Comércio 345.pdf

Vista previa de texto
CULTURA
CSS | 22 de Setembro de 2017
4
HISTÓRIAS ASSOCIATIVAS (21)*
O VOZEIRO
Rui Hélder Feio
Informação Jurídica Gratuita
HIPOTECAR A CASA PARA
ASSEGURAR A CONSTRUÇÃO
DA SEDE DA SOCIEDADE
Numa iniciativa deveras louvável,
a Ordem dos Solicitadores e Agentes
de Execução, irá a estabelecer protocolos com diversas Câmaras Municipais,
com o objetivo de proporcionar aos
munícipes mais carenciados sessões de
informação e aconselhamento jurídico
gratuito, efetuada por um Solicitador.
O solicitador é um profissional liberal
que, exercendo as mais variadas competências jurídicas, está habilitado a prestar
aconselhamento em diversas áreas, designadamente em direito civil, comercial,
societário, laboral, administrativo, fiscal,
contraordenacional, registal e notarial.
Este profissional pode ainda informar o
cidadão acerca das soluções jurídicas ou
dos serviços mais adequados à resolução
da situação em causa.
A quem se dirige?
Mediante a análise prévia de cada pedido, podem beneficiar deste serviço as
pessoas singulares que tenham um rendimento inferior a um salário mínimo
mensal.
Como irá funcionar?
Por ora, apenas foram estabelecidos
protocolos com os municípios de Lisboa
e Porto, mas é desejável que tal iniciativa
se estenda a outros municípios.
As sessões terão lugar nos palácios de
Justiça de Lisboa e do Porto e nas instalações da Ordem.
Como deve ser feita a inscrição?
Faça a sua inscrição através do preenchimento do seguinte formulário ou junto
dos Conselhos Regionais de Lisboa ou
do Porto da OSAE (presencialmente ou
mediante contacto telefónico).
Contactos dos Conselhos Regionais de
Lisboa e do Porto da OSAE
Conselho Regional de Lisboa:
Rua Artilharia 1, n.º 63 1250-038
Lisboa | 21 380 00 30
Conselho Regional do Porto: Palácio da
Justiça, 4050 Porto | 22 200 07 20
Todavia, a sua capacidade de entrega não
se ficaria por aqui. Expressar-se-ia de modo
mais claro, quando se colocou o problema
de providenciar a aquisição de um espaço
para instalar a sede da agremiação, situação
que levantava tremendas dores de cabeça
a quem tinha por missão arranjar um
local onde a sociedade pudesse funcionar
condignamente.
“Preocupado com o assunto”, conta Virgínia
da Silva Ferreira, “desde logo tratou de
convencer meu bisavô paterno para que
este doasse a adega que possuía junto à
Igreja, exactamente onde hoje se encontra
a Associação de Reformados, para ali ser
construída a futura sede da sociedade.
Conseguida essa doação, outra dificuldade
se colocava, entretanto, uma vez que não
havia dinheiro para concretizar tão ousado
projecto. Foi, então, que ele tomou a decisão
de hipotecar a sua própria casa, (esta onde eu
vivo) para que, com o dinheiro da hipoteca,
se comprassem os materiais necessários à
respectiva construção, uma vez que a mãode-obra era assegurada gratuitamente pelos
sócios.
Essa decisão,” sublinha Virgínia Ferreira,
“ acarretou-lhe grandes dificuldades, pois
que, para além de ter de proceder, da sua
algibeira, à amortização da hipoteca, tinha
também que pagar, mensalmente, os juros
correspondentes. Valeu-lhe, na altura, a
amizade do um senhor embarcadiço que, ao
tomar conhecimento de que ele se encontrava
em apuros, se aprestou a disponibilizar-lhe o
dinheiro que faltava para liquidar a hipoteca,
ficando aquele como beneficiário da casa,
caso a divida não lhe fosse liquidada. ”
Filho de um dos primeiros filarmónicos da
‘Sociedade da Arrentela’, António da Costa e
Silva, assim como os seus quatro cunhados,
desde muito cedo começou a revelar aptidão
para a música. Esse envolvente ambiente
familiar que caracterizava a denominada
família Crispim, e ao qual não era indiferente
a influência paterna, levá-lo-ia a entregar-se
de corpo e alma à vida da colectividade.
No caso de António Costa e Silva, o seu
desprendimento foi a tal extremo que quase
se viu desapossado da sua própria habitação.
Mas a paixão que este homem evidenciou
para com a sociedade, não se ficou,
todavia, por estas manifestações de
despojamento. Segundo diz a neta, “o seu
amor à colectividade impeliu-o ainda a
desempenhar, por vários anos, diferentes
cargos directivos na agremiação. O mesmo
sucedeu com os cunhados.
Para além disso, mantinha sempre as portas
de sua casa franqueada a todos os mestres
da banda que por aqui passaram, muitos dos
quais vinham aqui jantar nos dias de ensaio.
”Exemplo do patriarca
mobilizava toda a família
Fernando
Fitas
ou pertencessem às tradicionais comissões
de angariação de fundos, criadas para
responder às necessidades financeiras que
volta não volta se colocavam.
“Tantas foram as ralações por que
passámos, que nem imagina!... “Assevera
Virgínia da Silva Ferreira. “Ele eram rifas,
bailes e até algumas touradas realizadas
no Campo Pequeno, sugerida à rapaziada
da terra pelo toureiro Torres Branco, na
altura empresário daquela praça e que por
ser amigo da colectividade, prescindia dos
lucros, de cada uma dessas corridas, em
favor da sociedade.
Tempos difíceis, esses, em que o pessoal
largava do trabalho e vinha para a
obra erguer, à força de pulso, a sede da
colectividade. Poder-se-á dizer, portanto,
que tudo foi feito com sangue suor e
lágrimas.”
A via fluvial era, então, o principal meio de
transporte utilizado para fazer chegar os
materiais, razão pela qual sempre que uma
nova barca aportava ao antigo cais para os
descarregar, o povo de Arrentela ali acorria
de imediato para ajudar.“ Ninguém ficava
em casa.” Refere. “Todos queriam participar
carregando-os cá para cima. Era uma festa!”
*Excertos de “Histórias AssociativasMemórias da Nossa Memória – 1º Volume
As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do Seixal.-2001
realizando uma festa, como, aliás, era
norma, sempre que se conseguia alcançar
algum feito que se afigurava importante
para a terra.
*Excertos de “Histórias Associativas
- Memórias da Nossa Memória
– 1º Volume As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do Seixal-2001
Logicamente, que a sombra desse espírito de
entrega se espalhava aos demais familiares,
mobilizando-os para as tarefas que, a cada
momento, se impunham. Não surpreendia,
por isso que, do mais velho à mais nova
descendente da família, todos andassem
sempre envolvidos na organização de todo o
tipo de festas promovidas pela colectividade,
ROSTOS DO SEIXAL
Escolha os serviços de um profissional,
contacte o Solicitador.
Envie a sua questão para:
duvidas@ruifeio.pt
DR
Publicidade
FERNANDO VIEGAS
PERES DA SILVA
(1918 - 1999)
Empregado de escritório seixalense, foi
músico na banda da Sociedade Filarmónica
União Seixalense "Os Prussianos" entre 1932
e 1945, coletividade que ajudou a erguer
culturalmente, fundando a sua Biblioteca em
1945, com um espólio notável ainda hoje, com
mais de três mil obras de diversos âmbitos,
sendo pioneira, juntamente com as biblbiotecas
de outras filarmónicas do concelho do Seixal.
Ainda na União Seixalense,
fez parte do Grupo Cénico e das Comissões
dos Arraiais para as Festas de São Pedro na
Praça Luís de Camões.
Ocupou diversos cargos nos corpos gerentes
desta associação: Secretário da Direção (1942
e 1947), Diretor de Banda (1943),
Secretário do Conselho Fiscal (1944, 1945
e 1983), Presidente do Conselho Fiscal (1948
e 1985) e Presidente da Direção (1953). Como
reconhecimento pelos seus serviços em prol
da União Seixalense, recebeu o Diploma
de Gratidão Por Bem-Fazer (1982). Pouco
antes do seu falecimento, ausentou-se da
vida associativa onde deixou trabalho feito
na Banda Filarmónica, Biblioteca e Grupo
Cénico da sua coletividade, em prol da cultura
seixalense.
Mário Barradas
