Comércio 325.pdf


Vista previa del archivo PDF comercio-325.pdf


Página 1...8 9 10111216

Vista previa de texto


Saúde

CSS | 2 de Dezembro de 2016

10

AVENCA

Publicidade

A prestigiada UNISBEN (Universidade
Intergeracional
de
Benfica),
em
colaboração com a Associação dos Amigos
de Olivença, organizou, em boa hora,
uma excelente excursão de cariz cultural
para visitar Olivença, vila portuguesa
administrada pela Espanha desde 1801.
Provida de excelentes cicerones, formados
em História e em estratégia militar, a
digressão multiplicou o seu valor pelo
aporte de conhecimentos adicionais que
foram muito para além do que a vista

o chão estavam repletos de vistosas avencas
que encontraram ali o local húmido
favorável, ao abrigo da luz solar direta,
para se reproduzirem. A avenca, cujo nome
científico é Adiantum capillus-veneris
L. é um feto da família das Pteridaceae
ou, segundo alguns, das Polypodiaceae.

ia enxergando. Independentemente das
questões políticas e da posse territorial
deste município roubado a Portugal numa
dobra da História, subsiste, a meu ver,
uma questão central: a da salvaguarda da
cultura portuguesa, do idioma, da culinária
tradicional, enfim, dos costumes que a
identificam como parcela lusa. A presença
portuguesa nesta terra da raia não pode ser
apenas representada pelos monumentos:
o castelo e a torre de menagem dionisina,
o palácio dos Duques de Cadaval, a
Misericórdia, a Igreja de Santa Maria, ou a
Igreja da Madalena que é o maior templo
representativo da arte arquitetónica
manuelina que existe, a seguir ao Mosteiro
dos Jerónimos. Há muito mais a detetar
e a defender em Olivença para além de
monumentos, muralhas e pedras. O nosso
nacionalismo ficou chocado quando
observámos a destruição forçada das
quinas portuguesas nos brasões de vários
edifícios. Ficou bem patente o esforço
dos ocupantes em espanholizar a terra,
eliminando os traços que a identificavam
com Portugal. Felizmente que essa onda
parece estar hoje esbatida. Foi com agrado
que vimos a reposição da toponímia de
origem portuguesa nas principais artérias
desta vila alentejana.
Mas a croniqueta não é para versar
sobre a fitoterapia? – Dirão os leitores
menos distraídos. A que propósito vem a
Olivença quando o título é a avenca? Têm
razão! Desculpem o fervor patriótico!
A avenca surge aqui porque quando
fomos à fonte da Corna, cuja visita só
se tornou possível dado que o grupo era
prestigiado e tinha guias de respeito, colhi
(sem pedir autorização a ninguém) um
frondoso exemplar. A fonte, situada já
fora do centro histórico, está praticamente
escondida. Foi solicitada a chave para
abrir o portãozinho que lhe dá acesso e
depois de descermos uma escada sinuosa e
escorregadia, chegámos à famosa fonte que
parece ter estado na origem da povoação.
A límpida água brotava de vários bueiros
e alastrava-se por diversos tanques em
ambiente de semipenumbra. As paredes e

“Adiantum” vem do grego e quer dizer que
as suas folhas não se molham. “Capillus”
é latim e significa cabeleira. Esta planta
é antiquíssima. Quando ela apareceu, o
reino da flora ainda não tinha inventado
a flor. A reprodução é feita por esporos
situados no bordo das folhas como, de
resto, acontece com os demais fetos. A
avenca é vivaz mas frágil e raramente
ultrapassa os 40 cm de altura. As suas
folhas, de verde brilhante, são pecioladas,
alternas, recortadas e onduladas, formando
pequenos segmentos delicados dispostos
em leque. Os caules e os pecíolos são finos,
de cor negra e contrastam admiravelmente
com a folhagem. As raízes agrupam-se
em toiças que se desprendem facilmente.
Pela descrição se pode desde já adivinhar
que se trata de uma planta decorativa
e ornamental, adequada para ter nas
nossas casas. Contudo, a sua importância
terapêutica era notável, principalmente no
tempo em que não se tinham “inventado”
as farmácias com medicamentos da
química de síntese. A avenca possui
ácido gálico, princípios amargos,
vestígios de essência, tanino, mucilagens
e flavonóides. Como propriedades
medicinais enumeram-se as seguintes:
anti-inflamatória, diurética, laxante,
adstringente, depurativa, sudorífera,
expectorante, hepática, emoliente, etc.
Serve para utilizar em infusão ou decocção
para quem tem problemas de bexiga, tosse,
faringite, bronquite, catarro, rouquidão,
asma e dermatite. Diz-se que, através de
cataplasmas da erva amassada e misturada
com vinagre, combate a caspa, reduz
a queda do cabelo e até (o que duvido,
mas não há nada como experimentar)
faz crescer o cabelo a quem já é careca. O
“chá” confeciona-se deitando um litro de
água em 100 g da planta verde (é preferível
à seca), deixando-se em repouso numa
vasilha devidamente tapada durante 10
minutos. Beber três a quatro chávenas
por dia. Por último, pode usar-se em
culinária, como condimento, migando as
folhinhas e polvilhando-as em pratos de
carne ou de peixe.

DR

Miguel Boieiro