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Cultura

CSS | 07 de Abril de 2017

4

o vozeiro

Histórias Associativas*(8)
Rui Hélder Feio

Cuidados a ter com o IRS
Pergunta: Que cuidados devo ter com
o IRS deste ano?
Resposta: Em 2017, quando qualquer
contribuinte abrir o Portal das Finanças
para preencher o IRS vão receber
uma mensagem a dizer que tudo está
preenchido e que tema receber ou a pagar
um determinado valor.
Se quiser aceite. Basta verificar que
os valores e despesas correspondem à
realidade. Nesse caso confirme e o IRS
considera-se entregue. Provavelmente até
irá receber o reembolso mais rápido.
Mas atenção, pode acontecer que esta
opção não se aplique ao seu caso.
Pode também acontecer que não aceite
os valores propostos. Se for esse o caso,
responda “Não” e preencherá o IRS como
sempre o tem feito até aqui.
Outra novidade é que este ano o prazo é
igual para todos. Deixa de haver primeira
fase e segunda fase. O prazo de entrega do
IRS em 2017 é único, entre 1 de abril e 31
de maio. Isto significa que não há agora
um prazo específico para contribuintes
com rendimentos das categorias A e H
(trabalhado dependente e pensões), e para
as restantes categorias.
Relativamente às faturas, se apercebeu que
as faturas correspondentes às taxas moderadoras, hospitais e centros de saúde, seguros
de saúde, escolas, rendas e juros do banco,
etc. não constam no portal do e-faturas, Não
se preocupe pois aparecem mais tarde na página “Deduções à coleta”. Se as que faltam
não estiverem aí é que deve preocupar-se mas
não tanto, isto porque quando preencher o
Modelo 3 do IRS vai poder inserir os valores
que considerar corretos.
Este ano vai ser corrigida uma injustiça
para muitos pais divorciados. Quando
tinham guarda conjunta, as Finanças só
davam direito à dedução específica por
filho a quem tinha a criança na mesma
morada fiscal do sujeito passivo, mesmo
que a criança passasse 15 dias na casa
de cada um dos pais. Este ano isso foi
corrigido. Cada filho dá direito a 600 €
de dedução automática – 300 € para cada
um.
Escolha os serviços de um profissional,
contacte o Solicitador.
Envie a sua questão para duvidas@ruifeio.pt

PIDE procurava intervir
na vida das colectividades
Expressando uma profunda mágoa por
haver verificado que alguns dos antigos
livros de actas da colectividade levaram
sumiço, por “manifesta ignorância de algumas pessoas que passaram pelos corpos
gerentes”, Emílio Rebelo acha que com tal
desaparecimento desapareceu também uma
parte importante da história oficial da agremiação.
“Mas” sublinha, “ o que sucedeu aqui,
não é caso virgem, pois, constata-se que o
mesmo ocorreu um pouco em todas as outras associações do concelho.” E adianta:
“ sem essa documentação difícil se torna
avaliar o funcionamento das colectividades
há 40 ou 50 anos e a sua evolução até aos
nossos dias. Salvou-se o livro de ouro, o
qual se encontra assinado por um vasto
leque de personalidades que por aqui passaram. Entre elas Fernando Namora e João
de Freitas Branco, a par de todas as outras
que já mencionadas.”
A sua prodigiosa memória retém ainda
as dificuldades que, volta não volta, se levantavam à constituição do elenco directivo, sempre que as autoridades de então

vetavam, (geralmente por razões de ordem
política), o nome de algum dos elementos.
“Esses contratempos aconteciam,” conta,
“porque nessa época, havia a obrigatoriedade de enviar a lista dos corpos gerentes
para a Câmara, Governo Civil e até para
o Ministério da Educação Nacional, entidades que, depois de emitirem o respectivo
parecer, a remetiam à PIDE para decisão
final.
Numa dessas ocasiões,” relembra, “ fui
com o Tenente José Magro, ao tempo presidente da câmara, à sede da aludida polícia
saber dos fundamentos que tinham estado
na génese do veto atribuído a um dos nomes
constantes da lista. Por sinal, um dos meus
companheiros da orquestra, situação que
fez aumentar a nossa estranheza.
Tal estranheza era tanto maior, quanto
era certo que se tratava de uma pessoa a
quem, ninguém, de entre nós, tinha nada a
apontar. Soubemos mais tarde que o motivo pelo qual o pretendiam cortar, prendiase com o facto de haver feito uma doação
de vinte escudos, para a campanha lançada
pelo Jornal ‘República’ para aquisição de
uma rotativa. Uma intromissão na vida associativa que hoje,” afirma, “dificilmente
se poderia tolerar.”
De muitos outros episódios se compõe a
história dessa intromissão, o mais frequente
dos quais era o de prestar esclarecimentos
sobre este ou aquele nome apresentado.
“Uma das pessoas sobre quem a PIDE
nos pediu elementos, foi o pai do Dr. Carlos Ribeiro, ex-bastonário da ordem dos
médicos.” Afirma com uma indisfarçável

Fernando
Fitas

ironia.
Estórias que passaram à margem da
história oficial da colectividade mas através
das quais se cimentou o forte espírito associativo que permitiu outras e ousadas iniciativas.
Das que ainda lhe acodem à memória,
retém, para além dos “Aranhas”, a da criação de uma orquestra de harmónicas, nos
anos cinquenta, agrupamento que após
alguns anos de actividade se extinguiria
pouco tempo depois da sua saída.
“Chamava-se os ‘Timbrófilos’ e era constituído por tocadores de gaita-de-beiços,
cavaquinho, viola e ferrinhos. Chegou
mesmo a actuar na rádio.” Sublinha.
Fotos: Artur Marques (Atchixa)
*Excertos de “Histórias AssociativasMemórias
Da Nossa Memória – 1º Volume As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do
Seixal.-2001.

Rostos do Seixal

Nelson Cruz (1949)
Filho de um projecionista de cinema, o gosto
pelo cinema e fotografia começou ainda na
adolescência, começando a frequentar as cabines de projeção e a projetar filmes no ecrã
das salas de cinema onde o pai trabalhava,
sendo descoberto por um elemento da Inspecção Geral de Espetáculos quando projectava o filme El Cid no Cinema São Vicente,
na Aldeia de Paio Pires.
Nasceu no prédio onde ainda hoje vive, entre
a Praça da República e a Rua 5 de Outubro,
no Centro Histórico do Seixal.
Todas as técnica de cinema e fotografia eram
utilizadas até à exaustão, não existindo ainda
escolas de imagem, sendo no exército, com
19 anos, que obteve as primeiras aulas sobre
essas técnicas, fotografia e cinema, tornando-se fotocine. Compra a sua primeira câmara

de filmar, uma Canon de 8 mm sonora,
com duas lentes intermutáveis, encomendada na Alemanha e é com este equipamento
e com o do exército, que é destacado para
o norte de Angola, filmando operações de
combate e não só, durante 42 meses. Passando à disponibilidade, vai trabalhar para
uma multinacional em Moçambique, ligada
ao turismo e à navegação aérea e marítima,
continuando com as filmagens e reportagens fotográficas.
De regresso a Portugal em 1976, integra
como freelancer uma produtora de televisão, iniciando uma intensa actividade nesta
área como operador de câmara, passando a
colaborar com outras produtoras.
No mesmo ano é convidado a integrar os
quadros da Câmara Municipal do Seixal.

Mário Barradas

Integra a equipa do Boletim Municipal, na
altura só três elementos, fazendo todas as
reportagens fotográficas e mais tarde com a
aquisição de equipamento de produção de
vídeo, inicia a recolha de imagens das iniciativas autárquicas, continuando a colaborar
com jornais locais e nacionais na fotografia.
Permanece nestas funções até à aposentação
em 2012, colaborando como freelancer em
produtoras de televisão sempre que solicitado e como fotógrafo, colabora com alguma
imprensa.
São mais de 50 anos de experiência, onde
passou do suporte químico, ao registo magnético, e agora ao digital, suportes que permitem ter um acervo da sua terra, que adora
fotografar.