Histórias Associativas (27)*
o vozeiro
Rui Hélder Feio
“a Arrentela era uma família
e a Sociedade a sua casa”
res, que imediatamente começaram a
contestar a referida cedência, no que
foram apoiadas por diversos homens que
também não acharam graça aos preparos
em que os rapazes, de vez em quando, se
punham.
Ante o notório clima de descontentamento reinante entre os sócios, a direcção
viu-se obrigada a proibir a malta da bola
de ali se vestir, decisão que fez estalar um
conflito entre as duas agremiações e o
consequente corte de relações, mais tarde
ultrapassado com o bom senso que faltou aos rapazes, mas que as circunstâncias exigiram. Tanto mais, que não fazia
sentido a duas colectividades da terra permanecerem de costas voltadas.” Acentua
João Costa.
O RUÍDO DOS VIZINHOS
Infelizmente muitas pessoas parecem
não se incomodar com o incómodo que
infligem aos seus vizinhos e com grande facilidade organizam festas fora de
horas, fazem obras ruidosas durante os
fins-de-semana, ligam a varinha mágica
às duas ou três da madrugada, etc.
Este tipo de queixas são mais comuns
do que possa pensar. Para atuar corretamente é necessário saber até que horas se
pode fazer barulho.
Se tem um vizinho despreocupado
com o barulho por si gerado, talvez consiga demove-lo dessa prática com uma
simples e franca conversa para a resolução do problema.
Mas, se já tentou esta via e não obteve
resultado, tem sempre direito ao recurso
da legislação e do seu direito ao descanso, consagrado pelo Regulamento Geral
do Silêncio.
Saiba agora até que horas se pode fazer barulho e como deve atuar neste tipo
de casos.
A lei protege o seu direito ao silêncio
e ao descanso entre as 23h00 e as 07h00.
De acordo com a legislação, quem não
cumprir com o horário estabelecido pode
ser multado entre os 200 e os 2000 Euros.
No caso do vizinho ruidoso, chame as
autoridades policiais. Estas irão fixar
um prazo para que termine o ruído.
As autoridades têm de participar a
ocorrência à Câmara Municipal, para
que esta determine se as multas possam
ser aplicadas.
No caso de obras no prédio, é proibido
fazer barulho entre as 20h00 e as 08h00
dos dias de semana e aos sábados, domingos e feriados. Além do mais, a duração
prevista das obras também deve ser afixada no prédio, assim como o período
previsto de ocorrência do ruído.
No entanto, a lei permite a realização
de obras fora dos horários fixados, nomeadamente nos casos urgentes e que coloquem em risco a vida dos condóminos.
As muitas previstas para ruído proveniente de obras difere consoante sejam
pessoas Singulares (Entre 200 euros e os
2000 euros) ou Pessoas Coletivas (Entre
os 3000 euros e os 22.500 euros).
Se o barulho vem de fora, por exemplo
de uma qualquer festa popular, Mesmo
assim, os residentes estão protegidos pela
lei. A Câmara Municipal tem de ter emitido uma licença especial que autorize o
ruído dessa festa. Nesses casos, o cidadão
pode chamar a polícia que irá verificar
se a festa possui a devida autorização.
Nestes casos, as multas podem ir dos
3000 euros aos 22.500 euros.
Não se esqueça que todos têm o direito
ao descanso, faça valer os seus direitos.
Escolha os serviços de um profissional,
contacte o Solicitador.
Envie a sua questão para duvidas@ruifeio.pt
Publicidade
Rui Solicitador
Hélder Feio
Contacte o Solicitador!
218 284 986
934 428 652
solicitador@ruifeio.pt
www.ruifeio.pt
RUA QUINTA DA PRATA, 6
TORRE DA MARINHA, 2840-614 SEIXAL
Fernando
Fitas
Natural de Arrentela, João Costa, 81
anos, é um dos homens mais conhecidos
e respeitados entre os habitantes do antigo núcleo populacional desta localidade,
onde, aliás, instalou a sua própria oficina
tipográfica, para exercer a arte aprendida
em criança nas Oficinas de S. José, em
Lisboa, instituição na qual foi educado.
Entusiasta do movimento associativo e
dos ideais de fraternidade que o caracterizam, não espanta, por isso, que desde os
14 anos seja sócio das duas mais velhas
colectividades da terra, com especial saliência para a União Arrentelense, cuja vida
tem acompanhado a par e passo, situação
que lhe confere o estatuto de testemunha
atenta ao seu percurso.
Apesar de não haver seguido o mesmo
caminho que a maioria dos rapazes da sua
criação, por mor de possuir uma dentição
que não se ajustava aos instrumentos de
palheta, João Costa, diz, no entanto, que
tal não o impedia de participar na vida da
agremiação, “até porque,” sublinha, “nesse tempo, havia um grande bairrismo em
torno da terra. E a sociedade, acabava, no
fundo, por representar a expressão pública dessa afeição.”
O rompimento de relações
entre a Sociedade e o Arrentela
Naturalmente, que quando tais sentimentos se exacerbavam, abriam as portas
ao aparecimento da vaidade e da rivalidade. Estes ímpetos, sempre que não eram
contidos, extravasavam os limites do
razoável e tornavam-se perniciosos, conduzindo algumas vezes ao rompimento de
relações entre congéneres.
“ Isso mesmo aconteceu,” Conta João
Costa, “ com as duas colectividades de
Arrentela, não obstante parte significativa
dos associados pertencer a ambas. Contudo, as razões que estiveram na génese
desse desentendimento fundaram-se unicamente em aspectos que se prendiam
com conceitos da moral vigente e não em
qualquer outro tipo de questões.
Tudo resultou,” adianta, “do facto de
o Clube de Futebol não dispor de condições e haver solicitado à SFUA que
permitisse aos jogadores a utilização das
suas
instalações
para se equipar. Já
se vê, tratando-se
de rapaziada nova,
alguns começaram
logo a fazer coisas
do arco-da-velha,
pondo-se
quase
nus dentro da sociedade.
Ora, tais comportamentos causaram um evidente
mau estar, sobretudo, entre as mulhe-
ROSTOS DO SEIXAL
Manuel Maria Baltazar (1927 - 1992)
Natural da Lourinhã, o Capitão-Tenente da Armada Portuguesa Manuel
Maria Baltazar veio a integrar, aos dezasseis anos, a banda sinfónica da Guarda
Nacional Republicana, concorrendo mais
tarde à Banda da Marinha Portuguesa.
Enquanto maestro da banda da Sociedade Filarmónica União Seixalense,
dirigiu-a no disco que comemorou o centenário da coletividade, a 1 de junho de
1971, onde ficaram registadas as marchas
Regresso de um Fuzileiro, Rio Sousa, Luís de
Camões e Rio Lima, sendo um importante
marco histórico, não só para a União Seixalense, mas também para o país, sendo
poucas as filarmónicas a gravarem o seu
repertório no século passado.
Foi nomeado maestro da Banda da
Actor amador num dos grupos cénicos
da União Arrentelense, João Costa, destaca o talento de Abrilete, uma moça que
vivia na Torre da Marinha e que considera uma actriz de grandes recursos, para
o seu tempo. “ Uma verdadeira profissional.” Realça.
“Aqui se representou ‘A Recompensa’,
entre outras peças, bem como algumas
revistas, escritas pelos próprios elementos
do grupo,” recorda. “Estamos a falar de
uma época em que o teatro desempenhava um papel deveras importante, tanto na
ocupação dos tempos livres das pessoas,
como na sua formação cultural. Ainda
não havia rádio e muito menos televisão.
* Excertos de “Histórias AssociativasMemórias da Nossa Memória – 1º Volume
As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do Seixal. - 2001
Marinha Portuguesa entre 1976 e 1982,
sendo ainda autor de várias composições e
arranjos musicais, entre as quais a marcha
militar Botão de Âncora.
Foi ainda maestro da Banda da Lourinhã, contribuindo de forma determinante na evolução das bandas filarmónicas na
mudança de regime político em 1974.
Foi homenageado pela Associação
Musical e Artística Lourinhanense, da
qual foi fundador, atribuindo o nome de
Manuel Maria Baltazar ao seu auditório.
A Câmara Municipal da Lourinhã
decidiu, após o seu falecimento, atribuir
o seu nome a uma das avenidas da sede
do concelho.
Mário Barradas
