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ENTREVISTA
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O IMPORTANTE É CONSEGUIRMOS
DESENVOLVER AS CAPACIDADES DOS MIÚDOS
Chama-se Fábio Meneses, tem 26 anos, é
um dos jovens valores do nosso concelho. Está
a terminar a licenciatura em Educação Física e
Desporto na Universidade Lusófona em Lisboa,
tirou e concluiu o curso de treinador de nível
1 com 19 anos, e neste momento treina duas
equipas do Colégio Atlântico, uma de 2005 e
outra de 2009. O Mister Fábio Tirou um pouco
do seu tempo para uma entrevista ao nosso
jornal onde deu-nos a conhecer as suas ideias,
como começou esta aventura e um pouco
daquilo que podemos esperar para o futuro.
Como surgiu essa paixão pelo treino?
Sempre tive o sonho de seguir futebol como
jogador, na altura acabei por estar na faculdade
e jogar no Alta de Lisboa, infelizmente fracturei
a perna na faculdade, e a partir daí sempre tive
o sonho de treinar e ficar ligado ao futebol,
fosse preparação física ou treinador. Tinha a
ideia mas ainda não tinha aquele bichinho…
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Depois os meus pais acabaram por me oferecer
o curso de treinador de nível 1, já tinha falado
nisso mas não me tinha inscrito. Ofereceramme, acabei o curso com a terceira melhor nota
do distrito, continuei na faculdade e comecei a
treinar equipas mais baixas, treinei no Monte
da Caparica, treinei no Charneca também, nas
equipas de petizes.
Depois de ter partido a perna, acabei por
também rasgar os ligamentos, acabei por ficar
dois anos sem treinar, mas na altura sempre
tive a ambição de subir na carreira, acabou por
surgiu o projecto no Arrentela, acabei por ficar
com os iniciados de futebol 11. Não posso dizer
que tenha corrido bem, mas também não correu
mal, acabou por ser uma experiência diferente,
porque lidamos com realidades diferentes, e ao
mesmo tempo comecei também a colaborar com
o Colégio Atlântico, mandei currículo para cá,
marcaram-me entrevista, correu bem e acabei
por ser chamado, e o Colégio ainda estava a
crescer na altura, não era nada do que é hoje,
ainda era bastante pequeno, e acabei por vir
para cá e estar ao mesmo tempo no Arrentela:
fazia os treinos com os mais novos no Colégio e
fazia os treinos com o futebol 11 no Arrentela.
E foi a partir desse ano que surgiu o clique,
porque aqui no Colégio tinha uma realidade
diferente, miúdos que a maior parte deles não
ligam tanto às condições financeiras, os pais têm
mais posses, a maneira de lidar com eles é uma,
e depois no espaço de 15 minutos de sair daqui
para a Arrentela tinha de mudar completamente
o chip, porque a realidade é completamente
diferente, por vezes chegava lá e ia lanchar
com os miúdos, por vezes eu próprio levava os
miúdos a lanchar, ainda hoje, e já lá não estou
há ano e meio, continuo a almoçar e lanchar
com eles. É uma realidade diferente: tens de dar
um pouco mais de ti para eles também puderem
dar mais deles.
De resto fui evoluindo, acabei por sair do
Arrentela porque o projecto já não ia de acordo
com o que eu queria e acabei por ficar com duas
equipas no Colégio Atlântico. Começámos
o ano passado na base do nosso projecto que
sempre foi um projecto de formação, nunca
olhámos para os resultados porque o objectivo
era crescerem e divertirem-se com o futebol
no Colégio e aliar isso ao facto de estarem na
escola, porque para os pais é muito mais fácil,
as crianças acabam por sair das aulas e estão
logo no treino, não é preciso irem busca-los à
escola e levá-los para o treino. A única coisa que
precisam de fazer é vir buscá-los no final do
treino, não há aquela pressão de terem de levar
o miúdo de um lado para o outro.
Depois o Colégio acabou por ir crescendo,
conseguimos desenvolver um bom trabalho
o ano passado, sempre na base da formação,
nunca metemos nenhum miúdo de parte, até
mesmo nas equipas de competição todos jogam,
não há ninguém que se possa queixar de não
jogar. Todos são inscritos, é claro que há uns
que jogam mais que outros, não por serem
melhores mas porque se calhar estão mais
aptos, e pronto, temos feito o nosso caminho
assim, as equipas têm vindo a evoluir, tanto
que miúdos que na altura não conseguimos
ver tanto potencial neles, com a formação que
temos vindo a desenvolver e com os vários
torneios que realizámos o ano passado que foi
muito importante, porque ganharam bastante
experiência, e este ano já se nota que os miúdos
estão mais evoluídos, estão mais empenhados,
até os próprios pais foi giro de ver… o ano
passado nos primeiros jogos andava a fazer
contas à vida para ter uma equipa para ir ao jogo,
porque muitos faltavam, mas quando chegou à
altura do Torneio Complementar já começou a
ver que os pais tinham outro tipo de empenho,
também começaram a ter aquele gosto de ver os
miúdos, de ter marcado os Sábados de manhã
para virem ao jogo dos filhos e começou a
mudar um bocadinho a mentalidade, não era
tanto um problema de entusiasmo dos miúdos,
era mais de mentalidade dos pais. E assim que
isso mudou e que começámos a mostrar que
conseguimos aliar a escola com os excelentes
resultados que eles tiveram ao longo do ano ao
empenho e resultados desportivos, já se começa
a notar outra forma de actuar dos miúdos e dos
próprios pais também.
Estás no Colégio Atlântico há quase três
anos e tens acompanhado o seu crescimento.
Em relação às condições de treino e mesmo
aos jogadores que tens recebido, quais as
diferenças que reparas desde que entraste até
à equipa que tens agora?
Sempre tive as mesmas equipas até agora,
estamos a tentar fazer um ciclo de 3/4 anos
com cada equipa até passarem para o futebol
11. Mas não tem comparação… As condições
sempre foram boas mas claro que à medida
que o número de miúdos aumenta, nós temos
de aumentar a capacidade de recebê-los. Mas
principalmente a nível de espírito de grupo
houve uma evolução fantástica, as equipas que
apanhei aqui, até a dos mais velhos, nunca
tinham jogado à bola, entraram porque estavam
no Colégio, era mais fácil para os pais no que
toca a deslocações, não escolhemos miúdos mais
aptos nem menos aptos, todos têm o direito
de integrarem as nossas equipas e a partir daí
fazemos um trabalho mais específico com eles.
No início foi mais complicado porque não eram
tão evoluídos tecnicamente, e não estavam tão
confiantes, era um mundo novo para eles. Mas à
medida que o tempo passava, eles começaram a
ganhar espírito de equipa, e nota-se nos próprios
intervalos que os miúdos que são de turmas
diferentes, mas que são da mesma equipa no
futebol, passam mais tempo juntos, e aliado a
isso, veio claro a componente técnica e táctica
que tem sido cada vez melhor e desde o final
da temporada passada já se começou a ver um
trabalho bastante bom, tanto que nós fomos a
um torneio já conceituado em Portugal, que é o
Torneio do Guadiana, e todos os nossos escalões
tiveram prestações fenomenais, tanto dentro
do campo, mas mais aquilo que nós damos
primazia aqui que é fora do campo, tiveram um
comportamento espectacular.
E aliar a isso, temos conseguido uns bons
plantéis, temos cada vez mais miúdos a vir para
cá, este ano as listas foram enormes, e está a
correr bem. Nos mais velhos noto uma evolução
não tão táctica e técnica, mas uma evolução de
crescimento, eram miúdos de jogar do tipo de
pegar na bola e querem fintar todos, agora já é
diferente. Nos de 09, é que notei uma evolução
mesmo muito grande… foi a equipa que levei
ao torneio do Guadiana e posso dizer que no
torneio não só conseguiram apresentar um nível
de futebol bastante elevado para uma equipa
que te posso dizer desde já que até Dezembro
