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CSS | 11 de Agosto de 2017

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“se não fosse uma Junta a organizar estas
festas, garantidamente já teríamos aqui uma
televisão”
É evidente que se não fosse uma Junta
a organizar estas festas, garantidamente já
teríamos aqui uma televisão ou várias televisões,
mas o que é certo é que é uma Junta, e uma Junta a
fazer umas festas desta dimensão também causa
alguns transtornos, algumas dores de cabeça e
alguns dissabores, e depois não conseguimos ter
alguns meios de comunicação que podíamos ter
também ao nosso lado. Mas não tenho dúvidas,
e afirmo de uma forma peremptória, se fosse
feito por uma Câmara já tínhamos cobertura
mediática. Mas continuamos a fazer o nosso
trabalho bem feito, com grande qualidade e
acima de tudo, para servir a nossa população
que é isso que nos interessa, foi para isso que nos
elegeram e é isso que tentamos fazer enquanto
cá estivermos.
O movimento associativo existente na vila
de Corroios, não é o mesmo que existe em
outras freguesias, como por exemplo o das
Sociedades Filarmónicas. De qualquer das
formas, como é que o movimento associativo
da vila de Corroios se liga às festas populares?
Liga-se muito bem. Nós não temos
efectivamente, como referiu, a caracterização
musical como outras freguesias o têm, mas
fizemos uma interligação das festas com o
movimento associativo, onde têm espaços
próprios para, de alguma forma, dinamizarem
aquilo que fazem ao longo do ano. Porque
temos de perceber que o movimento associativo
faz um trabalho social de excelência! Porque ao
longo do ano consegue ocupar em actividades
desportivas, os jovens e os menos jovens, ou seja,
está a ocupar o espaço que o Estado devia ter
obrigatoriedade e não o tem. Portanto, o que nós
temos de fazer é, durante as festas de Corroios,
ter espaços para o movimento associativo
em que de alguma forma mostre à população
o trabalho que fazem ao longo do ano. São
espaços temáticos onde têm a sua diversidade e
mostram aquilo que fazem, e ao mesmo tempo
também, arranjamos alguns espaços conforme
as solicitações que nos são feitas, para terem
espaço de venda de bebidas que é uma fonte de
receita.
Os clubes, e também aqui não tendo da
parte do poder central as receitas que deviam ter
para poderem colmatar as suas despesas, diria
até de outra forma, bastava simplesmente que o
IVA não lhes fosse cobrado. E quando falamos
em IVA no movimento associativo, obviamente
que estamos a falar do movimento associativo
popular, não estamos a falar das sociedades
de futebol profissional ou de organizações
profissionais, estamos a falar do movimento
associativo popular. Se não lhes fosse cobrado
IVA, eles tinham uma significativa mais-valia para fazerem mais trabalho; e não
sendo o Estado um Estado que olha para o
movimento associativo popular, nós, dentro
das festas, encontramos soluções em que eles
na venda de bebidas, de comidas, com todas as
obrigatoriedades e exigências que existem em
relação à venda destes produtos, têm espaço para
poderem obter algumas receitas. Não pagam
para lá estar, mas angariam algum dinheiro que
é o que nos importa, porque quanto mais receita
fizerem mais e melhor trabalho desenvolvem e

melhor servem a nossa freguesia e o concelho
do Seixal.
As festas de Corroios deste ano e de anos
anteriores não são as mesmas de há 10 anos.
Houve um passo em frente e passaram a vir
nomes grandes da música nacional. Qual é
o próximo passo, ou como é que as festas
podem melhorar, se é que podem melhorar,
tendo em vista os próximos anos?
Vai ser muito difícil dar um passo maior
do que já demos. É evidente, depois do que
me acabou de dizer, de trazer grandes nomes a
nível nacional, só podíamos partir para cartazes
internacionais. Mas cartazes internacionais,
quando nós temos umas festas, e isto é
importante que se diga, as festas pagam-se a
elas próprias. Portanto, quem lá vai, não paga
nada para ir às festas. Se tomássemos como
um pequeno exemplo aquilo que se faz em
tantas outras festas neste país, onde se paga a
entrada no recinto das festas, outra coisa seria.
Nós temos perto de 500 mil visitantes e se cada
um pagasse um euro, eram 500 mil euros, e
aí sim, podíamos fazer uma aposta maior, os
feirantes pagavam a feira e nós com esta verba
poderíamos fazer melhorias no espaço como
temos feito e também arranjar um cartaz mais
apelativo.
Mas não vale a pena nós irmos por um
caminho que não nos interessa, até porque se
queremos estar num país que seja nosso, cada
vez mais nosso e dignificar a música portuguesa,
penso que temos grandes bandas e que podemos
continuar a dignificar as festas de Corroios sem
precisarmos de dar esse passo.
“queremos que as festas se
paguem a elas próprias”
Obviamente que se tivéssemos condições
financeiras para o fazer, podíamos trazer uma
banda ou outra internacional, para chamar mais
visitantes e dar um outro equilíbrio, digamos
assim. Mas penso que não é necessário, as festas
estão bem conseguidas e eu diria e afirmo:
digam onde é que neste país alguém faz festas
como nós fazemos, com esta dimensão, que
se paguem a elas próprias? Eu gostaria que
me dessem apenas um exemplo! Já para não
falar, como já disse atrás, feito por uma Junta
de Freguesia. Garantidamente que ninguém
o faz! Portanto vamos manter este equilíbrio,
com os pés assentes na terra, e acima de tudo
que elas se paguem a elas próprias, e sempre
com esta caracterização que nós temos de um
cartaz bastante ecléctico, bastante forte, e
acima de tudo com música portuguesa. Dar
oportunidade àquilo que é nosso, à nossa música,
aos nossos músicos, ao nosso Palco Liberdade,
que é aqueles que são da nossa terra, ao Palco
Arraial, para quem gosta dos bailes. Ou seja,
esta diversidade daquilo que é nosso, porque
temos de perceber também que Corroios não
tem raízes próprias, como tem por exemplo uma
Arrentela, como tem o Seixal. Corroios é uma
terra nova, tem 40 anos, e sendo uma terra nova
que cresceu, há que pegar em toda esta mística
e dar-lhe a volta necessária para aqueles jovens
que aqui nasceram e que hoje é a terra deles,
sintam como a terra deles, tenham orgulho em
Corroios e daquilo que nós fazemos, que ao fim
e ao cabo também é para eles.

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