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entrevista

CSS | 15 de Dezembro de 2017

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The Black Koi
David Figueira e Pedro França são dois jovens do Concelho do Seixal que formaram a banda The Black Koi. O EP de estreia foi
lançado no passado dia 20 de Novembro e o “Comércio” esteve à conversa com o duo para saber um pouco mais sobre o projecto.

Como se juntaram e criaram o grupo?
David Figueira (DF): Conhecemo-nos
através de outros amigos, ainda no ano de
2011. Isto porque eu fiz parte de um projecto
de Metalcore também de Paio Pires, e conheci
o Pedro através de um amigo, o André Afonso,
um excelente músico que está agora na ribalta.
Entretanto esse projecto não correu muito
bem e a partir de 2012 ou 2013 parámos. Cheguei-me então à frente e falei com o França
em relação a criar um projecto. Não sabíamos
muito bem que tipo de projecto queríamos,
sabíamos só que queríamos explorar algo diferente. Na altura tínhamos falado de algo com
voz mas acabámos por seguir o instrumental
porque acabava por ser algo completamente
diferente, era algo que nos ia exigir bastante
em termos criativos.
Chegámos a avançar na altura com Juicy
Quail, foi a primeira banda que criámos juntos com outro membro, o Pedro Mendes.
Infelizmente o projecto não avançou muito,
chegámos a fazer alguns concertos mas não
chegámos a lançar a EP que na altura já tinha
a mistura completa. Fizemos então uma breve
pausa na música, cada um teve os seus projectos pessoais, até que achámos que chegou a
altura ideal e avançámos com este projecto de
momento que é o The Black Koi. Decidimos
avançar só nós os dois simplesmente porque
achámos mais fácil, sabemos que estamos os
dois coesos a nível de trabalho. Estamos agora
no final de 2017 com a EP lançada felizmente, com o nome da banda, e já a preparar um
próximo lançamento para breve que já está a
ser composto.
Porquê o nome de The Black Koi para
a banda?
Pedro França (PF): Isto surgiu inicialmente na casa do David, ao computador, queríamos algo relacionado com símbolos virados
para o budismo ou algo que suscitasse o nosso interesse. Depois decidimos explorar uma
outra cultura, neste caso a nipónica. O nome
não tem assim nenhum fundamento específico, achámos interessante a imagem da carpa
enquanto marca da banda. Quando explorámos a cultura nipónica descobrimos a carpa
como um elemento forte dentro da cultura,
cada carpa tem uma mensagem forte, e era
algo que também queríamos transmitir através da música. Achámos uma imagem brutal
da carpa, e começaram então a surgir várias
ideias de como poderia ser a capa da EP, e
depois lá está, em japonês carpa é Koi, e logo
de imediato surgiu-nos na mente aquele parque de carpas que existe em Almada que é o
Koi Park, onde poderíamos ir lá, falar com eles
e tirar algumas fotos. E achámos que isso iria
ter um forte impacto a nível da imagem.

Ou seja, começou através daí, primeiro
pensámos na imagem, e depois dentro das
carpas que existem escolhemos a carpa negra,
Black Koi, são das mais raras e transmitem
uma imagem mais forte. Não tem assim uma
explicação muito profunda, foi mesmo só
pela imagem forte que achamos que o animal
transmite, e depois também pela capacidade
que dá para brincarmos com a imagem para
futuros eventos e mesmo em concertos. Chegou-nos a passar já pela cabeça usar imagens
durante o concerto, do estilo estarmos a tocar
e estarem a passar imagens por trás, e acho que
é uma imagem forte que passa.
Como foi o processo de gravação da EP?
DF: Foi demoroso (risos). Na altura foi
demoroso porque estudava e trabalhava, tivemos no mínimo uns 3 ou 4 meses a gravar na
casa desse nosso amigo, o André.
O André Afonso, também participou na EP?
DF: Exactamente, participou na EP. Tivemos a felicidade dele conseguir-nos gravar
a EP, mais um outro amigo nosso, o Pedro
Almeida, que acabou por fazer a Mix e a
Master , trabalharam os dois em conjunto.
Foram cerca de 3 ou 4 meses a tentar gravar
no mínimo dois dias, fosse fim-de-semana ou
dias de semana, até porque na altura o França
também tinha compromissos com a banda da
SFUA, e eu também tinha os meus compromissos, depois com o trabalho e os estudos
pelo meio, foi uma batalha contra o tempo. O
Pedro tinha dificuldades por causa dos ensaios
da banda, mas felizmente correu tudo bem.
No entanto, e apesar destes 3 ou 4 meses a
gravar, passou num instante.
PF: Desta vez não quisemos impor grandes metas, e acho que isso marca a diferença
em relação às outras coisas que não correram
assim tão bem. Mas sabíamos que nesta altura
de Outubro/Novembro gostaríamos de ter as
coisas cá fora, e então passámos o Verão e o
mês de Setembro a gravar, para depois entregar o trabalho ao André e ao Pedro e aí já
dependia deles. Mas enquanto faziam isso nós
já estávamos a fazer outras coisas, como gravar
o videoclip, preparar a Playthrough que foi
gravada pelo Nélson, um amigo nosso e vocalista da banda do André. A partir do momento
em que as coisas ficaram feitas da nossa parte, dependia do André e do Pedro, mas isso
descansou-nos, porque sabíamos que da parte
deles as coisas iam resolver-se rapidamente e
iam sair dentro do prazo que tínhamos em
mente.
A EP foi lançada há pouco tempo,
como tem sido a aceitação por parte do
público?
PF: Nós ainda não fizemos concertos nem

uma grande propaganda, mas neste momento
está a ser mais a nível local, através dos nossos amigos, já chegou a outras pessoas e outras
cidades, tenho amigos meus que me contam
“olha, mostrei isto a um colega meu que é de
Sintra e ele adorou”, neste momento é mais
pelo boca-a-boca, as pessoas vão ouvindo, mas
está como nós mais ou menos esperávamos.
Tivemos as ideias, queríamos disponibilizá-las, queríamos ter o prazer de dizer que
está aqui o nosso trabalho, e agora é algo que
supostamente irá crescer mais quando começarmos a tocar mais ao vivo, quando mostrarmos a outro tipo de públicos, a outras pessoas,
tocar noutros sítios que não só aqui na zona.
Depois irá crescer com calma, tal como estava
a acontecer com o outro projecto, começou no
meio local e depois foi crescendo. É claro que
depois acabou por não correr bem mas notávamos que estava a haver um crescendo mesmo
até de público, e aqui acho que vai acontecer
exactamente o mesmo mas uma coisa mais
profissional, digamos assim.
Falaste em concertos, têm alguma
coisa preparada ou marcada para mostrar o trabalho ao público?
DF: Marcado, marcado não, mas está para
breve, meados de Janeiro. Já temos algumas
coisas preparadas e estamos a apontar para
Janeiro ou Fevereiro, pensamos já estar pela
estrada a mostrar o nosso trabalho ao público.
PF: Como o David falou no início, este
projecto somos só nós os dois. Em termos
de criatividade e em termos de aplicar o que
temos na cabeça é muito mais fácil, não temos
de depender de outros. O David está encarregue da parte das guitarras e faz também o
baixo, eu faço as baterias, depois criatividade é
dos dois. Mais do David nesta última EP, tem
muitas ideias dele que depois complemento
com as baterias.
Ao vivo já teremos de contar com o apoio
de outros dois músicos, de um guitarrista e de
um baixista. Esse primeiro concerto ainda não
está definitivamente marcado porque estamos
a ver a disponibilidade do guitarrista, e nesta
altura contamos sempre com os nossos colegas
que já demonstraram o apoio mas têm a agenda deles, como é óbvio. E então isto vai ser
um pouco assim, num dia podem ver-nos num
concerto com um guitarrista e um baixista, e
depois noutro dia, noutro concerto, com um
outro guitarrista e um outro baixista. Isso vai
acontecer de certeza, porque como estamos só
os dois, dependemos da amizade dos nossos
amigos.
DF: Também escolhemos aplicar esta filosofia de dois membros agora porque já em
projectos anteriores, e especialmente da minha
parte, é preciso depender bastante das outras
pessoas, e saber que um não puxa, os outros
têm de puxar mais. Pode uma pessoa estar
mais desmotivada que as outras três, cria sempre um desequilíbrio e eu prefiro que as coisas
estejam sempre equilibradas entre os dois, e
que sejam resolvidas entre nós. Eu não estou,
nem queria dizer isto de forma directa ou indirecta pelo que aconteceu no passado, mas foi
um bocado o que passou pela minha cabeça
na altura porque enquanto não encontrarmos
alguém que se adeqúe mesmo ao projecto, a
nosso ver, preferimos manter-nos assim. Agradecemos claro a todos as pessoas que nos ajudaram e vão ajudar nos concertos, mas a opção
de dois membros foi propositada, para facilitar
em tudo, excepto financeiramente (risos). Aí é
mais dispendioso.
PF: Em vez de estarmos a dividir as coisas
por quatro ou cinco, somos só nós os dois. Não
vamos dizer “olha, safa-nos aí o concerto e tens
de pagar aqui umas coisas” (risos). Mas isso faz
parte, e acho que a palavra que está mais forte
neste grupo é a amizade. Porque em todo este

processo dependemos sempre da amizade, na
gravação da Playthrough do David pelo Nélson, sempre bastante disponível, o André e o
Pedro na gravação da EP, Mix e Master e todo
o processo. No nosso primeiro videoclip, o
Sebastião Santana aqui do Seixal, foi ele que
nos gravou o videoclip e nós depois fizemos
a parte de edição, ou seja, o nosso grupo de
amigos mostrou-se desde o primeiro momento
disponível a ajudar. O João Camacho também
nos ajudou nas fotografias, ele também é aqui
do Concelho. Desde o primeiro momento
sempre estiveram muito disponíveis, tivemos
custos muito reduzidos, estamos a falar de
valores simbólicos, ou de borla mesmo, e estaremos eternamente gratos a essas pessoas pelo
que têm feito por nós até agora.
Quem quiser adquirir a EP, o que
pode fazer?
DF: De momento existe apenas a possibilidade digital. Estamos ainda a ponderar
se fazemos físicos, o que devemos fazer, mas
isso depois vai meter ainda mais trabalho para
mim porque eu é que tratei da parte digital e
da parte de imagem, vou ter de tratar disso
tudo, mas em princípio deve haver físicos na
altura dos concertos. Uma coisa limitada, só
mesmo para concertos.
Mas em digital está disponível no Bandcamp, no iTunes, Amazon, Google Play e está
em stream no Spotify e no YouTube, onde foi
disponibilizado um dia antes para todos ouvirem.
Em termos dos The Black Koi, quem
é que olham como inspiração em termos musicais?
PF: Não é que estejamos a tentar ser iguais
ou a copiar, mas temos as nossas inspirações.
Um dos temas da nossa EP, The Escape Plan,
é um pequeno tributo a uma banda que são
os The Dillinger Escape Plan, que é uma das
bandas preferidas do David e para mim foi
um dos melhores concertos que já vi em toda
a vida, ainda agora tiveram em Corroios no
VOA. Logo na EP está uma banda em que nos
inspiramos, mas depois há várias dentro do
instrumental.
DF: Eu no meu caso, a minha ideia era
mesmo homenagear os The Dillinger Escape
Plan, eu tive quase 4 meses a ouvir a discografia deles, as pessoas já nem podiam estar comigo no carro (risos). Mas nos outros sons, no
Insomnia por exemplo, na altura via bastantes
vídeos de um senhor que é o Ola Englund,
tem uma banda e gosto bastante do som
dele. Temos lá um pouco dos “toques” dele,
porque gostava bastante da tonalidade em
que ele tocava. O Kananga já foi uma música em que compusemos os dois durante um
ensaio. Começámos na brincadeira e acabou
por surgiu um bom som e explorámos, mas
tudo dentro do mesmo género. E a Anxiety
já foi um som que na altura tinha composto
num momento cheio de ansiedade, não estava
a sentir-me bem com o momento que estava
a viver e o som em si era para transmitir isso.
PF: E isto é tudo dentro do Instrumental,
depois há outras bandas. Mas lá está, não estamos a dizer que o nosso som se está a tentar
aproximar, são apenas influências. Há pormenores nas músicas que podem fazer lembrar
mas não estamos de todos a querer copiar.
DF: Uma pessoa que me sinto bastante
influenciado desde início é o André Afonso. Ele já me ajudou muito e já me ensinou e
aturou bastante. Alguns dos sons já é quase a
pensar como ele, sinto a influência e agradeço
bastante o facto de ter participado no nosso
EP. E para breve espero também a participação de uma outra pessoa que não vou dizer
por enquanto.
PF: Mas também é do Seixal, esse é mesmo
seixalense (risos).