Comércio 337.pdf

Vista previa de texto
ENTREVISTA
CSS | 20 de Maio de 2017
12
MEMÓRIAS VIVAS DE UMA INSTITUIÇÃO
UM PERCURSO, MUITAS VIDAS
Com edição da Câmara Municipal do Seixal, foi apresentado no dia 28 de Abril o livro “A DELEGAÇÃO ESCOLAR DO CONCELHO DO SEIXAL
(1933-2014)” da autoria de Augusta Rosa Baldeira Madaleno Rodrigues, natural de Sabugueiro, concelho de Arraiolos, distrito de Évora.
Professora no concelho do Seixal, desempenhou as funções de Delegada Escolar e publica agora este livro que ficará para Memória Futura.
deste livro que mereceu o total apoio da
nossa Câmara Municipal. Posso dizer
que, na tarde do passado dia 28 de Abril,
eu vivi momentos de plena satisfação.
Como primeira presidente da Casa
do Educador do Seixal, diz se o espírito
de partilha de saberes e vivências
esteve na génese da criação da Casa do
Educador do Seixal?
A publicação desta obra significa
uma confirmação da dinâmica e do
espírito de mudança que imprimiste à
Delegação Escolar do Seixal?
Posso dizer que sim. É a confirmação
e divulgação das “Memórias Vivas” da
Instituição, com maior incidência na sua
dinâmica e mudanças que aconteceram a
partir do início da década 90, do século
passado, até ao seu encerramento, em
Dezembro de 2004. De realçar que,
eu só consegui imprimir uma vida
nova à Delegação Escolar do concelho
do Seixal porque contei com a ajuda
dos professores do 1.º Ciclo do Ensino
Básico e educadoras de infância, que
trabalharam comigo e no concelho, dos
meus superiores hierárquicos, da Câmara
Municipal do Seixal, Juntas de Freguesia,
empresas locais, pais e encarregados de
educação.
Consideras que foi importante e
profícua a sintonia existente entre a
tua actuação e o apoio de um concelho
onde predominou o espírito do 25 de
Abril?
AR – Claro que sim. Eu digo mesmo:
imprescindível! A minha actuação teria
sido impensável antes do “25 de Abril”,
ou noutro concelho, onde esse espírito
não estivesse presente no quotidiano
educativo local, nas prioridades da nossa
Câmara Municipal, Juntas de Freguesia
e na vida das Escolas Primárias/1.º Ciclo
do Ensino Básico. No concelho do Seixal,
a Educação sempre foi uma prioridade
e os desempenhos dos profissionais
da educação/ensino reconhecidos e
valorizados, pelos diferentes parceiros.
Foi essa sintonia que tornou possível
a minha postura, enquanto delegada
escolar, e permitiu que a Delegação
Escolar desenvolvesse os seus projectos e
participasse noutros, da responsabilidade
de escolas e autarquias, conforme o livro
Considero que sim. Antes de ser eleita
presidente da Casa do Educador, eu já
tinha desenvolvido, com a ajuda das
colegas que trabalhavam na Delegação
Escolar e outras que se juntavam a nós,
uma série de Encontros e actividades,
sempre com o mesmo espírito: a partilha
de talentos, vivências e habilidades. A
descoberta de “talentos escondidos” e sua
divulgação foi uma etapa, por exemplo.
Tive sempre a preocupação de valorizar
as pessoas e incentivá-las a partilharem
os seus saberes. Foram muitas, as Vidas
que, comigo, em uníssono, desde 1997,
alimentaram o sonho de um dia ser
possível a edificação de uma “Casa” de e
para professores, educadores, auxiliares
e outros profissionais da educação do
concelho. A actual Casa do Educador
do concelho do Seixal (CES) foi uma
testemunha.
realidade em 28 de Outubro de 2002.
Na apresentação do livro falaste dos Enquanto primeira presidente eleita,
professores que aceitaram participar mantive sempre o mesmo espírito
contigo nesses projectos. O que queres de partilha de saberes e respeito pela
identidade de cada um dos sócios e
dizer sobre esse contributo?
amigos da CES.
A Delegação Escolar desenvolveu
projectos que iam para além das suas
competências, com principal destaque
para os “Encontros de Professores do
1.º Ciclo e Auxiliares Aposentados”
que foram a génese da actual Casa do
Educador do Concelho do Seixal. Este e
os outros projectos só evoluíram, graças
ao empenho e colaboração de professores
e auxiliares aposentados e no activo,
educadores de infância, autarquias,
instituições locais e regionais e outros,
como consta no livro. Contudo, os
professores, em maior número, foram o
centro de todas as mudanças e de todas as
concretizações, apesar de termos sempre
presente os educadores de infância e as
auxiliares de acção educativa. Sem a
motivação, o envolvimento e a prestimosa
colaboração de todos, ao longo dos anos,
a Delegação Escolar não teria tido um
percurso tão nobre, tão reconhecido.
Na apresentação deste livro, o
auditório da Câmara esteve repleto de
colegas, de amigos e representantes das
várias Instituições do concelho. Revela
que sentimentos experimentaste nesses
longos momentos?
Na apresentação do livro, ao ver o
auditório repleto de pessoas amigas e
familiares, e pensando também nas cerca
de 70 que justificaram a sua ausência, eu
senti-me muito feliz; senti uma alegria
imensa, reconhecimento pelo trabalho
que desenvolvi, orgulho por ter tido a
oportunidade de desempenhar funções
de delegada escolar deste concelho e uma
gratidão enorme, por ter conseguido
concretizar, entre outros sonhos, a edição
Como todos sabemos esta é a
segunda obra que publicas em prosa.
Sabendo-te frequentadora de tertúlias,
participante em antologias poéticas.
Queria perguntar-te, para quando a
publicação de um livro de poemas?
Na realidade, eu gosto muito de
brincar com as palavras, entrelaçá-las
e dar-lhes diferentes sentidos. Tenho
alguns textos poéticos que fui juntando,
ao longo dos anos, os quais partilho, por
vezes, em tertúlias. Contudo, entendi dar
prioridade à publicação destas duas obras,
por considerá-las testemunhos históricos.
A 1ª surgiu por mero acaso e a 2ª adveio
da necessidade que senti em deixar,
para a posteridade, um registo de uma
instituição que durante 70 anos serviu a
população escolar do Ensino Primário/1.º
Ciclo do Ensino Básico do concelho do
Seixal. Muito a meu jeito, continuo a
sonhar com a publicação do meu livro de
“poemas”. Quando? - Não sei. Acredito
que tudo acontece a seu tempo. Portanto,
esse dia vai chegar.
Maria Vitória Afonso
