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SAÚDE

CSS | 22 de Setembro de 2017

10

Miguel Boeiro

Inula
marítima
Revestiu-se de grande sucesso o
1º Festisal, certame organizado pela
Fundação das Salinas do Samouco no
passado mês de julho. Participaram
entusiasticamente cerca de seis
centenas de pessoas de todas as idades.
A iniciativa, plenamente integrada
na filosofia eco ambiental, visou,
entre outros objetivos, sensibilizar a
população para o potencial educativo,
científico e lúdico contido num espaço
de quase 400 hectares que ficou
denominado Salinas do Samouco,
embora mais de 80% do território
se situe na freguesia de Alcochete.
A Festisal englobou um leque
diversificado de atividades: rapação de
sal, recriações históricas, artesanato,
venda
de
produtos
regionais,
observação de aves, gastronomia,
fornos solares, projeção de filmes,
exposições, palestras temáticas, etc.
Neste âmbito, despertou enorme
interesse o “showcooking” dirigido
pelo “Chef ” António Sequeira com
demonstrações culinárias e respetivas
degustações (talvez o mais cativante

para quem busca experiências de
novos sabores) efetuadas com plantas
halófitas das salinas. A este escriba foi
solicitado que, na véspera, colhesse
folhas de salgadeiras, salicórnias,
sarcocórnias, gramatas e inulas, o
que foi efetuado com prazer para que
tudo corresse a contento. Refira-se
que as citadas plantas são todas elas
edíveis, embora ainda não estejam
integradas na gastronomia portuguesa
tradicional. Apenas a salicórnia
começa agora a ser popularizada como
produto “gourmet” (Ver alusão no
meu livro “Plantas para Curar e para
Comer”).
Aproveitamos a ocasião para
investigar sobre as propriedades
gustativas da inula com que o
“Chef ” preparou um acepipe de
camarinhas (pequenos camarões).
A inula marítima, para além de ser
uma planta salgada, tem sabor forte e
característico o que confere identidade
própria a qualquer prato.

Há várias plantas designadas
por inula, mas falo-vos da Inula
crithmoides, de seu nome científico,
espécie da aristocrática família das
compostas ou Asteraceae. Tratase de uma planta perene, simples,
glabra, ramosa e ascendente que
pode atingir 8 dm de altura. As suas
folhas são carnudas, estreitas, quase
lineares, sésseis e alternas. Os caules
são lenhosos e um pouco torcidos
na base. As flores, agrupadas em
capítulos, apresentam-se de amarelo
dourado com pétalas estreitas e
brácteas imbricadas em várias filas.
São hermafroditas e surgem de maio a
setembro. As sementes, de 2 a 3 mm,
formam aquénios angulosos hirsutos e
pubescentes.
A inula não suporta a sombra,
adorando o calor. Prefere solos
ligeiramente ácidos, formando tufos e
pode ser encontrada em orlas de sapais,
muros de salinas, esteiros e mesmo em
esporões rochosos e arribas litorais,

como recentemente vimos em Peniche,
a caminho do Cabo Carvoeiro.
Dos
compêndios
consultados
apenas encontrámos menção da Inula
crithmoides em “Elementos da Flora
Aromática” de Aloísio Fernandes
Costa, edição de 1975 da Junta de
Investigações Científicas do Ultramar,
referindo que “por destilação das
folhas se separa uma essência da
qual predominam, particularmente,
hidrocarbonetos”. A mesma obra
regista ainda outras duas inulas com
essências, nomeadamente a viscosa e a
graveolens.
No entanto, a inula mais consagrada
como planta medicinal, descrita em
variados livros de fitoterapia, é a Inula
helenium de que se aproveita a raiz.
Trata-se de uma erva de folha larga,
bem mais alta do que a crithmoides
e tem aplicações no tratamento
de bronquites, tosses e problemas
estomacais.
Quanto à nossa inula marítima há a
destacar, para além das suas essências
ainda não devidamente estudadas, o
teor em cloreto de sódio e quiçá em
cloreto de potássio, sendo portanto
ideal para temperos em substituição
do sal-das-cozinhas e, desta forma,
aconselhada para quem sofre de
hipertensão. As folhas jovens podem
ser consumidas cruas, cozidas, em
picles e como condimento.
Avançando
nas
minhas
experimentações, procedi à secagem
da planta em forno solar e pulverizei as
respetivas folhas que casam bem com
saladas e cozinhados. E eis assim como
se pode aproveitar mais um recurso
disponível e gratuito (por enquanto)
no nosso País, cuja utilização enriquece
os preparados culinários e beneficia a
nossa saúde.

Tratamento | pequenas feridas solares
Jorge Neves

A pele é o maior órgão do nosso
corpo, tendo funções vitais para a
manutenção de uma barreira natural
contra as agressões exteriores, como
agentes bacterianos, radiação solar ou
traumatismos.
Exposição a agressões físicas em
crianças
Por
motivos
inerentes
ao
desenvolvimento infantil, as crianças
não têm noção ou consciência do
perigo, por exemplo, na manipulação
de objetos cortantes ou na curiosidade
típica por locais elevados.
Este facto, aliado às quedas frequentes
durante a aquisição da marcha e
relacionadas com a imaturidade
motora, faz com que a sua pele seja
frequentemente exposta a agressões
físicas por traumatismos diretos ou
indiretos.
O que é uma ferida
Considera-se ferida qualquer solução
de continuidade da superfície da
pele, quer seja superficial sem grande
hemorragia – escoriação, quer seja
profunda, podendo atingir todas as
camadas da pele, tecido subcutâneo
rico em gordura e por vezes também

as estruturas musculares subjacentes No hospital
– feridas incisas. Estas feridas deverão
ser sempre avaliadas numa unidade de
Na avaliação da ferida no
saúde para se perceber a necessidade do hospital,
podem
ser
utilizados
tratamento adequado.
diversos tratamentos conforme a
gravidade do traumatismo. Nas
O que fazer
escoriações superficiais a desinfeção
pode ser suficiente, ficando a ferida
Ainda em casa, existem alguns preferencialmente sem proteção de
procedimentos que deverão ser aplicados penso. Nas pequenas feridas superficiais,
o mais precocemente possível, pois, não sangrantes e com poucos folículos
independentemente do mecanismo de pilosos ao seu redor, pode optar-se pela
trauma ou do local onde ocorreu, existe utilização de colas sintéticas.
sempre um risco infecioso. Assim, é
fundamental:
Tratamento de eleição
• A limpeza da ferida com soro
fisiológico ou, na falta deste,
lavar com água corrente, pois
arrastará partículas de sujidade e a
maioria dos agentes patogénicos.
• Sempre que possível, desinfetar
com
soluções
antissépticas
iodadas (Betadine®) e cobrir com
compressa ou outro tecido limpo.
• Deve evitar-se a utilização de algodão,
pois este liberta pequenas fibras difíceis
de remover quando a ferida inicia o
seu processo de secagem e cicatrização.
• Quando a ferida provoca uma
hemorragia e não ceda espontaneamente,
é imperativo fazer pressão sobre a mesma
utilizando uma compressa que não deve
ser removida. Na maioria das situações,
este procedimento é suficiente para o
controlo da hemorragia.

Remoção dos pontos
Os pontos de sutura aplicados na pele
devem ser removidos após 5 a 10 dias,
dependendo da idade e da extensão da
ferida. Nesta altura, devem ser colocadas
tiras de sutura cutânea hipoalergénicas
(Steri Strip) para manter as condições
de cicatrização ideais e não permitir
que pequenos esforços ou movimentos
indesejados possam reabrir a ferida.
Hidratação e proteção da cicatriz

Em todas as feridas abertas
sangrantes a sutura com linha é o
tratamento de eleição. Este tratamento
deve ser efetuado até 6 horas após o
traumatismo, pelo risco de infeção,
e é realizado sob anestesia local, sem
necessidade de jejum ou qualquer outra
preparação.

Para um resultado estético adequado
é fundamental manter a cicatriz bem
hidratada e, duas semanas após a
remoção dos pontos de sutura, ser
massagada energicamente com um
creme hidratante hipoalergénico ou com
produtos de cosmética com efeitos na
regeneração celular cutânea, evitando
a formação de cicatrizes deformadas e
inestéticas.

Cuidados a ter

Proteger a cicatriz do sol

Em algumas situações particulares
pode ser necessária a prescrição de um
antibiótico profilático que deve ser
cumprido durante os dias recomendados.
Nos primeiros dias, a ferida não deve
ser molhada para não atrasar o início da
cicatrização nem promover as condições
ideais para uma proliferação bacteriana.

Todas as cicatrizes devem ser
convenientemente
protegidas
da
radiação solar, através do uso de
vestuário adequado ou, se é inevitável
a exposição solar (como nas cicatrizes
da face), pela utilização de loções com
fator de proteção ecrã total reaplicadas
várias vezes ao dia.