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CSS | 15 de Outubro de 2016
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José O´Neill Pedrosa
BURACO DA MINHOCA
o «progressista» seixalense (I)
Dário S. Cardina Codinha
Novo Companheiro de Plutão
e Água em Proxima-b
Plutão acabou de ganhar mais um
companheiro, chama-se 2014 UZ224,
está a cerca de 18 mil milhões de Km do
Sol e é o 3º objecto mais distante descoberto do sistema solar.
Tem cerca de 1000 km de diâmetro,
demora cerca de 1000 anos a dar uma
volta ao Sol. Este novo planeta-anão
junta-se a Éris, Sedna, Makemake, Almeia e Plutão.
O planeta-anão foi descoberto usando uma câmara grande angular para fazer imagens do céu, pertencente ao Dark
Energy Survey.
No primeiro mês desta pesquisa foram descobertos 6 objectos, entre eles o
2014 UZ224.
O instrumento e a metodologia utilizada nesta pesquisa pode servir, não só
para descobrir mais objectos interessantes no nosso sistema solar profundo, mas
também para aprofundar a pesquisa sobre o planeta 9.
O astrónomo principal desta pesquisa, David Gerdes, disse que a caçada está
apenas a começar e certamente serão
descobertos muitos mais objectos.
Um grupo de astrónomos franceses,
do instituto CNRS, chamou a atenção
para a possibilidade do exo-planeta mais
próximo de nós, o proxima-b (em torno
da estrela mais próxima de nós, a 4 anosluz) ter água.
O grupo estimou, apesar do erro ser
grande, a sua massa através de modelos
computacionais.
Basearam-se na possibilidade de o planeta ser rochoso com núcleo metálico,
depois ajustaram os dados à realidade.
Chegaram à conclusão de que o raio
deste exo-planeta situa-se entre 0,90
a 1,4 raios terrestres. Se tiver 0,9 raios
terrestres, terá um núcleo com 65% a
massa do planeta e o restante será manto
rochoso (algo idêntico a Mercúrio).
Teria, ainda, água na sua superfície
correspondente a 0,05% a massa do planeta.
Rúben Lopes
Nascido no ano de 1846 em Amora, José O´Neill Pedrosa (1846-1939) esteve entre os mais importantes
seixalenses da história do concelho, tanto como político como benemérito. Era descendente de João O´Neill,
um nobre irlandês do Clã O´Neill que em meados do Século XVIII passou a habitar em Portugal, estabelecendose na Quinta de Arealva (no actual concelho de Almada). Foi benemérito de várias associações do concelho,
principalmente da Sociedade Musical 5 de Outubro (em Paio Pires, freguesia onde habitava) – deteve o cargo
de presidente da Câmara Municipal do Seixal por duas ocasiões e chegou a ser eleito deputado.
A falta de documentação não nos ajuda
muito a detalhar a vida de Pedrosa nas
primeiras décadas da sua vida, até à sua
tomada de posse como Presidente da Câmara
Municipal do Seixal pela primeira vez no ano
de 1887, após a sua lista ter vencido as eleições
municipais de Setembro do mesmo ano – era
então membro do Partido Progressista, que
desde a sua fundação (em 1876) alternava no
poder juntamente com o Partido Regenerador
dentro da Monarquia Constitucional.
Permaneceria como Presidente da
Câmara até 1889, abandonando o cargo
para se candidatar a deputado para as Cortes
Constituintes pelo círculo uninominal de
Almada nas eleições legislativas de Outubro
do mesmo ano, perdendo no entanto estas
eleições contra o candidato do Partido
Regenerador, Jaime Artur da Costa Pinto.
Nas eleições municipais de Novembro
de 1892, Pedrosa encontra-se dentro da lista
camarária dos «progressistas» para a Câmara
Municipal, mas perde contra a lista do então
Presidente da Câmara, José Abraham de
Almeida Lima, «regenerador». A derrota de
Pedrosa foi celebrada pelo jornal afecto ao
«regeneradores» de Almada, O Puritano – na
época, não existia ainda um jornal sediado
no concelho Seixal - cujo correspondente
afirmava que a derrota de Pedrosa fora
surpreendente, tendo em conta que o mesmo
“dirigia os negócios do concelho há cerca de
dez anos” (O Puritano, Nº323, de 17/11/1892,
pág.3); por outro lado o correspondente do
jornal associado ao Partido Progressista, O
Diário Popular, culpava a derrota da lista dos
«progressistas» seixalenses à mobilização dos
operários da fábrica de lanifícios de Arrentela
pela lista dos «regeneradores» (O Diário
Popular, Nº9164, de 07/11/1892, pág.2).
Pedrosa recandidatou-se ao cargo de
Presidente da Câmara Municipal do Seixal
na eleição municipal de 27 Fevereiro de 1898,
vencendo-as e tomando o cargo pela segunda
vez. Esta eleição para a Câmara Municipal
seguiu-se à restauração do concelho do
Seixal nesse mesmo ano, após este ter sido
momentaneamente extinto desde 1895, por
Legenda: Vila do Seixal nos inícios do Século XX
anterior decreto do ministério «regenerador»
de Hintze Ribeiro – este facto poderá ter
favorecido Pedrosa na sua vitória. Segundo o
jornal O Popular (sucessor do Diário Popular),
esta vitória deu-se contra a lista coligada dos
«regeneradores» seixalenses e dos apoiantes
do Conselheiro do Rei D. Carlos, José Dias
Ferreira, e que Pedrosa teve o apoio da “classe
piscatória e operária” (O Popular, Nº621 de
01/03/1898, pág.2).
Por outro lado, o jornal A Tarde, associado
ao Partido Regenerador, contava uma história
diferente, ao afirmar que a derrota da lista
dos «regeneradores» seixalenses deveu-se à
intimidação dos apoiantes desta lista por “uma
caterva de caceteiros de mistura com cabos
de política”, que segundo o mesmo jornal,
estavam a mando de José O´Neill Pedrosa (A
Tarde, Nº3080 de 10/03/1898, pág.1).
Em 6 de Novembro do mesmo ano dão-se
novas eleições municipais (que se estenderam
desta vez para todo o país), sendo que Pedrosa
ganha estas e mantém-se como Presidente
da Câmara – era a terceira vez que ganhava
eleições municipais.
Vale a pena notar que a família de Pedrosa
detinha grande influência no concelho
do Seixal, visto que entre 1905 e 1908,
Guilherme d´Abreu Viana O´Neill Pedrosa foi
o Presidente da Câmara Municipal; ao mesmo
tempo, Henrique O´Neill Pedrosa e José
d´Abreu Viana O´Neill Pedrosa detiveram o
cargo de Administrador do Concelho (cargo
que representava os governos nos concelhos).
Durante a sua última presidência da
Câmara, José O´Neill Pedrosa deixou como
obra feita a criação da Comarca Judicial do
Seixal (1899), a criação da avenida marginal
na vila do Seixal (a actual Avenida D. Nuno
Álvares Pereira) e a instalação de candeeiros
de bicos de gás.
Após 1900, por razões desconhecidas, José
O´Neill Pedrosa não se recandidata ao cargo
de Presidente da Câmara.
Em 1910, dá-se a Implantação da
República, sendo que Pedrosa acabaria
por aderir ao novo regime como «adesivo»
(termo usado para identificar políticos do
caído regime monárquico que proclamaram
lealdade ao novo regime e que aderiram aos
partidos republicanos). Na próxima parte,
falaremos do percurso de José O´Neill Pedrosa
desde a Implantação da República até ao seu
falecimento em 1939.
ROSTOS DO SEIXAL
RITA MARRAFA DE CARVALHO
(1977)
No cenário de 1.4 raios terrestes, seria
composto por 50% de rocha e 50% de
água, com um oceano de cerca de 200
Km.
Em ambos os casos, uma fina camada
de gás cobre o planeta o que o torna potencialmente habitável.
DR
Licenciada em Ciências da Comunicação, com especialização em Jornalismo e
Novas Tecnologias, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade
Nova de Lisboa, Rita Marrafa de Carvalho
é uma jornalista e cantora nas horas vagas
da sua profissão de coração.
Oriunda da freguesia de Amora, começou por experimentar rádio na Seixal FM
com 17 anos, passou pela imprensa escrita,
produção de cinema e, em 1999, apresentou o programa Curto Circuito Especial de
fim-de-semana, no Canal de Notícias de
Lisboa.
Jornalista da RTP desde 1999, esteve no
Telejornal até 2010, altura em que aceitou o
convite para integrar a redacção do programa 30 Minutos. Segue casos relacionados
com a primeira e segunda Infâncias e Justiça, como o Freeport e o processo Casa Pia.
Como enviada especial foi à Indonésia,
para cobertura do terramoto e tsunami, em
2005, destacando também o trabalho no
Mundial de Futebol 2010, África do Sul, o
primeiro aniversário do 11 de setembro em
Nova Iorque, no ano de 2002, entre outros.
Realizou diversas Grandes Reportagens,
nomeadamente a primeira em Portugal
onde foi filmada uma reunião de Alcoólicos
Anónimos, de nome "Mais um Dia a Seco",
em 2007, ou "Feridas no Mar de Ceilão",
que acompanhou um grupo de órfãs do Sri
Lanka em 2008, num processo de terapia
de reconciliação com o mar, onde perderam
a família com o Tsunami.
Na arte literária, é co-autora dos livros
365, Os primeiros Anos (2004); Curtas-Letragens (2004); Vieste p@ra ser o meu livro
(2006); Esmeralda ou Ana Filipa, Dois nomes, dois Pais (2008); Histórias Sem Aquele
Era Uma Vez (2010); Folie à Deux (2011).
Conquistou alguns prémios tais como a
Menção Honrosa - Prémio de Jornalismo
pela Diversidade Cultural - ACIDI/Unesco
- Mercado das Vontades (2009) e Seleção
final para CINE'ECO, programa Avenida
Europa sobre Políticas Energéticas (2008).
Mário Barradas
