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ENTREVISTA

CSS | 23 de Junho de 2017

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“Acreditem sempre em vocês,
sejam persistentes”
Chama-se Pedro Azevedo, tem 28 anos, é natural da cidade de Amora, toca trompete e actua ou já actuou com vários músicos de relevância a nível
nacional e internacional como David Antunes and The Midnight Band, Marco Paulo, Paulo de Carvalho ou Anselmo Ralph. O músico deu-nos a conhecer
um pouco da sua vida enquanto profissional.
tenho o gosto de estar em tour com
alguns artistas como o caso do David
Antunes and The Midnight Band,
Paulo de Carvalho e Marco Paulo.
Já que falaste em "músico de
estúdio" consegues definir a diferença
entre tocar num estúdio ou um
concerto ao vivo?
São trabalhos bastante diferentes, ao
vivo a adrenalina sobe bastante e sabemos
que nessa altura temos que dar o nosso
melhor e agradar a quem nos está a ouvir.
Como músico de estúdio a pressão é menor,
mas o cansaço por vezes é o nosso maior
inimigo; na produção de CDs em estúdio
o tempo apesar de ser contado, tudo é
mais relaxado, pois temos tempo para
produzir com cabeça, e quando existem
erros podemos voltar atrás, coisa que ao
vivo não acontece.
Já tiveste o prazer de tocar fora de
Portugal?

Como começou o teu interesse pela
Música?
Venho de uma família de músicos,
desde muito novo a música foi uma
questão sempre presente na minha casa.
Comecei a olhar para a música com
outros olhos quando decidi fazer dela a
minha vida e sinto uma enorme paixão
por aquilo que faço. Sinto-me realizado
por ter a oportunidade de fazer o que
gosto.
Onde começaste os teus estudos?
Iniciei os estudos de Trompete
na Sociedade Filarmónica Operária
Amorense, estudei no Conservatório
de Setúbal e na Escola Profissional
Metropolitana de Lisboa.
Com quais artistas já actuaste?
Já fiz parte da banda de vários
artistas. Em 2014 e 2015 fiz parte da
banda do Anselmo Ralph e foi uma
experiência incrível visto ser o artista
que mais espectáculos tinha na altura.
Também já trabalhei em espectáculos
ao vivo com Fernando Tordo, Simone
de Oliveira, Áurea, Mário Laginha,
Anabela, Tony Carreira, entre outros.
A nível internacional trabalhei com
Yuri da Cunha, Christopher Fudurich,
Daniela Mercury, Leo Santana, Anitta,
Naldo Benny, Paulo Flores, entre outros.
Neste ano de 2017, enquanto músico de
estúdio, tive o privilégio de gravar com
a Mallu Magalhães e com o Marcelo
Camelo, no novo CD que será editado
no Brasil. E enquanto “músico ao vivo”,

Sim tenho tido imensa sorte nesse
sentido, conhecer culturas novas e
pessoas de diferentes países. Já toquei no
Canadá, Angola, Bélgica, Moçambique,
França, Suíça, Espanha, Macau, entre
outros… Em 2013 tive o privilégio de
participar numa Tour por África, sendo
das coisas mais fantásticas que me
aconteceram, ao conhecer uma séries
de países maravilhosos e conseguir
conhecer a magia das suas gentes. A
música também tem esta parte incrível
de nos poder levar a sítios onde nunca
imaginei poder vir a estar.
Sabemos que fizeste parte da banda
residente no programa "5 para a meianoite", como foi a experiência?
Foi uma experiência muito boa,
consegui abrir muitas portas na
música também devido ao programa.
Foi aí que comecei a trabalhar com o
David Antunes e com a The Midnight
Band, mais tarde começamos a fazer
o programa "Agora Nós" todas as
Segundas-Feiras. Em 2013 e 2015
também tive o privilégio de fazer parte
da Orquestra dos Globos de Ouro e da
Banda do Programa "Ídolos".
Quais os problemas que os
músicos instrumentistas encontram
actualmente?
Em termos materiais temos a questão
dos instrumentos de gama profissional
não serem propriamente baratos, o que
não nos ajuda no sentido de termos mais
material de qualidade e variado na nossa
posse. No sentido do músico penso que
por vezes é complicado arranjarmos o
melhor sitio para estudar, pois nem
todos gostam de ter vizinhos músicos
(risos).
Achas que falta algo à música
Portuguesa?
A música Portuguesa, na minha
opinião, está de boa saúde. Penso que
se o público acreditar nos artistas, os
mesmos continuarão a dar uma boa
resposta em termos de música com

qualidade. Acho que só falta acreditar
Gostavas de deixar alguma
mais nos verdadeiros artistas, naqueles palavra aos futuros instrumentistas
que lutam diariamente pela cultura portugueses?
e por levar o seu nome cada vez mais
longe.
Acreditem sempre em vocês, sejam
persistentes. Tocar um instrumento
Se pudesses voltar atrás, mudavas musical não é tarefa fácil, exige muitas
alguma coisa que tenha acontecido na horas de estudo, exige muita força de
tua carreira?
vontade e exige o acreditar. Olhem
sempre para os maiores exemplos
Penso que não, já que a nossa vida que temos na música e acreditem que
enquanto músicos é muito cíclica o conseguem lá chegar, batalhem todos
que por vezes nos deixa a pensar no os dias sempre com o pensamento de
que fizemos de errado, quando estamos "quero ser o melhor, vou conseguir".
numa fase com menos volume de Nunca se esqueçam de ser humildes,
trabalho. Mas temos que trabalhar todos profissionais e correctos, são três coisas
os dias para sermos cada vez melhores e essenciais para nos olharem com outros
sempre com foco.
olhos e acreditarem em nós.