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Saúde
CSS | 07 de Julho de 2017
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Crise Hipertensiva
A hipertensão arterial é uma doença crónica
e silenciosa, que provoca lesões em diversos
órgãos do corpo de forma lenta e progressiva.
Em geral, são necessários vários anos de pressão
arterial mal controlada até que o doente
comece a apresentar danos irreversíveis, como
lesões no coração, rins, cérebro e olhos. Os
doentes hipertensos podem apresentar crises
hipertensivas, que são episódios de elevação
abrupta da pressão arterial, muito acima dos
valores habituais. Crises hipertensivas, se não
controladas, podem provocar danos irreversíveis
ao organismo de forma relativamente rápida. As
crises hipertensivas são habitualmente dividas
em dois tipos:
Urgência hipertensiva.
Emergência hipertensiva.
O QUE É UMA CRISE HIPERTENSIVA?
A crise hipertensiva é um evento caracterizado
pela elevação da pressão arterial para valores
que, se não controlados, podem provocar danos
severos aos vasos sanguíneos num curto espaço
de tempo. Geralmente considera-se uma crise
hipertensiva quando a pressão arterial sistólica
(valor mais alto alto, chamado de pressão arterial
máxima) se encontra acima de 180 mmHg ou
quando a pressão diastólica (valor mais alto
baixo, chamado de pressão arterial mínima) se
encontra acima de 110 mmHg. Portanto, um
doente com pressão arterial de 190/90 mmHg
ou 175/115 apresenta crise hipertensiva. Quanto
mais alto for o valor da pressão arterial, mais
grave é a crise. Alguns doentes chegam a ter
240 ou 250 mmHg de pressão máxima durante
um pico hipertensivo. Geralmente, as crises
hipertensivas ocorrem nos doentes que não
estão adequadamente tratados para hipertensão.
Os motivos geralmente são três:
Pessoa que não sabe que é hipertensa e, por
isso, nunca tomou medicamentos; doente que
sabe que é hipertenso, sabe que tem que tomar
medicamentos para a pressão, mas não os toma
da forma correta, seja por vontade própria ou
porque o médico não explicou como os tomar
correctamente; o doente sabe que é hipertenso,
toma correctamente os medicamentos, mas as
doses ou os tipos de medicamentos prescritos não
estão adequados àquele doente em particular.
Situações que podem provocar descontrole da
pressão arterial são:
Mudanças na dieta, principalmente
aumento do consumo de sal). Relevante ganho
de peso recente. Troca dos medicamentos que
estava habituado a tomar. Aparecimento ou
agravamento de doenças dos rins. Mesmo
aqueles doentes que apresentam pressão arterial
sempre muito elevada, frequentemente acima
de 180 mmHg de pressão sistólica (pressão
máxima), são caracterizados como portadores
de crise hipertensiva sempre que tiverem um
pico de hipertensão.
URGÊNCIA HIPERTENSIVA
Apresentam urgência hipertensiva os doentes
com pico hipertensivo, pressão máxima acima
de 180 mmHg ou mínima acima de 110
mmHg, porém sem sintomas relevantes ou
sinais de lesão aguda de algum órgão alvo (órgão
alvo é o nome dado aos órgãos habitualmente
danificados pela hipertensão arterial, tais como
olhos, coração, cérebro e rins). Por definição,
a urgência hipertensiva é um tipo de crise
hipertensiva que não traz risco de morte ou
dano severo imediato. É importante salientar
que, apesar de não haver risco imediato de
morte ou lesão grave de órgãos, os picos
hipertensivos aceleram as lesões no organismo.
Enquanto um paciente com hipertensão à volta
de 140 ou 150 mmHg de pressão máxima
demora anos, às vezes décadas, para apresentar
alguma doença cardíaca ou renal, os pacientes
com episódios frequentes de crise hipertensiva
podem desenvolver lesões clinicamente
perceptíveis em 2 ou 3 anos, às vezes, menos,
caso tenha outros factores de risco, como
diabetes mellitus ou tabagismo. Os doentes
com urgência hipertensiva habitualmente
não apresentam sintomas, no máximo dor de
cabeça, algum cansaço ou sensação de peso na
nuca. Os doentes hipertensos que controlam
mal sua pressão e constantemente apresentam
valores muito elevados são aqueles que toleram
melhor picos hipertensivos sem relatar queixas.
A crise hipertensiva deve ser sempre avaliada por
um médico, pois a pressão arterial precisa ser
controlada, inicialmente para valores abaixo de
160/100 mmHg, e a médio prazo para valores
abaixo de 140/90mmHg. Como não há risco
iminente de morte, a pressão arterial na urgência
hipertensiva pode ser reduzida gradualmente ao
longo de várias horas ou dias. Nos doentes idosos,
a redução tem que ser cuidadosa, pois quedas
abruptas da pressão arterial podem desencadear
quadros de enfarto agudo do miocárdio ou
acidente vascular cerebral, vulgo AVC. Em
geral, o doente com urgência hipertensiva não
precisa ser hospitalizado e pode controlar a
pressão apenas com medicamentos por via oral.
O importante é entender que a hipertensão
arterial do doente está mal controlada e que ele
precisa de um acompanhamento médico mais
próximo,para a médio prazo não apresentar
mais picos hipertensivos.
Dr. Jorge Neves
Muitas das emergência acima mencionadas
podem ser desencadeadas por um pico
hipertensivo, mas também podem ser a
causa da subida da pressão. Por exemplo, um
paciente pode ter um AVC ou um Enfarte do
miocárdioe, a partir deste momento, passar a ter
uma elevação da pressão arterial , seja por dor,
dificuldade respiratória ou mesmo ansiedade.
Em algumas situações é difícil estabelecer o
que apareceu primeiro, pois ambas actuam
de forma sinérgica: a elevada pressão arterial
agrava o enfarte, que por sua vez, favorece ainda
mais o agravamento do pico hipertensivo..
Independentemente da origem do problema, o
doente tem uma emergência hipertensiva que
precisa ser tratada. Os principais sintomas de
uma emergência hipertensiva são:
Dor no peito.
Intensa falta de ar.
Alterações do estado mental.
Crise convulsiva.
Alterações visuais, como visão enevoada.
EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA
A emergência hipertensiva distingue-se
da urgência hipertensiva pela existência de
lesão aguda de algum órgão alvo (cérebro,
rim, coração, olhos) desencadeada pelo pico
hipertensivo. O valor da pressão arterial em si
não é usado para diferenciar as duas formas de
crise hipertensiva, pois um doente com 220/100
mmHg pode estar assintomático, enquanto um
outro com 190/90 mmHg pode estar a sofrer um
enfarte do miocárdio, o que é uma emergência
médica. As principais complicações que
caracterizam a existência de uma emergência
hipertensiva são:
A emergência hipertensiva era antigamente
chamada de hipertensão maligna, pois,
como não havia tratamento adequado, a sua
mortalidade a curto prazo era elevadíssima.
Com os tratamentos modernos, a taxa de
mortalidade aguda da emergência hipertensiva
caiu consideravelmente. Hoje em dia, após um
ano da crise, mais de 90% dos pacientes ainda
se encontram vivos. Doentes com emergência
hipertensiva devem ser hospitalizados e tratados
imediatamente. O objectivo nestes casos é
controlar a pressão arterial de forma rápida,
em questão de horas. A única excepção são os
casos de AVC, pois a redução abrupta da pressão
arterial pode agravar a isquemia cerebral.
Enfarte agudo do miocárdio ou angina instável.
Edema agudo do pulmão.
Dissecção de aneurisma.
Insuficiência renal aguda.
Insuficiência cardíaca aguda.
Encefalopatia aguda.
AVC.
Na maioria dos casos, os pacientes
com emergência hipertensiva precisam de
medicamentos por via endovenosa para um
melhor controlo da pressão arterial.
Anemia hemolítica microangiopática
(destruição dos glóbulos vermelhos do sangue).
CEREJEIRA
“Um poema ou uma árvore
podem ainda salvar o mundo”
Eugénio de Andrade
“Redonda, carnuda, ela recebe a dourada
luz que incendeia e aquece, enrubesce e
deixa-se embalar pelas melodias do vento
nos seus brincos de donzela timidamente
voluptuosa”.
“muffins” de cereja, martini de cereja,
batido de cereja, gelado de cereja, tripinha
de cereja, bombons de cereja, cartucho de
cereja, “clafoutis” de cereja, pão de cereja,
… e mais, muito mais pitéus das ditas.
Miguel Boieiro
de floração, cuja exuberância, aconselha
também a uma visita.
As cerejas contêm proteínas, cálcio,
ferro, magnésio, potássio, fibras, açúcares,
taninos, pro-vitamina A, vitamina B e
duodeno, obesidade, etc. O citado livrinho
contém ainda um número apreciável de
receitas baseadas em cerejas.
Não posso também deixar de referir o
infuso de pés de cereja preta (30 g para
1 litro de água) nas inflamações renais e
retenções urinárias. O “chá” das flores é
peitoral e calmante.
Do livro “Cerejas – Poemas de Amor de
Autores Portugueses Contemporâneos”.
Alcongosta, aldeia típica situada numa
das vertentes nortenhas da Gardunha,
ostenta no seu brasão um frondoso
castanheiro, árvore que outrora deu cartas
na região e dois açafates de vime plenos de
rubras cerejas. Daí, uma curiosa quadra
popular inscrita nos bordados tradicionais: Querem as receitas? Então, para o ano que
vem, não deixem de programar uma visita
“Do cerejo ao castanho
a esta festa tão original.
Bem eu me havanho
Mas do castanho ao cerejo
A cerejeira é uma árvore de folha
Mal me vejo”.
caduca, originária da Ásia, da família das
rosáceas. O cultivo das cerejeiras acontece
Alcongosta engalanou-se de cerejas em nas regiões frias, dado que elas necessitam
bem decoradas vendas que ligavam as artes de muitos dias de frio para produzir
tradicionais, aos petiscos e às bebidas: licor satisfatoriamente. Florescem tarde para
de cereja, sangria de cereja, torta de cereja, escapar das geadas, mas é curto o período
DR
Inspirado pelas salutares benesses
colhidas na magnífica “Festa da Cereja”
que ocorreu em junho na freguesia de
Alcongosta (Fundão), assim começo esta
croniqueta sobre a “Prunus avium”, mais
conhecida por cerejeira, a tal que ainda
pode salvar o mundo, nos dizeres de um
celebrado poeta fundanense.
vitamina C. São refrescantes, diuréticas,
laxativas (e eu que o diga) e ajudam no
tratamento da gota, na redução do ácido
úrico e no fortalecimento do sistema
imunitário.
O Professor Naturopata, Nicola Capo
recomenda, no seu opúsculo da colecção
“Saúde para Todos”, curas de cereja como
panaceia para prisão do ventre, cálculos
hepáticos, nefrite, úlceras do estômago e do
Quando estivemos na Turquia,
apercebemo-nos da grande popularidade
de um refrescante enlatado, confeccionado
com cerejas, substituindo com vantagens a
Coca-Cola. Porque não fazemos o mesmo
em Portugal? Deixámos uma latinha
(vazia) ao Presidente da Junta de Freguesia,
como estímulo e hipotético espólio do
futuro museu.
Finalmente, uma palavra para a
madeira de cerejeira que é muito boa para
o fabrico de mobiliário e não só. O nosso
amigo Joaquim da Costa Santos, brilhante
artesão, possui em sua casa um autêntico
museu de arte sacra constituído por
esculturas que ele, sábia e pacientemente,
vai esculpindo dos troncos das cerejeiras.
Também por isso, vale bem a pena ir a
Alcongosta.
