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ENTREVISTA
2
a revolução do 25
Celino Cunha Vieira
Consequência do 25 de Abril de 1974, as Autarquias passaram a ter representantes democraticamente eleitos
e Eufrázio Filipe, personalidade incontornável quando se evoca a Revolução de Abril, foi logo indigitado para
presidir à Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Seixal, vencendo todas as eleições que se sucederam
até ter atingido em 1998 o limite de mandatos permitidos por Lei.
editorial
Há poucos dias, num concurso
televisivo, era perguntado a dois jovens
quem foi o “General sem medo”,
sendo-lhes dadas quatro alternativas
de resposta: José Norton de Matos,
Humberto Delgado, Américo Tomás
ou Otelo Saraiva de Carvalho. Depois
de muito hesitar, um dos concorrentes
começou por dizer que não sabia e que
iria tentar responder por exclusão de
partes, dizendo que Norton de Matos
era um treinador de futebol, Humberto
Delgado era o nome que foi dado ao
aeroporto de Lisboa e por isso alguém
ligado à aviação e dos outros dois nunca
tinha ouvido falar. Fiquei pasmado!
Mas afinal o que se ensina nas escolas? E
em família do que se fala? Nem mesmo
por haver um feriado no dia 25 de Abril
querem saber qual o seu significado?
Acabaram por acertar sem saberem
como nem porquê, mas ficaram a saber
o mesmo, bem como os que estavam em
casa a assistir, porque os apresentadores
destes concursos acabam por nada
revelar sobre as outras respostas para
que ao menos isto servisse para alguma
coisa.
A ignorância é tanta que por vezes
vêm com a desculpa de que já se
passaram muitos anos e que ainda não
eram nascidos nessa altura. Nós, os
mais velhos, também nascemos depois
de 1910 e ainda sabemos alguma coisa
de história, do regime monárquico até
à implantação da República. Outros
tempos e outro sistema de ensino;
e não tínhamos Internet para fazer
pesquisas…
O 25 de Abril não caiu do céu.
Muitas gerações lutaram e sofreram
para que acontecesse. Quando
em 1974 despontou com soldados
fardados de povo, a ditadura foi
derrubada após 48 anos de repressão.
A
Liberdade
simbolicamente
expressa nos cravos vermelhos,
subiu às ruas e às instituições.
Naturalmente
em
período
revolucionário e de transição, o
Movimento das Forças Armadas,
as populações e os Partidos
da
resistência
anti-fascista,
movimentaram-se no sentido de
um Estado de Direito Democrático.
Foram
eleitas
Comissões
Democráticas
Administrativas
para as autarquias locais e foi
assim que fui eleito na Casa dos
Pescadores do Seixal, com outros
democratas, em plenário de
cidadãos, posteriormente ratificado
Nesta edição damos o nosso
modesto contributo sobre o 25 de Abril
na passagem do seu 43.º aniversário,
esperando que sirva para despertar
consciências a uns e a curiosidade
a outros, cientes de que é uma data
demasiado importante para que não
seja esquecida e considerada apenas
como mais um dia feriado. E um dos
mais destacados protagonistas da
Revolução dos Cravos foi Salgueiro
Maia a quem prestamos uma singela,
mas justa homenagem.
Ouvimos Eufrázio Filipe, que com a
sua veia poética nos transmitiu algumas
impressões sobre os recuados tempos
de 1974 e dos anos que se seguiram
enquanto responsável máximo da
Câmara Municipal do Seixal por mais
de duas décadas.
Inserimos
também
alguns
depoimentos e saudações à data
festiva que alguns Amigos quiseram
connosco colaborar, agradecendo a sua
disponibilidade.
Administração, Redacção
e Publicidade
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Contribuinte N.º 194 065 499
Propriedade e Editor: Ângela Rosa
DR
O 25 de Abril veio modificar a
vida colectiva de todo um povo
e em muitos casos a vida pessoal
de alguns que tiveram de assumir
responsabilidades com que não
contavam. Para um jovem com 26
anos era um enorme desafio e uma
grande responsabilidade presidir
a uma Comissão Administrativa.
Como foi feita essa designação?
Av. José António Rodrigues, n.º 45, 2º
2840 - 078 Aldeia de Paio Pires
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no Governo Civil pelo MFA.
Em 1974 faltava praticamente
tudo no Concelho e o dinheiro
era pouco ou mesmo inexistente.
Poder-se-á considerar que foi
feita uma Revolução no Seixal?
Não existem revoluções locais.
Neste período de transição as
CDA foram importantíssimas a
nível nacional para a mobilização
das populações, a resolução de
problemas de carência básica e o
combate pelo regime democrático
em formação
As primeiras eleições instituídas
aconteceram em 1974 e só depois
em 1976 com a nova Constituição
da República. No Seixal como
no país, as populações decidiram
acerca dos seus representantes no
Poder Local.
Mas na altura, mais que hoje,
havia uma grande proximidade
com os munícipes e por isso
maior participação popular.
As Comissões de Moradores,
hoje
praticamente
extintas,
assim como o movimento
associativo foram importantes
para a concretização de alguns
projectos?
Director Adjunto: Celino Cunha Vieira TE1218
Directora Comercial: Ângela Rosa
Paginação: Sofia Rosa
Desporto: Luis Pontes CO1039
Repórter: Fernando Soares Reis CP6261
Colaboradores: Adriana Marçal, Agostinho António Cunha,
Alvaro Giesta, ANIVET - Consultório Veterinário, Dário Codinha,
Fernando Fitas CP2760, Hugo Manuelito, José Henriques, José
Lourenço, João Araújo, Jorge Neves, José Mantas, José Sarmento,
Olhos nos olhos, na nossa terra,
a Câmara Municipal, as Juntas
de Freguesia e as Assembleias –
sempre foram consideradas casas
do povo em parceria com as
organizações populares voluntárias,
as associações instituídas, o
movimento associativo, as igrejas
e as estruturas sindicais. Todos
contra a indiferença.
Que se sente, para além
do orgulho e da consciência
tranquila, quando se deixa um
Concelho munido das principais
infra-estruturas, como rede de
águas, saneamento básico, redes
viárias, etc.?
O Eufrázio Filipe, eleito
em 1974 para a Comissão
Democrática
Admninistrativa
da Câmara, reeleito após a nova
Constituição da República para
outros mandatos, por vontade
expressa das populações, foi
sempre uma parte das vastas
equipas onde participou. Com
responsabilidades assumidas, o
trabalho colectivo partilhado
sempre foi a forma e o conteúdo
do desempenho municipal, um
serviço público à população com
a população.
Maria Vitória Afonso, Maria Susana Mexia, Mário Barradas, Miguel
Boieiro, Paulo Nascimento, Paulo Silva, Pinhal Dias, Rúben Lopes,
Rui Hélder Feio, Vitor Sarmento.
Impressão: Funchalense - Empresa Gráfica, S.A.
Tiragem: 15.000 exemplares
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