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ENTREVISTA
CSS | 20 de Maio de 2017
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Aniversário da Freguesia de Fernão Ferro
Como uma das maiores áreas urbanas de génese ilegal do país, Fernão Ferro passou a Freguesia há 24 anos e hoje está prestes a concluir
a reconversão que tem vindo a ser desenvolvida pelas Associações de Moradores apoiadas pela Autarquia. Fomos ouvir o seu presidente,
Carlos Reis, que nos respondeu a algumas questões.
No próximo dia 27 de Maio
comemora-se o 24.º aniversário da
passagem de Fernão Ferro a Freguesia.
Com esta descentralização e para além
da constituição de um órgão autárquico
próprio, que outros benefícios trouxe
para a localidade?
afirmar Fernão Ferro no mapa do concelho
do Seixal e consequentemente chamar a
atenção da Câmara Municipal do Seixal
e de outras entidades da administração
pública para este “cantinho” situado numa
ponta do concelho, encostado ao município
de Sesimbra.
Desde sempre que os moradores de
Fernão Ferro mostraram ter vontade
própria, com uma coragem de meter mãos à
obra e de serem parte activa na construção
de uma entidade que ainda nos dias de
hoje tem que ser trabalhada em função das
carências ao nível de alguns equipamentos
fundamentais para a qualidade de vida da
população.
Naturalmente que, com a constituição
da Junta de freguesia, a população passou
a dispor de um “fio condutor” às instâncias
superiores da administração pública. Por
outro lado, a proximidade à população
que bem caracteriza os eleitos das Juntas
de Freguesias, fez com que no nosso caso,
existisse alguém que tivesse sempre presente
as necessidades colectivas da população
residente em Fernão Ferro. Por outro lado, a
defesa dos interesses da população também
é uma das funções dos eleitos das Juntas de
Freguesia, o que os torna em grande parte,
nos primeiros “amigos” dos moradores.
Recorde-se que a elevação a Freguesia
foi um objectivo alcançado em 1993, após
um grupo alargado de moradores terem,
por necessidade, em representação dos
restantes, defendido o local onde residiam
Durante todos estes anos muita
contra a discriminação do poder local e coisa foi feita, mas sente-se que ainda
central instituído na altura.
há muito por fazer. Quais as principais
Numa localidade a braços com mais de 130 necessidades da Freguesia?
AUGI´s, onde já residiam permanentemente
alguns milhares de pessoas, era necessário
Passados 24 anos e conhecendo a opinião
Publicidade
daqueles que participaram na Comissão
Instaladora com o objectivo de “obrigar”
as entidades públicas a investirem neste
território em função dos impostos que aqui
eram pagos, sentem-se desiludidos, uma vez
que o desenvolvimento registado deve-se
em grande parte à iniciativa privada, tendo
em conta que todas as despesas relacionadas
com as infra-estruturas dos processos de
reconversão urbanísticas foram suportadas
pelos moradores. É certo que existiu em
alguns casos o acompanhamento e o apoio
muito importante da Câmara Municipal do
Seixal, contudo no meu entendimento, falta
em Fernão Ferro um gabinete técnico para
dar apoio às 131 AUGI´s que ainda no dia
de hoje existem.
Considerando que a conclusão dos
processos de reconversão das AUGI´s é
prioritário, defino aqui o Gabinete Técnico
da CMS como sendo a primeira necessidade.
Note-se que 131 AUGI´s representam cerca
de 70% do território de Fernão Ferro ainda
por reconverter urbanisticamente.
Só depois de se verificar concluído o
saneamento básico, o abastecimento de
água da rede pública e das ruas alcatroadas é
que podemos assumir que em Fernão Ferro
há uma qualidade de vida real, sustentada e
equilibrada.
Depois disto, temos vários equipamentos
de utilização colectiva, prometidos há
vários anos para Fernão Ferro e que são
fundamentais para sustentar a tese de que
há qualidade de vida.
O pavilhão, os bombeiros, o CDA
(deposito de água), o cemitério com
crematório, o quartel da GNR, piscinas
cobertas, etc. são alguns dos equipamentos
que passados 24 anos ainda estão por
concretizar. Destes equipamentos, destaco
o CDA como o mais urgente, considerando
o grave problema que uma parte da
população (das zonas já reconvertidas
urbanisticamente) se deparam durante os
meses mais quentes, quando a água da rede
não chega às suas casas.
Que perspectivas reais existem para
que nos próximos anos essas necessidades
possam ser concretizadas?
Tudo depende das vontades políticas de
quem assumir a administração da Câmara
Municipal do Seixal a partir de Outubro de
2017. Espero que essas vontades mudem e
que de uma vez por todas alguém assuma
o que foi prometido à população de Fernão
Ferro repetidamente nos últimos 20 anos.
No meu caso em particular, com apenas
três anos e meio de mandato, posso afirmar
que muitos têm sido os sonhos que já
concretizámos no âmbito das competências
da Junta de Freguesia, contando com o
apoio do Movimento Associativo e da
população em geral.
Pessoalmente, assumo o compromisso de
manter no futuro a postura que sempre me
caracterizou desde o inicio do mandato em
Outubro de 2013, ou seja, de defender os
interesses dos moradores de Fernão Ferro,
fazendo justiça á intenção dos que lutaram
para que Fernão Ferro hoje fosse Freguesia.
