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sociedade

CSS | 9 de Dezembro de 2016

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ENTRE O ALENTEJO E A DIÁSPORA

Sociedade Filarmónica Democrática Timbre Seixalense

Manuel de Oliveira Rebelo:

Memórias da casa mãe do Movimento Associativo Seixalense (1)
Maria Vitória Afonso

Voltei às minhas raízes. Raízes essas
que são profundas e diversificadas.
Do lado paterno uma costela algarvia;
minha bisavó que não conheci era de Salir perto de Loulé. Meus avós maternos
do concelho de Ourique e daí a minha
sedução pelo Campo Branco região onde
vivi algum tempo na companhia desses
avós.
Para quem não conhece a fundo a região do Baixo Alentejo direi que o Campo Branco engloba os concelhos de Castro Verde, Mértola, Aljustrel, Ourique e
Almodôvar.
E como o concelho de Castro Verde era limítrofe do de Ourique e tinha
a celebérima Feira de Castro eu desde
criança conhecia bem essa zona e sempre
mantive paixão por esta povoação.
E porquê? Pelas suas gentes, pelas suas
características geo-morfológicas e pela
sua biodiversidade de grande valor biológico.
São várias as espécies de aves que habitam as pseudo-estepes ou as estepes cerealíferas desta região: as abetardas, o peneireiro das torres, o tartaranhão caçador, o
sisão, o cortiçol de cabeça negra, etc.
O programa Castro Verde Sustentável
visa promover a conservação das aves estepiárias da região do Campo Branco pela
importância das várias espécies de aves,
nalguns países até em vias de extinção.
As estepes cerealíferas desta região são
reconhecidas nacional e internacionalmente pela importância para estas espécies de aves.
E não esquecendo que Castro Verde
foi um dos concelhos que a par do de Serpa mais trabalhou para que a candidatura
do Cante Alentejano fosse reconhecida
e elevada a Património Imaterial da Humanidade. Desta vez os Agricultores do
Campo Grande e a Liga para a Protecção
da Natureza decidiram elaborar uma candidatura para a criação do Plano Zonal de
Castro Verde. Assim lá para meados do
próximo ano este concelho aguarda que
a Unesco.
Reconheça esta zona do distrito de
Beja como “Reserva da Biosfera da Unesco”. Ou seja reconhecer aquilo a que a
Associação dos Agricultores do Campo
Branco e a Liga para a Protecção da Natureza consideram ser um Eco-Sistema
Humanizado de Alto Valor Natural.
Aguardaremos com muita esperança
que o trabalho colectivo em prol da Preservação da Natureza seja realmente reconhecido para bem desta região e para
nosso orgulho.
É que os alentejanos, não só os que vivem aí mas também os ausentes do seu
Alentejo amado.
Apreciam o reconhecimento não só do
valor da sua terra em termos de eco-sistema mas também os que tanto trabalham
para o enriquecimento da sua terra.

Fundada em 1848 por um punhado de homens que se confessavam adeptos
dos ideais Franceses na luta que opunha estes a Prussianos, a Sociedade
Filarmónica Democrática Timbre Seixalense é a mais idosa de todas as
instituições associativas do Concelho do Seixal.
DR

Local de convívio entre os amantes da causa
francesa, esta agremiação manteve uma
actividade regular até 1908, ano em que, por
razões diversas, mormente as que se prendem
com a cisão ocorrida anos antes no seio da sua
massa associativa, praticamente se extinguiu.
Refundada em 1911, desde logo intentou
afirmar-se como uma das entidades locais
com maior proeminência no domínio da
divulgação das diversas formas de criação
artística, com especial saliência para o ensino
da música e para a leitura.
Não surpreende, assim, que tenha sido
a primeira colectividade do concelho a
proceder à instalação de uma biblioteca, no
âmbito da qual levaria a efeito, ao longo da
sua existência um vasto conjunto de eventos
de relevante interesse cultural, social e
político, actividade que manteve, até à data
do encerramento desta, já na década de
setenta.
É o relembrar de muitos desses momentos
de inquestionável brilhantismo na vida da
Timbre, que se pretende passar a letra de

forma, colhendo para o efeito, o depoimento
de alguns dos homens que deles foram
protagonistas e que, por isso, melhor os
recordam, salvaguardando, desse modo, o
precioso legado humano de tão rica vivência.
Considerado entre a massa associativa da
Timbre Seixalense, como um dos mais
distintos consócios, fruto da sua enorme
experiência da vida associativa e do
incomensurável espólio de recordações que
esse conhecimento lhe proporcionou, Manuel
de Oliveira Rebelo, 79 anos, é um nome
incontornável sempre que se inquire alguém
sobre o vasto património humano e cultura
desta popular colectividade seixalense.
Neto de Manuel Joaquim de Oliveira,
um pequeno industrial de moagem, que
no final do século passado explorou entre
outros, o moinho de maré de Corroios, e,
que nos momentos imediatos à refundação
da aludida agremiação se afirmou como um
dos grandes beneméritos da mencionada
sociedade, sendo por isso, denominado de ‘
pai da Sociedade Velha’, Manuel de Oliveira

Fernando
Fitas

Rebelo, ocupou ao longos dos anos, vários
cargos dirigentes na Timbre, facto que lhe
permitiu adquirir um riquíssimo conjunto
de memórias acerca de acontecimentos
ocorridos, na sua “segunda casa.”
Das várias outras histórias, envolvendo seu
avô e através das quais se poderá aferir do
carinho que este nutria quer pelas gentes da
terra, quer pela Timbre, Manuel de Oliveira
Rebelo recorda, igualmente, a que se reporta
à falta da verba para a conclusão da obra do
antigo coreto do Largo da Igreja, realizada
em 1905.
“Nessa ocasião,” lembra, “ todos os associados
da Timbre pretendiam que a inauguração
tivesse lugar a 8 de Dezembro, dia de Nª. Srª
da Conceição, situação que levantava uma
certa angustia, tanto no seio da direcção como
na massa associativa, por mor de não haver
dinheiro que possibilitasse a concretização
desse sonho. Foi, então que meu avô, numa
das suas muitas manifestações de amor pela
colectividade, tomou a decisão de fazer
avançar a obra, assumindo a responsabilidade
pelo pagamento da importância que faltasse.
Desconheço o montante em causa, mas o
que é facto, é que o coreto, foi inaugurado
nesse dia, como todos ambicionávamos.”
(continua…)
Fernando Fitas
DR

Excerrtos de “Histórias AssociativasMemórias da Nossa Memória – 1º Volume As
Filarmónicas. Propriedade e edição Câmara
Municipal do Seixal.

ROSTOS DO SEIXAL
Linda Rodrigues

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Natural do Seixal, sempre viveu na
zona histórica, absorvendo vivências que,
mais tarde, se tornam transversais ao seu
fado.

A pedido de sua mãe, participou
numa festa e poetas populares, subindo
ao palco da Sociedade Filarmónica
União Seixalense, onde cantou pela
primeira vez fado de carácter profissional
acompanhada à guitarra portuguesa
e à viola de fado, abrindo portas à sua
carreira, levando este estilo musical a todo
o país e internacionalmente na Holanda,
França, Inglaterra, Luxemburgo, Estados
Unidos da América, Brasil, Alemanha,
entre outros países.
Gravou vários trabalhos discográficos,
denominando o último com o título
Linda Rodrigues - Fado, sendo gravado
ao vivo no Cineteatro São Vicente, na
Aldeia de Paio Pires.
Tem como madrinha do fado a fadista
Cidália Moreira e o saudoso cantor e
compositor Martinho da Silva.
Convidada para ser madrinha, pela
primeira vez de uma Marcha Popular de

Lisboa, a do Bairro de Alcântara, sendo
convidada para madrinha de marchas de
outros bairros entre eles Ajuda em Lisboa
e Seixal em Almada.
Conhecida como a fadista do Seixal,
Linda Rodrigues dedica sempre um
elogio à sua terra, continuando a levar o
fado ao país e ao mundo.

Mario Barradas