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entrevista

CSS | 2 de Dezembro de 2016

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SÉRGIO LOURENÇO & CÁTIA CERQUEIRA
UMA REFERÊNCIA NACIONAL E INTERNACIONAL NAS DANÇAS DE SALÃO
Sérgio Lourenço (SL) é Licenciado em Ciências do Desporto – Ramo de Exercício e Saúde – pela Faculdade
de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. É Professor certificado pela The International Dance
Teachers Association (IDTA), com grau de Associate em Standard e Latinas e Dançarino certificado pela United
Kingdom Alliance (U.K.A.).
Cátia Cerqueira (CC) é Mestre em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de
Lisboa e Especialista em Medicina Geral e Familiar. Dançarina Certificada pela United Kingdom Allience (U.K.A.).
Regressaram da Dinamarca há poucos
dias, onde participaram no Campeonato do
Mundo de Profissionais Standard, alcançando
um meritório e importante 34º Lugar, entre os
melhores dançarinos do mundo. Na semana
anterior tinham estado na Alemanha, a disputar
a Taça do Mundo de Standard (danças clássicas),
onde obtiveram o 17º Lugar.
Em 2015 sagraram-se Campeões Nacionais
de Profissionais Standard.
No passado sábado, 26 de novembro,
pelo segundo ano consecutivo, sagraram-se
Campeões da Taça de Portugal em Profissionais
Standard e Vice-campeões em Profissionais
Latinas, bem como, pelo terceiro ano
consecutivo, Campeões do Circuito Nacional
em Profissionais Standard e Vice-campeões em
Profissionais Latinas.
Concluem, assim, de forma brilhante, a época
desportiva 2016. No total, participaram este
ano em cerca de 30 provas nacionais e, a nível
internacional, em representação de Portugal
e da Seleção Nacional, em 4 Campeonatos
do Mundo, 2 Campeonatos da Europa e uma
Taça do Mundo, além de outras participações
a título pessoal. Pelo meio ainda conseguiram
fazer estágios de formação e realizar alguns
espetáculos memoráveis, como o que pudemos
assistir no Palco Liberdade durante as Festas de
Corroios.
O Comércio do Seixal e Sesimbra esteve no
Clube Recreativo e Desportivo de Miratejo,
onde dão aulas de Danças de Salão, a nível de
competição ou na componente social (dança
recreativa). Com o objetivo de manter os nossos
leitores informados sobre as diversas figuras
da nossa praça, partimos para uma conversa
descontraída e informal.
A época desportiva que agora termina,
foi muito intensa. Como se sentem e qual o
balanço que fazem?
CC: O balanço é, sem dúvida muito

Como se conheceram e quando
começaram a dançar juntos?
CC: Eu estava à procura de um
novo par com quem pudesse atingir melhores
resultados. O Sérgio não tinha par e marcámos
um “tryout”, que resultou bem.
SL: Nós já nos conhecíamos de vista, dum
estágio de dança. Ela na altura nem reparou em
mim. (risos).
positivo. Foi a nossa melhor época até agora,
sobretudo a nível internacional. Foi um ano
de grande sobrecarga das nossas atividades
profissionais, pelo que terminamos o ano muito
cansados, mas satisfeitos.
Quando, e como, se iniciaram nas
Danças de Salão?
SL: Tive o primeiro contacto com esta
modalidade em 2004. Por exigência de uma
disciplina da Faculdade tive de lidar com as
danças de salão, cuja beleza dos movimentos
e pormenores técnicos da sua execução me
despertaram a atenção e cativaram. Além
disso, talvez o mais importante e porque
sou teimoso, foi o desafio de alguns colegas
que, pelo facto de eu vir dos desportos de
combate, do Taekwondo, achavam que eu
não seria capaz de atingir bons resultados.
CC: Iniciei a prática de danças de
salão em 1996, com 11 anos, enveredando
pela vertente de espetáculo, por não haver
rapazes disponíveis na aldeia onde vivia. Por
ser uma criança muito ativa e apaixonada
pela dança e pelo teatro, apesar de não ter
nenhuma formação. Uma colega propôsme assistir a uma aula de dança, e gostei.
Em 2001 iniciei a competição, ainda em
juniores. Daí para cá, foi a progressão
normal.
SL: Eu sou mais contemporâneo.
Comecei já neste século. (risos)

Sabemos que, do vosso currículo, fazem
parte algumas participações televisivas, e
não só.
SL: Já tínhamos uma vasta experiência na
área do espetáculo. A convite de dois grandes
amigos e dançarinos, Alexandra e Tinita, fomos
fazer a final do “Casamento de Sonho” da TVI,
que correu muito bem. Eu fui depois convidado
para o programa da RTP1 “Dança Comigo”
onde fiz alguns episódios. Fizemos ainda vários
episódios da telenovela “Perfeito Coração” e
ainda as óperas “O Crepúsculo dos Deuses” e
“Banksters” no Teatro Nacional de S. Carlos.
Integrámos ainda o elenco do espetáculo
“Lisboa ao Parque”, no Parque Mayer.
CC: E ficamos por aqui, porque eu hoje
ainda tenho de dar treinos.
Falem-nos da vossa escola SWAY.
CC: A ideia da SWAY surgiu em Torres
Vedras, em 2007, onde algumas mães que
conheciam o nosso trabalho, nos pediram
para abrir uma escola de dança para iniciar
as suas filhas. Acabámos por abrir logo duas
classes: uma para crianças e outra para adultos.
A experiência foi boa e, passados uns meses,
abrimos outra escola no concelho do Seixal,
onde tem crescido e fortalecido.
SL: Optámos sempre por ter várias
vertentes na escola, não nos focando apenas
na competição, mas desenvolvendo a parte
de dança social e espetáculo. Nós somos das
poucas escolas do país que incluem a vertente de
espetáculo nas turmas de social.
Na vossa escola já criaram
alguns Campeões…
SL: Sim. Começámos com
alguns jovens com bastante
talento,
que
rapidamente
atingiram as finais das
competições, nos escalões mais
elevados, em que alguns deles
foram Campeões Nacionais de
vários escalões, tanto a Latinas
como a Standard, e se perfilam
como grandes esperanças para
o futuro das Danças de Salão
em Portugal. Atualmente temos
Vice-campeões de Amadores
Modernas, da APPDSI, o
Bernardo Lopes e a Débora
Lourenço, que este ano tiveram a
melhor classificação de sempre de
pares portugueses em Ballroom
Amateur Rising Stars, na maior
competição internacional do
género na Europa, que se realiza
anualmente em Blackpool –
Inglaterra.
Como estão as Danças de
Salão no concelho do Seixal?
CC:
O concelho do
Seixal tem muitos dançarinos
promissores, boas escolas e bons
professores. Tem tido um bom
crescimento, várias coletividades
abriram as portas à modalidade,

começando a ser entendida como um verdadeiro
desporto. No panorama nacional, o concelho
do Seixal tem estado bem representado e
conseguido boas classificações, muito à conta
do esforço de pais, atletas, professores e clubes.
Qual tem sido o feedback das autarquias
em relação ao vosso trabalho?
SL: Tem sido tímido e, em alguns
casos, diria até, ausente. Estou certo que
haverá contentamento pelos resultados que
temos alcançado a nível da Federação e em
representação de Portugal lá fora. Mas sentimos
não haver reconhecimento. Por outro lado,
parece haver falta de entendimento do que é
a competição de dança em Portugal. Existem
duas vertentes competitivas: uma federativa e
outra associativa. Ambas com forte projeção
internacional. Por exemplo, para os contratosprograma com as autarquias, é desvalorizada
a vertente associativa, que envolve muitos
dos atletas e os seus excelentes resultados
competitivos, alguns de nível internacional,
como foi o caso que atrás referimos.
Projetos para o futuro?
CC: Sobretudo, continuar a apostar forte
na formação. Em passar bons conhecimentos
aos nossos alunos, que lhes permita evoluir,
mantendo as características das danças de
salão, mas tornando-os verdadeiros atletas,
fazendo-o de uma forma saudável. Prosseguir
com os projetos já iniciados para as danças
sociais, acrescentando brevemente classes
juvenis. Achamos que é nosso dever para com
a sociedade, disponibilizar as danças de salão
como uma atividade de lazer e promoção
do bem estar e estilos de vida saudáveis, para
qualquer faixa etária.
Isso é a médica a falar?
CC: Um bocadinho…
SL: É importante continuar a proporcionar
aos nossos alunos o contacto com professores
de nível internacional, através de estágios.
Apostar forte na nossa própria formação, para
apurarmos cada vez mais as nossas competências
e dos nossos alunos e podermos atingir cada
vez melhores resultados competitivos. Neste
momento, gostaríamos de apostar numa carreira
internacional, nomeadamente na categoria de
Master Class I.
Para terminar, uma mensagem para os
atletas das danças de salão.
SL: A primeira coisa a ter em conta é
que, nas danças de salão, a aprendizagem
nunca chega ao fim. Cada dia é uma
constante descoberta de novas metas e
objetivos. Existem três fatores para o sucesso:
trabalho, trabalho e trabalho.
CC: Sim, o trabalho e o esforço são
essenciais para alcançar objetivos na dança…
como na vida. É preciso estar disposto a
fazer algumas cedências, mas é algo que
vale a pena e que nos dá uma capacidade
organizativa que podemos usar em todos os
aspetos da nossa vida futura. É importante
escolher um caminho e acreditar nele.
Um erro comum, no mundo competitivo,
é a procura de resultados rápidos, sem a
maturação suficiente das etapas, que podem
levar a uma carreira demasiado curta.