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reportagem
CSS | 10 de Novembro de 2017
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Histórias Associativas (25)*
o vozeiro
“Material eléctrico do arraial
comprado com colecta pública
foi emprestado à Câmara e não voltou”
Fernando
Fitas
Rui Hélder Feio
Fiador
O que é uma fiança? Uma fiança
é uma garantia que um credor solicita quando tem dúvidas que o futuro
devedor possa cumprir a tempo e horas
os pagamentos a que se comprometeu.
Nesse caso, quem se responsabiliza é o
fiador que garantiu pagar, caso a pessoa que contraiu a dívida não o fizesse.
Este é o principal dever de um fiador. Quanto a direitos, não tem quase nenhuns. Conta com a gratidão do
devedor e nada mais.
No entanto, aquando da assinatura de um contrato em que possa ser
fiador, pode exigir que não conste a
cláusula de renúncia à excussão prévia, ou seja, que o seu património não
seja executado antes do património do
devedor permitindo assim a possibilidade de ser parte em processo judicial
se necessário.
O benefício da excussão, ou seja,
poder recusar o cumprimento enquanto não estiverem excutidos os bens do
devedor principal, terá de ser aceite
pelo banco que, por norma, prefere
não o fazer.
No caso de se tornar fiador e perante o incumprimento do devedor, terá o
credor de dar conhecimento ao fiador
de que a prestação se mostra vencida
e no caso do fiador ter já cumprido as
diversas prestações que se foram vencendo ao longo de alguns anos, não
pode executar o fiador sem lhe dar
conhecimento do vencimento das prestações em falta, nos mesmos moldes
em que deu conhecimento ao devedor
principal. Há que ter em conta que
não obstante o fiador se haja obrigado
como devedor principal, não se identifica com o devedor solidário. A sua
obrigação continua a ser acessória em
relação à do devedor afiançado com as
consequências inerentes.
Ao fiador, resta-lhe exigir ao devedor pelos meios normais o pagamento
dos valores cumpridos.
DR
P – Uma vizinha, que conheço há
muitos anos e em quem deposito a
máxima confiança, na sequência de seu
divórcio pediu-me que fosse seu fiador
para uma casa que agora vai comprar.
Devo faze-lo? Quais os direitos e obrigações que irei ter enquanto fiador?
R – Existe um dito antigo tantas
vezes mencionado pelos mais idosos
e mais sábios, “Fianças e avais, é que
nem aos filhos nem aos pais”.
Ante este quadro de penúria, as tarefas
de limpeza da colectividade recaíam, como
facilmente se compreende, sobre as mulheres ou sobrinhas dos elementos da direcção,
designadamente, quando se tornava forçoso
preparar a sala para a realização de qualquer
evento festivo.
“Tantas vezes, esfregou minha mulher o
soalho da sociedade, por mor da casa estar
apresentável no dia desta ou daquela festa” Refere. “Só desta forma, conseguíamos
levar a carta a Garcia. De outro modo, não
era possível a sobrevivência da sociedade.”
Garante.
Sabedor da arte de tocar e de artes outras
que o engenho mais incita, sobretudo,
quando se exerce a função de gerir uma casa
onde todos os tostões eram contados, Caetano Veríssimo e os restantes companheiros
de direcção, lançavam mão a todas as iniciativas que, á priori, se afigurassem susceptíveis de gerar alguns proventos. De Entre
elas, ressalta a realização dos arraiais populares, aproveitando, para o efeito, o espaço
que o antigo jardim público oferecia.
“Como ali se situava o coreto e a configuração do local assentava que nem uma
luva às nossas necessidades,” adianta, “não
precisávamos de montar qualquer palco, o
que, desde logo, era menos uma canseira,
uma vez que tanto a banda como a orquestra dele se serviam para os concertos ou bailes. Havia apenas que dispor os balões de
papel, iguais aos que as marchas utilizam.
Mais tarde, com o aparecimento da energia
eléctrica, é que passamos a colocar lâmpa-
das, em resultado de uma colecta feita junto
dos habitantes da terra.
Mas curiosidade das curiosidades,” diz
ainda Caetano Veríssimo, “ao saber desta
benfeitoria, o Sr. Cosme Narciso Lopes,
presidente da Câmara nessa altura, imediatamente cuidou de nos pedir, a título
de empréstimo, os 300 metros de fio que
havíamos adquirido, para que as festas de S.
Pedro, no Seixal, também se apresentassem
electrificadas.
Contudo, não obstante as nossas insistências para que o mesmo nos fosse devolvido,” assevera, “o raio do fio nunca mais
cá chegou, pelo que apesar da sociedade de
Arrentela, ser uma das mais pobres do concelho, ainda se viu privada daquele material,
que, aliás, muita falta lhe fazia.”
Marcha de Arrentela
exibe-se em Lisboa
Peripécias que não esmoreciam a determinação de quem depositava toda a dedicação na boa figura da SFUA, a qualquer
lado que esta se deslocasse. “Esse esmero,”
refere Caetano Veríssimo, “chegou ao ponto
de nos levar a preparar dentro da sede, um
quarto para o mestre pernoitar, nas noites
em que dava ensaio. Porquanto, nesse tempo, os transportes públicos eram escassos, a
partir de determinada hora.”
No entanto, de outros cometimentos
se construiu o prestígio da agremiação.
Para satisfação dos associados e gáudio
dos espectadores que a eles assistiram. Dos
inúmeros registos que a sua memória con-
segue recuperar, Caetano Veríssimo, retém,
igualmente, a realização de duas marchares
populares, em 1946 e 1951, a última das
quais, teve mesmo a honra de ser convidada
a exibir-se - extra concurso - no Pavilhão dos
Desporto, em Lisboa, por ocasião do desfile
que habitualmente a câmara local promove.
“Foi um contentamento indescritível.”
Afirma. Para logo aludir ao que considera
tratar-se de “uma ‘tramóia’ de todo o tamanho, protagonizada pelo referido Cosme
Lopes, que para evitar conflitos entre os
apoiantes de cada uma das cinco marchas
participantes no concurso promovido pela
Câmara, em 46, resolveu não anunciar o
vencedor, não entregando, assim, a taça a
nenhuma.”
Tempos áureos de uma agremiação que
fazia da música a sua mais destacada bandeira. Não sendo por isso despiciendo que
fosse constantemente solicitada para actuar
em diversas localidades dos arredores de
Lisboa. “ Íamos a Vila Franca de Xira, Carregado e Alenquer, animar festas ou procissões.” Diz. “ O mesmo acontecia com os
grupos de jaz. Todos constituídos por gente
da banda. Não havia músicos de fora. Um
deles, o ‘União Jaz’ trajava até com fardamento próprio.”
Contudo, algumas dificuldades houve,
que mercaram o percurso da SFUA e da
sua banda ao longo de tantos anos, especialmente quando, por força de uma profunda
crise de trabalho ocorrido no concelho, nos
anos quarenta, alguns músicos se viram forçados a buscar sustento noutros pontos do
país.
“Foi uma razia tão forte, que a banda ficou
inactiva.” Refere Caetano Veríssimo. “E o problema assumiu ainda maior dimensão quando
a paróquia nos enviou um ofício convidando-a
para tocar na procissão anual do Dia de Todos
os Santos. Valeu-nos, na circunstância, o facto
de a União Seixalense ser a nossa madrinha e
prontamente ter cedido quinze dos seus músicos, para completar o elementos que faltavam
aos diferentes naipes.”
* Excertos de “Histórias Associativas –
Memórias da Nossa Memória – 1º Volume As
Filarmónicas”. Edição Câmara Municipal do
Seixal. - 2001
ROSTOS DO SEIXAL
OSVALDO MARQUES CAMBALACHO (1924 - 2009)
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Nasceu no Seixal, iniciando a carreira
futebolística no Seixal Futebol Clube,
fundado um ano após o seu nascimento.
Ingressou, na temporada de 1951/52,
no Futebol Clube do Porto, mas foi já
com o técnico Dorival Yustrich no
comando dos portistas que Cambalacho
ganhou um lugar na defesa, depois do
treinador brasileiro dispensar o até então
titular e mítico Ângelo Carvalho. Na
temporada de 1955/56, o Futebol Clube
do Porto voltou a vencer o Campeonato
Nacional (dezasseis anos depois da
última vitória), conquistando também
a sua primeira Taça de Portugal, onde
Cambalacho teve um papel importante
na equipa ao ser um dos três jogadores
que realizou todas as vinte e seis
partidas do campeonato nacional. Na
temporada seguinte venceu a Taça
Associação de Futebol do Porto e no
final da época terminou a carreira de
jogador.
Osvaldo Marques Cambalacho inicia
assim a sua carreira de treinador, tendo
passado pelo Boavista Futebol Clube em
1966, onde garantiu a sua subida à 1ª
Divisão, foi treinador do Juventude de
Évora em 1973, entre outros.
Habitou, na maior parte da sua vida,
em Ermesinde, sendo sepultado no
Seixal e voltando assim à sua origem.
Mário Barradas
