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ENTREVISTA

CSS | 31 de Maio de 2017

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CORROIOS COMEMORA O 24º ANIVERSÁRIO DA
ELEVAÇÃO A VILA
No dia 20 de Maio, Corroios assinalou o seu 24º Aniversário de elevação a Vila, com uma festa realizada no Pavilhão Multiusos da Quinta da Marialva,
organizada conjuntamente pela Junta de Freguesia e pelo Movimento Associativo Popular (MAP). Num colorido e animado desfile, que durou cerca de 3
horas, o MAP de Corroios apresentou o resultado do que mais relevante oferece à população da freguesia na vertente desportiva e cultural.
O Comércio do Seixal e Sesimbra, esteve à fala com Eduardo Rosa, Presidente da Junta de Freguesia de Corroios.

Há 24 anos a localidade de Corroios
era elevada a Vila no dia 20 de Maio
de 1993. Para além do prestígio a
que essa classificação corresponde,
que outros benefícios trouxe para a
população?
Em primeiro lugar, Identidade.
Não nos podemos esquecer que, como
freguesia, Corroios tem uma existência
de 508 anos, mas 648 anos ricos de
História, que marcam profundamente
a identidade de um local e do seu
povo. Depois de 140 anos, anexada
à vizinha Amora, a freguesia foi de
novo restaurada em 1976, fruto da
recomposição administrativa que adveio
do 25 de Abril e da instituição do Poder
Local Democrático. A partir daí ouve
um enorme crescimento populacional e
urbanístico. Em 1981 já tínhamos cerca
de 26 mil habitantes. Até 2017 esse
número praticamente duplicou. Em 20
de Maio de 1993, Corroios é elevada à
categoria de Vila. Hoje, é a segunda Vila
mais populacional de Portugal, com
cerca de 50 mil habitantes.
O nosso sonho hoje, e pelo qual
iremos lutar, é a elevação a cidade.
Finalmente estará para breve o
início da construção do novo Centro
de Saúde há tantos anos reivindicado

pelos utentes e pela autarquia. Existe
algum prazo estipulado para a sua
conclusão?
De acordo com as palavras proferidas
pelo Secretário de Estado da Saúde,
na cerimónia pública de assinatura
do Acordo de Colaboração entre a
Administração Regional de Lisboa e
Vale do Tejo e a Câmara Municipal do
Seixal, para a construção do novo Centro
de Saúde de Corroios, realizada no
passado dia 9 de Maio, o equipamento
deverá estar a funcionar em finais de
2018. Esperamos que se cumpra, o que
determinará que Corroios deixará de
ter utentes sem médico de família. É
uma luta que se arrasta há 20 anos, em
que foram feitas diversas promessas
pelos sucessivos governos, que nunca
foram cumpridas. Felizmente que
temos contado com a combatividade da
Comissão de Utentes que, contra todas
as resistências políticas e partidárias,
sempre mantiveram a determinação e
nunca desistiram. A assinatura deste
acordo é uma vitória da população, dessa
determinação da Comissão de Utentes e
do Poder Local Democrático, que sempre
prestou o seu apoio, lutando ao seu lado.
Aliás, é uma tradição de luta, que está
no ADN da população da Margem
Sul, desde o tempo da ditadura. Todos
os equipamentos e infraestruturas, da
responsabilidade do Poder Central,
que suportam o crescimento das nossas
freguesias, têm sido sempre conseguidos
com muito esforço e luta das populações.
Talvez o facto de a população votar,
para as autarquias, maioritariamente
na CDU desde o 25 de Abril de 1974,
explique este estigma, tendo em conta
que os sucessivos governos têm alternado
entre o PS e o PSD. As nossas autarquias
trabalham para o bem-estar das
populações e, por isso, temos um sentido
de unidade e proximidade que não se vê
em mais nenhuma força política local. A
luta pela construção do novo Centro de
Saúde de Corroios, sempre foi partilhada
pelos restantes executivos locais do nosso
concelho (Juntas e Câmara Municipal).
É nessa perspetiva continuarmos juntos
a lutar pelo Hospital do Seixal, que o
Secretário de Estado da Saúde declarou
estar pronto a funcionar até final de

2019, e pela construção das extensões
de saúde de Foros de Amora e Aldeia
de Paio Pires, bem como pela reposição
das 6 freguesias no concelho do Seixal.
A Democracia exerce-se na proximidade.
Diminuindo-se o número de freguesias,
distancia-se o poder local das populações
e dos seus problemas e necessidades.
O que, alegadamente, traria ganhos
financeiros e económicos para o poder
central, perde-se em eficácia e eficiência
na intervenção do poder local.
As Festas de Corroios extravasam há
muito os limites da Freguesia, sendo
das mais participadas e de maior
prestígio da Zona Metropolitana de
Lisboa. Já nos pode adiantar alguma
coisa sobre a programação para este
ano?
Efetivamente as Festas de Corroios
são uma mais-valia, não só para a
freguesia, mas também para o concelho
do Seixal. Mas antes de falar das
Festas, propriamente ditas, e da sua
programação, gostaria de tecer algumas
considerações mais abrangentes, para
compreensão geral. Esse ganho de
prestígio e notoriedade só é possível
devido ao investimento que tem sido
progressivamente feito na Quinta da
Marialva. Têm sido aí realizados grande
parte dos eventos de Corroios como
sejam, a Feira Medieval, a Feira de
Projetos Educativos, o Festival VOA,
o Encontro Internacional Vintage
Vans, as Marchas Populares, o Desfile
de Carnaval, o Aniversário da Vila, o
Concerto de Ano Novo, e muitas outras
iniciativas organizadas pelo Movimento
Associativo Popular, como as Manhãs
Desportivas. As Festas pagam-se a si
próprias e trazem cerca de 600 mil
pessoas à freguesia, durante os 10 dias da
sua realização. Também os comerciantes
que ali oferecem os seus produtos e
divertimentos, ficam cá durante cerca
de 15 dias, consumindo e animando o
comércio local. A Mostra Mensal das
Atividades Económicas, que se realiza
todos os últimos domingos de cada mês,
é já uma referência no nosso distrito
e mesmo na Área Metropolitana de
Lisboa. A Quinta da Marialva dispõe de
um anfiteatro para concertos de grande
envergadura, que já é um elemento de
prestígio para os artistas e grupos que
ali atuam ao longo do ano. A construção

do Pavilhão Multiusos veio retirar a
sazonalidade à utilização da Quinta,
podendo ali realizar eventos todo o ano,
sem o constrangimento das condições
meteorológicas. E, acima de tudo, é
um equipamento extraordinariamente
importante para o nosso riquíssimo
Movimento Associativo Popular, para
a comunidade escolar e para o tecido
empresarial. O parque para caravanas
já está no roteiro da respetiva Federação
Nacional e está a ter uma utilização mais
constante. O que gostaríamos que as
pessoas soubessem é que os investimentos
feitos na Marialva são para usufruto da
população e realizados com o dinheiro
das Festas e da Mostra Mensal. Parte das
receitas obtidas com estes eventos, têm
também servido para intervenções na
freguesia que, de outro modo não seriam
possíveis. Apesar de aprovada, publicada
e regulada, a aplicação da Lei das
Finanças Locais tem sido sucessivamente
adiada pelos diferentes governos,
estrangulando
financeiramente
as
autarquias e impedido que sejam
realizados investimentos estruturantes
para a melhoria da qualidade de vida das
nossas populações.
Voltando às Festas de Corroios 2017,
temos um cartaz recheado de grandes
concertos e espetáculos, distribuídos
pelos três palcos do recinto. Pelo Palco
Carlos Paredes, o maior, irão passar
os Capitão Fausto e os Rua Direita, o
XXXIII Festival de Folclore de Corroios,
uma noite dedicada ao fado com Carlos
Leitão, os Remember Revival Band, Quim
Barreiros, Moonspell, Diogo Piçarra,
The Gift, Nelson Freitas e GNR. Todos
os anos há um concerto, e apenas um,
em que se cobra uma entrada simbólica,
que reverte para melhoramentos nas
condições do recinto. Todos os outros
são gratuitos. Não sei se haverá no país
uma oferta gratuita de qualidade tão
vasta no plano musical. No Palco Arraial
atuarão diversos conjuntos musicais, que
animarão os sempre tradicionais bailes.
No Palco Liberdade estará diariamente
representado o que de melhor se faz no
Movimento Associativo Popular, não
só da nossa freguesia, mas também de
outras localidades por nós convidadas.