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sociedade

CSS | 31 de Maio de 2017

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Poema

O PRIMEIRO
JORNAL PORTUGUÊS

Menino piedoso

O menino caminhava,
o seu mundo não parava,
toda a gente o admirava
p’la amizade que doava…
Unindo os seus amigos
à volta d’ uma fogueira
alegrava os mendigos
p’lo gostar da brincadeira
Na escola satisfeito
um aluno assumido
tinha coração perfeito,
por Deus era conduzido
Com doçura no olhar
do menino piedoso
vendo velhice tombar!
Levantava esse idoso…
Menino chegou a velho
nesta vida retratado
com imagem de espelho
Hoje!? Um pobre coitado!

Pinhal Dias (Lahnip) - PT
In: “Bálsamo de Vida”

Nostalgia

A sensação de tristeza
Os suspiros dados, ao vento
Os olhos, carregados de lágrimas
E as palavras...por dizer.
As mãos, que tremem
As lutas, perdidas por querer
E as mágoas...infligidas
A quem as nunca merecia.
Os dias que vão passando
Os sentimentos que duram
E fazem-nos ter e pensar
Que nada é nem foi ao acaso!
E os sentimentos são pedras
Que não se quebrarão jamais
Mas serão, para sempre, um rochedo
Onde a Nostalgia, prevalecerá!
José Henriques

A “Gazeta da Restauração”, publicada
entre 1641 e 1647, foi o primeiro jornal
português, que serviu de arma de
propaganda pela Dinastia de Bragança,
imediatamente após a restauração da
independência do nosso pais. Titulada
“Gazeta, em que se relatam as novas
todas, que houve nesta corte, e que vieram

de várias partes...”, ao cujo
titulo se adicionava o mês
e o ano a que correspondia
cada número, este periódico
nomeadamente
relatava
noticias
relacionadas
com conflitos militares,
política interna e assuntos
internacionais. Segue-se a
descrição da primeira página
do primeiro número da
“Gazeta” com as primeiras
notícias impressas da nossa
história:
“Pelejou a armada
da Holanda com uma
esquadra
de
Castela,
em que vinham muitas
fragatas de Dunquerque:
durou a pendência mais de
vinte e quatro horas; foise a pique um galeão dos
Castelhanos, e ficaram
alguns destroçados, e todos
com muita gente morta. O
Holandês com algum dano
se retirou a este porto, donde
está aguardando a que el
Rei nosso Senhor lhe dê socorro para
sair outra vez a atemorizar os portos de
Andaluzia. O Conde de Castanheira, que
estava preso numa torre de Setúbal pediu
a el Rei nosso Senhor que lhe mudasse a
prisão por quanto estava indisposto; e el
Rei nosso Senhor usando de sua natural
benignidade o mandou trazer para o

Castelo de Lisboa. Num lugar da Beira se
afirma que houve um homem, que ouvindo
dizer numa conversação de amigos que
na feliz aclamação del Rei nosso Senhor
fizera o crucifixo da Sé o milagre, que a
todos é notório, disse que podia a caso a
imagem do Senhor despregar o braço; e
assim como acabou de dizer estas palavras
caiu uma parede junto da qual estavam
todos os da conversação, e só a ele matou.
Estando o galeão de Santa Margarida
para dar a vela disse o Piloto que não se
atrevia a sair sem lhe darem mais gente
do mar; inquietaram-se os soldados, e
foi necessário acudir o General António
Teles de Menezes, e alguns Senhores que
o acompanharam na jornada de Cádis:
e depois de tudo quieto prenderam três
soldados, que foram os cabeças, e a todos
três os enforcaram.”

NR - Na edição anterior saiu um texto já
publicado e não este a que corresponde o título
Pelo lapso pedimos desculpa aos nossos
leitores e em especial ao autor.

Rúben Lopes

Abandono de Crianças
Abandonar uma criança é um tipo de
1. Recorrem á idealização dos
maltrato invisível mas bastante doloroso. pais: as crianças usam a negação (evitam
qualquer argumento, como forma de
Já imaginou estar uma semana, um rejeitar a realidade, recusando mesmo
mês ou um ano sem falar com o seu filho as emoções negativas associadas) e a
por sua opção (ou porque se encontra ambivalência (tanto amar como odiar os
numa instituição, ou entregue), vivendo, pais).
por vezes, na mesma cidade ou vila?
2. Desejo de regressar aos pais:
Segundo a Comissão Nacional de parece estranho pensar como é que
Protecção de Crianças e Jovens afirma querem voltar para quem não as quer, seja
que uma criança abandonada ou entregue ele bom ou mau é o dela.
a si própria, não tendo quem lhe assegure
a satisfação das suas necessidades físicas,
3. Relações superficiais com outras
básicas e de segurança.
pessoas: as crianças posteriormente
têm dificuldade em confiar em alguém,
Alguns sinais de alerta ou indicadores: por uma razão os relacionamentos são
fome habitual, falta de protecção do frio, pautados pela resistência e dificuldade.
necessidade de cuidados de higiene e de
saúde, feridas, doenças.
4. Culpa pelo abandono: como uma
qualquer situação difícil que surja com os
Pois é, é mesmo imaginável e acarreta adultos no contexto familiar, a criança
muito sofrimento para as crianças. Os culpabiliza-se pela mesma.
pais não conseguem compreender a
situação de abandono, não a considerando
5. “Sedução“ como forma de agrado
como tal. E as crianças como gerem este dos pais, na esperança que a situação de
sentimento?!
abandono desapareça.
As crianças e jovens usam estratégias,
Qualquer adulto poderá fazer a
ás quais chamamos mecanismos de defesa diferença, seja ou não pai, mas todos
para evitar confrontar-se com a realidade temos familiares crianças/jovens cuja

satisfação de necessidades e demonstração
de afecto e atenção está ao nosso dispor.
Por último, claro que o trabalho do
psicólogo nesta área remete-se para as
mesmas técnicas de intervenção para
outro tipo de maus tratos, sendo essencial
capacitar esta criança ao nível dos recursos
emocionais, gestão destes sentimentos
negativos (de abandono, perda, culpa,
etc.) e competências relacionais.

José Mantas