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Saúde
CSS | 20 de Maio de 2017
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Fel-da-terra
Filomena Sampaio e Vanda Pinto
Técnicas de Saúde Ambiental
USP HIGEIA
ACES Almada-Seixal
A moda Anti-Vax
Poucas pessoas em Portugal têm noção
do impacto das alterações climáticas
a nível local.Os fenómenos climáticos
tendem a ser cada vez mais extremos.
Os incêndios aumentaram e a
ocorrência de ondas de calor e secas, são
fenómenos cada vez mais frequentes.
Odesabrochar das flores e a chegada dos
pássaros, anunciam a Primavera cada vez
mais cedo.
Todos estes sinais, apontam para uma
aceleração do fenómeno das alterações
climáticas. Uma das alterações climáticas
mais importantes é o aquecimento
global.
O problema prende-se com o facto
de, no último século, o ritmo entre estas
variações climáticas, ter sofrido uma
forte aceleração e a tendência é de que
tome proporções, ainda mais caóticas.
A temperatura, no século passado,
registou um acréscimo de 0,76ºC. A
previsão é que, no presente suba entre
1,1 a 6,4ºC, dependendo das medidas
mitigadoras que sejam encetadas.
Tudo o que fazemos está dependente
do consumo de energia. Utilizar
o automóvel, ver televisão, usar
electrodomésticos, aquecer a casa,
depende da energia que é produzida
a partir de combustíveis fósseis, como
o petróleo, o carvão e o gás natural. A
queima destes combustíveis, liberta para
a atmosfera gases com efeito de estufa,
em particular CO2.
Apesar das alterações climáticas serem
um problema mundial, cada um de nós
pode contribuir para o mitigar. Pequenas
mudanças no nosso comportamento,
permitirão não só reduzir as emissões de
gases com efeito de estufa, sem afectar
a nossa qualidade de vida, e até poupar
algum dinheiro.
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É apaixonante visitar o mesmo local
da floresta, da charneca ou da campina
inculta em diferentes épocas do ano. A
vegetação silvestre vai-se manifestando
de diversas maneiras, seduzindo os seus
apreciadores. Varia também consoante
as alterações meteorológicas. Como se
sabe, a característica principal do nosso
clima atlântico-mediterrânico é a da
irregularidade. Isso é de tal maneira
flagrante que chega a contrariar, em
absoluto, os provérbios tradicionais. Vejase aquele que estipula “em abril águas
mil coadas por um funil”. Pois é, mas
neste mês de abril da graça do senhor de
2017, só choveu, e muito ligeiramente,
no dia 30. A secura inusitada do início
de primavera forçou as plantas a apressar
o seu ciclo de vida e a amadurecer mais
cedo para transmitirem descendência e
assim propagarem as espécies.
No princípio do mês fui, de propósito,
ao Pinhal das Formas colher folhas de
cardo-mariano e fiquei deslumbrado com
a profusão de azuis proporcionados pelas
ervas-das-sete-sangrias. Já em maio, as
citadas flores tinham desaparecido e o
que sobressaia eram as hastes floridas do
fel-da-terra salpicando os campos de rosas
e amarelos. Fiquei maravilhado porque as
flores são lindas!
Antes de florir, ninguém vê o fel-daterra porque a planta é minúscula. Depois
ergue-se uma haste de 10 a 40 cm e
surgem flores inconfundíveis com pétalas
cor-de-rosa vivo e corolas amarelas. Há
ainda outra maneira de o identificar: basta
provar uma das folhinhas que é amarga
como o fel, o que originou um dos seus
nomes mais populares. Em muitas línguas
europeias também é conhecido por
centáurea, pequena centáurea, centáureamenor, planta-da-febre ou erva-febrífuga.
Há várias designações científicas para
o fel-da-terra: Centaurium erythraea,
Centaurium
minus,
Centaurium
umbellatum, Centaurium erytbraea, etc.,
sem contar com inúmeras subespécies que
pouco divergem entre si.
É uma herbácea da família das
Gencianáceas, quase sempre anual, com
folhas basais em roseta, caule solitário,
glabro, quadrangular, ramificado na
extremidade e possuindo pequenas
folhas sésseis, opostas e oblongas. As
flores, de cinco pétalas, são rosadas e
por vezes esbranquiçadas, dispondo-se
nos ramos como se fossem lâmpadas de
um candelabro. As sementes inserem-se
numa cápsula alongada.
Empregada desde remotas eras para
baixar a febre (antipirética), parece que
serviu, como conta a lenda, para cicatrizar
a ferida causada inadvertidamente num
pé de Hércules, pelo centauro Quíron, ou
vice-versa, já não sei bem.
Entre os principais componentes
químicos do fel-da-terra, temos, em
primeiro lugar, os glucósidos amargos
e depois, as resinas, os flavonóides,
o magnésio, os sais minerais, o óleo
essencial e várias estirpes de ácidos.
Para além de ser antipirética e
cicatrizante, a planta é tónica, estomacal,
laxante,
depurativa
do
sangue,
estimulante da secreção gástrica, antiinflamatória, anti-artrítica, analgésica,
carminativa e vermífuga.
Combate úlceras, feridas e eczemas
através de cataplasmas da planta inteira
Miguel Boieiro
semanas, de 60 g das sumidades floridas
num litro de vinho moscatel. Tomar no
intervalo das refeições.
Jamais se deve adoçar o “chá” porque
a bebida é tão amarga que o açúcar não
a faz mais apetecível, pelo contrário,
torna-a até deveras enjoativa.
Samuel Maia, no seu antiquíssimo
“Manual de Medicina Doméstica”,
indica-nos um laxante assaz curioso: 4
g de sumidades secas pulverizadas em
miolo de pão ou hóstia.
Finalmente, uma precaução a ter
em conta: o uso prolongado do fel-da-
DR
Artigo
colocada em cima das partes doentes.
Para uso interno pode ser extremamente
útil nos casos de falta de apetite e
anorexia, digestões pesadas, flatulências,
insuficiência hepática, prisão do ventre,
vermes intestinais, diabetes, etc.
É também muito utilizada em
preparados homeopáticos.
Oliveira Feijão recomenda o infuso de
30 g de fel-da-terra num litro de água,
a tintura (2 a 10 g por dia) e o “vinho”
obtido da maceração, durante duas
terra pode causar irritação das mucosas
gastrointestinais. Como na maior parte
dos tónicos amargos, devemos espaçar os
tratamentos, descansando uma semana,
após dez dias seguidos de uso.
