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CSS | 15 de Outubro de 2016
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Aldeia da Mata Pequena
Respirar tradições, viver sensações
Era uma aldeia esquecida onde ainda habitavam pouco mais do que uma dezena de aldeões que mantinham vivas os costumes e
tradições de sempre. Preservando a natureza e essência deste local, do quase abandono fez-se a recuperação, e desta o renascer na
perfeição de uma aldeia típica da região, transformando-a num edílico espaço de Turismo de Habitação. A ir… e sentir!
É um pequeno povoado rural composto
por uma dezena de habitações situado a escassos 30 minutos da cidade de Lisboa. O
seu nome é Aldeia da Mata Pequena. Um
lugar tão perto da capital e tão longe do
stress e do bulício urbano, uma aldeia enquadrada num cenário cheio de beleza na
denominada Zona de Protecção Especial
do Penedo do Lexim
onde se ergue um
vulcão já extinto que
acolhe uma importante estação arqueológica.
Aqui, o voo dominante da Águia
Imperial e o esgueirar furtivo da raposa
contracenam
com
uma paisagem natural extremamente rica
e preservada, convidando ao descanso, ao
lazer e ao contacto com a natureza.
Dizem que a presença humana na Mata
Pequena remonta ao período da ocupação romana, como atestam os vestígios aí
encontrados. Contudo, dos 70 habitantes
que viviam na aldeia no século XIX, já só
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resta pouco mais do que uma
dezena que teimam em manter
vivos os usos e costumes de outrora.
Esquecida no tempo, a Aldeia da Mata Pequena beneficiou do seu isolamento, que
evitou intervenções menos "esclarecidas", descaracterizadoras
da sua autenticidade. Deste
modo, como que despertando
de um longo período de hibernação, a Mata Pequena afirmase hoje como um dos raros
exemplares da Arquitectura
Tradicional da Região Saloia,
mantendo fortemente vincada a sua identidade original.
Sim, era uma aldeia esquecida pela civilização, onde ainda habitavam aldeões
que mantinham as vivências e tradições
de sempre. Também poderemos dizer que
perdida no abandono. Ou para ser mais delicado, no esquecimento.
Mas um dia,
Ana e Diogo Batalha olharam para
esta aldeia com outros olhos. E deste
lugar idilicamente
perdido num espaço
marcado pelo verde
transformaram-no
num espaço de Turismo de Habitação,
preservando a natureza e a essência deste
local, mantendo intacto o gosto de outros
tempos.
Aqui, os hóspedes ainda têm como vizinhos alguns residentes permanentes na
aldeia. Sim, são uns dez que mantêm vivas
ancestrais tradições Por isso mesmo, não
se trata de uma aldeia museu. É uma al-
deia com vida própria, onde se tem a possibilidade de contactar directamente com
os usos, costumes e fainas diárias da vida
rural.
Todos os dias de manhã, os ingredientes para o pequeno-almoço e o pão quente,
cozido no forno a lenha, são colocados à
porta de cada casa. E são os visitantes que
preparam a sua própria refeição.
Portas de um pequeno povoado rural
onde ainda se vive em comunhão com a
natureza e se respira pacatez e autenticidade. Portas simples de rústicas e pequenas de acolhedoras casas rigorosamente
recuperadas que parecem espreitar para os
montes e vales que as circundam.
Aqui, na Mata Pequena, que possui uma
área dedicada a preservar o burro tradicio-
nal da região, os hóspedes são desafiados a
conhecer a zona através de várias propostas
organizadas, como burricadas, caminhadas, passeios off-road num jipe ou passeios
equestres, podendo-se ainda alugar uma
bicicleta e partir à descoberta deste local
único onde a tradição falou mais alto e
provou que o conforto e o bem-estar são
mais autênticos nas coisas simples.
Mas também para tranquilamente percorrer de carro esta região de uma enorme
beleza paisagística e marcar encontro com
o Penedo de Lexim, Mafra, Sobreiro, Ribeira de Ilhas, Ericeira e Cheleiros.
Este é de facto um lugar repleto de pedaços de um passado que é comum a muitos de nós e que nos aviva carinhosas recordações.
Texto e fotos: Fernando Borges
