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Saúde
CSS | 15 de Dezembro de 2017
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FISÁLIS
Fitoterapia
Miguel Boieiro
Projeto “Bairro sem
Cárie”
A Fundação EDP, no âmbito do
Programa EDP Solidária – Inclusão
Social 2016, apoia o projeto Bairro sem
Cárie que promove a saúde oral, junto de crianças e jovens, em seis bairros
sociais do concelho do Seixal.
“O apoio ao projeto Bairro Sem
Cárie, através do programa EDP Solidária, traduz aquela que é a missão da
Fundação EDP na área social: promover a inclusão de pessoas e comunidades em contexto vulnerável, como é o
caso de todas a crianças e jovens que
assim têm acesso a cuidados de saúde
oral. E são já mais de 350 os projetos
apoiados em todo o país pelo programa
EDP Solidária com o propósito de contribuir para uma melhor qualidade de
vida das populações”, declarou Miguel
Coutinho, administrador e diretor
geral da Fundação EDP.
O Centro Comunitário de Saúde
Oral está a desenvolver o projeto “Bairro Sem Cárie”. Desde o início do projeto em Janeiro de 2017 já efetuou 369
rastreios dentários junto da população
desfavorecida, residente no concelho
do Seixal.
O Projeto “Bairro Sem Cárie” está
a ser desenvolvido nos Bairros Santa
Marta de Corroios, Cucena, Quinta
da Princesa, Jamaica, Arrentela e Vale
Chicharo. Segundo o Dr. Octávio
Rodrigues, fundador e Diretor Clínico do Centro Comunitário de Saúde
Oral, “o projeto tem como objetivo
aumentar a consciencialização e a educação para os hábitos de saúde oral
através da realização de rastreios junto
da população jovem para que possam
ser diagnosticadas doenças ou patologias associadas com manifestação oral.
A ação envolve também a distribuição
gratuita de escovas e pastas de dentes
uma vez que muitas pessoas dos bairros não têm acesso”. Esta ação pretende
assim identificar jovens com problemas dentários e necessidades urgentes
de intervenção, bem como educar para
a importância da adoção de boas práticas alimentares e de estilos de vida
saudáveis.
Os casos detetados são posteriormente acompanhados no Centro
Comunitário de Saúde Oral localizado
na Cruz de Pau, Seixal. De acordo com
Alexandra Arnaut, Técnica do Gabinete de Ação Social da Câmara Municipal do Seixal, “o acesso à saúde oral é
quase nulo nestes bairros, por isso, o
papel deste projeto torna-se fundamental para melhorar a saúde oral destes
jovens e, com isso, a sua qualidade de
vida e integração social”. Acrescenta
ainda que “é crucial assegurar uma
maior equidade no acesso à saúde oral
e incentivar outras instituições a seguirem o exemplo”.
Há uma boa dúzia de anos trouxe de
Ponta Delgada uma compota de frutos
que, de todo, desconhecia. Não eram
araçás, esses conhecia-os eu bem, pois o
saudoso ti Manel das Doze fez o favor
de me trazer da Terceira, dois pequenos
araceiros para plantar no quintal.
Enquanto não geou, o que aconteceu
durante sucessivos invernos, fomo-nos
deliciando com essa espécie de goiaba
selvagem.
O tal frasco de compota tinha uma
etiqueta que dizia “doce de capucha”. E
sabem que andei um ror de tempo sem
conhecer o que era aquilo. Por burrice, sem dúvida, pois com tantos amigos
açorianos, nunca os indaguei sobre tal
matéria. Agora já sei. Afinal a “capucha” é vocábulo das ilhas para “fisális”,
aquele frutinho, hoje tão em moda nos
estabelecimentos “gourmets”. Contudo,
alquequenge tem sido, desde há séculos,
o nome vulgar atribuído a esta interessante solanácea, que consta na maior parte
dos tratados de fitoterapia. Depois de
muito hesitar, resolvi titular este artigo
por “fisális”, já que se trata da designação
actualmente mais difundida. E compreende-se porquê: é deveras bastante mais
fácil de pronunciar.
A Physalis alkekengi L é uma planta
anual da família das Solanaceae que cresce espontaneamente nos campos de cultivo, figurando, muitas vezes, como espécie
ornamental.
Nos Açores, e não só, esta herbácea é
quase infestante, pois reproduz-se com
excessiva facilidade. Julga-se que ela veio
da América do Sul, mais propriamente da
Colômbia, país em as produções atingem
razoável valor comercial.
Pode chegar aos 60 cm de altura, preferindo solos calcários até à altitude de
1500 metros. O seu caule é erecto, anguloso, ligeiramente pubescente e, amiúde,
ramificado. As folhas apresentam-se
aos pares e são grandes, alternas, ovais-pontiagudas e pecioladas. As flores,
solitárias, formam um pequeno cálice e são hermafroditas (na mesma flor
encontram-se órgãos masculinos e femininos) e esbranquiçadas. Finalmente, os
frutos, globulosos, mais pequenos do que
cerejas, são amarelos ou alaranjados. Por
vezes, fazem lembrar uma gema do ovo
em miniatura. Encontram-se revestidos
de uma membrana verde que, pouco a
pouco, vai ficando cor de palha e quase
transparente, quando o fruto amadurece.
Esta característica determina que o alquequenje seja também conhecido como
“planta das lanternas chinesas” ou “bexiga de cão”.
Quimicamente, refere-se um princípio
activo que é a fisalina. Possui também
vitamina C, ácido cítrico, ácido málico,
glícidos, pectinas e carotenos, para além
de alcalóides, como é apanágio de, praticamente, todas as solanáceas.
Entre as suas propriedades, conta-se a
de ser depurativa, diurética, emoliente,
expectorante, febrífuga e sedativa.
Em fitoterapia, utilizam-se as folhas,
essencialmente para aplicações externas, e
os frutos. Estes podem consumir-se frescos, secos ou em pó.
Fleury de la Roche, em “Las Plantas
Bienhechoras” (versão em castelhano),
recomenda a cataplasma das folhas frescas esmagadas para aliviar as inflamações
e a infusão de 50 g dos frutos secos num
litro de água, para cálculos renais, hidropisia, gota e entorpecimentos viscerais.
Por sua vez, Abdelhaï Sijelmassi, em
“Les Plantes Médicinales du Maroc”,
advoga que os doentes com taxas elevadas
de ácido úrico devem beber três chávenas por dia da decocção de 20 g de bagas
secas fervidas num litro de água.
O mesmo autor aconselha prudência
quando se ingere os frutos frescos, pormenorizando que não se devem comer
mais do que trinta bagas por dia e jamais
verdes.
A precaução deverá ser maior nos países tropicais, visto que vegetam espontaneamente cerca de meia centena de
espécies “physalis”, sendo algumas bastante tóxicas.
Porém, entre nós, europeus, os sumarentos frutos da espécie “alkekengi” são
apreciadíssimos em saladas de frutas e
pastelaria, tendo um sabor agridoce muito delicado.
