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Sociedade

CSS | 07 de Abril de 2017

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«A saque»:
a “Revolta
da Batata” no Seixal
Rubén
Lopes

Em 1917, em plena I Guerra Mundial,
as condições de vida em Portugal
agravavam-se, com o racionamento de
alimentos e a subida de preços. O desespero
das classes pobres perante esta situação
levou à “Revolta da Batata”, que ocorreu
em Maio desse ano – desencadeada pela
subida dos preços da batata – e que se
se manifestou sob uma onda de greves,
roubos e assaltos, tendo tal situação que se iniciara em Lisboa - se alastrado
também ao concelho do Seixal.

dia seguinte, 21, eclodia em Lisboa uma
série de assaltos e roubos, sendo que estes
se alastraram também nos concelhos
circundantes da capital. O concelho do
Seixal, segundo o Administrador do
Concelho, António Monteiro Andrade,
tinha estado “a saque”. O mesmo
Administrador queixou-se ao Governador
Civil que um regedor no concelho, de
nome Jerónimo Teixeira, desobedecera às
suas ordens no dia da revolta, além de o
ter gravemente insultado, pedindo como
consequência a demissão do mesmo –
possivelmente, o regedor teria simpatia
pelo lado dos revoltosos. Para evitar
mais desacatos, uma força de militares
da GNR foi enviada do Barreiro para
forçar o estado de sítio declarado pelo
governo, sendo que seria proibida nos
dias seguintes a presença de civis nas ruas
durante a noite, após as 21:00 horas, sob a
pena de prisão por desobediência. Apesar
disso, os desacatos seguiram-se, pois por
exemplo, na madrugada de 4 de Junho
seguinte, 4 indivíduos terão roubado
de um propriedade local um porção de
batatas sob a importância de 20 escudos.
No total, 34 indivíduos foram presos nas
cadeias do concelho, por acusação de
terem participado nos acontecimentos do
dia 21 de Maio.

Segundo opinião do jornal local da
época - «A Voz D´Amora» -, em finais
de 1916 a situação do pão em venda no
nosso concelho era tão má (o preço era
mais alto e a sua qualidade era má) que
muitos habitantes iam comprar este ao
concelho vizinho de Almada ou mesmo
a Lisboa. Em 20 e 21 de Março de 1917,
houve desacatos no concelho devido a
esta situação, sendo que no Nº17 do
mesmo jornal (25 de Março de 1917), este
publicava uma entrevista a Alfredo dos Reis
Silveira, Presidente da Câmara Municipal
do Seixal, tendo este afirmado ter enviado
telegramas a pedir ao Governador Civil
de Lisboa para adquirir autorização
para apreender cereais de várias quintas
e estabelecimentos do concelho – uma
reivindicação dos populares do concelho
A «Revolta da Batata» foi um evento
- , tendo o Governador não autorizado tal
que fez parte do descontentamento
acção por parte da Câmara.
geral que contribuiu para a queda do 3º
No dia 20 de Maio (Nº22), «A Voz Governo de Afonso Costa, que aconteceria
D´Amora» afirmava ter “acabado o pão” e com o golpe de 5 de Dezembro de 1917,
acusava as autoridades municipais de falta que levaria à ditadura de 1 ano de Sidónio
de competência na sua fiscalização contra Pais.
“a ganancia escandalosa dos moleiros”. No

COINCIDÊNCIAS!...
Em 2-02-2017 ao assistir ao telejornal
das 20,00 horas, na RTP1, despertoume a curiosidade quando aquele canal
transmitiu uma pequena reportagem do
funeral dum cidadão (que de momento
não me lembro o nome), natural da GuinéBissau, no cemitério de Bissau.
A minha curiosidade avivou-se mais
quando a filmagem mostrou o portão do
cemitério que eu tão bem conheço. Fezme “recuar” no tempo até à década de 60,
quando por ali passei entre 1964 e 1968.
Foi com alguma nostalgia que recordei
esse período, porque não foi fácil, no
aspeto familiar, o que eu e a minha esposa
passámos durante esses anos…
Esta reportagem fez-me recordar o
que escrevi em 7-5-2010 e em 16-5-2014
num jornal semanário, dos concelhos do
Seixal e Sesimbra.
Nessas edições que mencionei, a certa
altura dizia o seguinte:” …em Agosto de
1964 fui para a Guiné (Bissau) e um dia,
numa das minhas deambulações sozinho
pela cidade, resolvi passar em frente ao
portão principal do cemitério de Bissau
e pareceu-me que ouvi uma voz dizer:

José
Mantas

“camarada, estou aqui!...”
Patetice minha, digo eu agora, ou
um pressentimento? talvez! Resolvi entrar.
Uma das campas viradas para o portão,
a pouca distância, reparei que era a campa
de um marujo, pela fotografia, fardado de
branco que tinha á cabeceira.
Fui-me aproximando lentamente,
sem saber de quem se tratava e verifiquei,
sem qualquer dúvida, que era o Maia que
tinha estado embarcado comigo e que eu
nunca mais tinha sabido o seu paradeiro.
Não sei qual foi a reação da cor da pele
da minha cara, ao ver de quem se tratava,
mas ela devia ter mudado de cor várias
vezes e uma lágrima atrevida escorreume pela face. Ainda hoje me arrepio desse
momento…” Fim de citação.”
Amigos leitores, penso que lhe
transmiti, através das linhas que acabei
de escrever, como um simples telejornal,
transmitido no ano de 2017, teve um
efeito tão profundo no meu espirito e
me fez “recuar” estas décadas da minha
existência.
A vida por vezes reserva-nos estas
surpresas e coincidências!...

Edital nº 31/17/DAU
Avisam-se os familiares dos falecidos abaixo mencionados que, no prazo de 30 (Trinta) dias, deverão dirigir-se ao Balção Único de Serviço, nos Paços de Concelho, Rua
da república nº 3 Sesimbra, a fim de resolverem quanto à data em que terão lugar as
respetivas exumações a efetuar no cemitério da Aiana e sobre o destino das ossadas.












































Joaquim Manuel Soares Gonçalves
Amadeu Marques Rodrigues
Alice Cortesão Marta de Carvalho
Manuel Costa Marques
António da Costa Pinhal Caiado
Laurinda da Piedade Viana dos Santos
Argentina Ferraria Coelho
Júlia Pereira Rodrigues Pinhal
Carlos da Silva Branco
Palmira Maria Domingos
Gertrudes Ribeiro Rodrigues Manta Campos
Delmina Marques Pereira
Gregório Duarte Dionísio
Carlos Alberto Monteiro de Jesus
Vitor Hugo Mendes Baltazar
Irene Neto D´Assunção Bernardo
Manuel da Costa Gaboleiro Marques
Maria de Lurdes Pereira de Rodrigues Merca
Afonso Gomes Marques
Armando da Silva
Maria Rita da Fonseca
Silvério Dias Pinhal Patrício
Fernando Manuel de Oliveira Garrudo
Ana Vieira da Silva Cristão
Irene da Conceição Rodrigues
Luís Miguel Pereira
Maria Gertrudes de Matos
Amélia Ferreira Proença Churro
João Rodrigues Cidade Santos
António Luiza de Almeida Gonçalves
Maria João da Silva Pinhal
Albano da Silva Abrantes
Senhorinha Coelho Jacinto
Vasco Gonçalves Marques Maravilhas
Salvador da Mata Dias
Luísa Michel Serra Gama Coutinho da Silva
Natalino das Neves Martelo
João Conde
João Gomes Rafael
Alvara Lobo Garcia Silva
Manuel Pinhal Ventura
Esmeralda Correia da Silva
Cesaltina Pinhal da Costa Gregório

Findo este prazo sem que os interessados promovam qualquer diligência, serão feitas
as exumações, considerando-se abandonadas as ossadas existentes, de acordo com
o estabelecido no nº3 e 4 do art. 29º do Regulamento dos Cemitérios Municipais do
Concelho de Sesimbra em vigor. Mais se informa, que 8 dias após o levantamento da
ossada, as cantarias que se encontrarem no cemitério ficarão em posse da Câmara.
Sesimbra, 09 de Março de 2017
O Vereador do Pelouro
José Polido, Dr.