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Dia da Mãe
Com toda a franqueza não sou muito simpatizante do Dia do ou da “qualquer coisa”. Hoje em dia há dias para tudo
e mais um par de botas. Não obstante, o Dia da Mãe ou do Pai tem a vantagem de, pelo menos nesse dia, se falar
no seu papel enquanto pais e educadores. Pelo menos nesse dia, em muitos lares, lá vem a florita ou a palavra amiga.
Haja um dia no ano! Essa vantagem ninguém lhe tira.
A minha mãe não é perfeita, ninguém o é. Nasceu em 1930 com um nome divino, Maria Divina e ainda por
cima, dos Santos. E era para ser Maria Divina da Providência, mais o resto. Imperou o bom senso e a misericórdia
simplificou para Maria Divina. Mas tem, de facto, algo de sobrenatural.
Lembro-me de, em garoto, ter medo de me perder. De ter medo do escuro. De ficar só. Onde o medo
desaparecia era no abraço da minha mãe. Na sua palavra sempre amiga, sempre reconfortante. No seu olhar gentil
e terno, divino. Se calhar deveria ter levado alguns tabefes numa ou noutra ocasião. Se calhar nem me teriam feito grande mossa. Mas nunca para além da
reprimenda verbal tive qualquer palmada ou abanão por parte da minha mãe (justiça seja feita e para que não pensem que poderia ter sido “compensado”
do outro lado o meu pai também não era de bater, mas dele, que apesar de não ter Divino no nome era a melhor pessoa que alguma vez conheci, para
além da minha mãe, falarei mais tarde).
Nunca ouvi uma discussão em casa. E não era porque as pessoas não falavam. Era porque se respeitavam. A minha mãe nasceu no ano em que morreu
a última escrava portuguesa. E tomou em si a tarefa de carregar o papel um pouco “escravo” de fazer tudo em casa. No tempo em que os homens nada
faziam em casa e em que os filhos que eram homens não tinham incumbências domésticas ela para além do trabalho vinha a casa numa correria servir
a comida que estava preparada de manhã cedo ou de véspera. E à noite o mesmo disco. Tentei lutar contra isto mas ela própria achava que assim é que
deveria ser e fazia-o por gosto e com gosto. Curioso que passados tantos anos ainda continuo a lutar para que ela não esteja sempre a “fazer”. Luta
inglória! E que assim continue por muitos anos.
Pena é que de tanto carregar nos braços. De tantas vezes nos retirar pesos das mãos. Eu já um homem feito e ela a tirar-me das mãos o saco das batatas
ou da fruta. “Deixa lá filho que a mãe carrega!”. A mãe sempre nos carregou e hoje com um ombro já operado e com o outro cheio de dores fazia tudo
de novo. E tinha as mesmas dores! E não se arrepende!Com todos os defeitos, ser mãe é carregar o peso dos filhos. Os seus problemas. As suas dores. A
minha mãe Divina fez isso e nunca saberei agradecer devidamente tudo o que fez por mim. O meu único agradecimento será um dia ouvir dos meus filhos
que herdei um pouco desta capacidade que está longe da perfeição mas que é o mais próximo do amor que um ser pode ter pelo outro. O amor de mãe!
Obrigado por tudo, mãe!
José Fernando Rodrigues dos Santos
Sou menino da mamã
A MÃE não se escolhe, ainda bem...
não teria feito melhor escolha.
Cresci sem nunca a perder de vista e
na vontade de não a desapontar.
Valorizo cada sorriso seu, embebido
nesse sentimento levei-a a concretizar
um sonho, fomos ao Estádio da Luz ver
um jogo do Benfica.
Ao sentar-se na bancada, foi gratificante ver o seu olhar de criança e o gesto
facial de felicidade, foi marcante no momento em que equipa encarnada entra
em campo ao som do hino benfiquista e olho para a minha super-mulher e vejo-a
chorar como um bebé, meu coração não cabia no peito.
Sou um privilegiado, tenho a melhor MÃE do mundo, e quando me toca à
campainha com uma travessa de arroz doce... é a melhor MÃE do universo.
Hugo Rodrigues

Quando somos pequenos achamos que as mães são seres
enviados do inferno para nos fazerem a vida negra. Durante um
longo período da nossa vida (achamos que) vivemos essa realidade:
“Levanta-te! Vai-te despachar!; Não te torno a avisar mais vez
nenhuma; O jantar já está na mesa”. Bem, na realidade e com
o passar dos tempos descobrimos que aquilo a que chamamos
pesadelo é apenas o modo que ela tem para mostrar que se
preocupa connosco, para mostrar que quer sempre o melhor para
nós e que apesar do pesadelo em que possamos (pensar) viver ela
vive um bem maior do que nós. É o trabalho, a casa, os filhos, as
responsabilidades e nós queixamo-nos porque temos de ir tomar banho quando está a dar um
filme espetacular na televisão. Obviamente que o modo como vimos a nossa mãe se altera com
os anos e hoje, com os meus 25 anos, percebo que não vivi pesadelo nenhum. Vivi e vivo uma
vida em que tenho a sorte de ter a mulher mais guerreira do mundo como minha mãe, como um
exemplo a seguir. Neste dia quero apenas dizer que te amo e que aconteça o que acontecer vou
estar sempre ao teu lado.
Joana Rosa

Estou neste momento a vive e trabalhar
no México, portanto as minhas vindas
a Portugal não são tantas nem tão
frequentes quanto queria. Em Dezembro
último vim a Portugal passar o Natal mas
resolvi dizer aos meus pais que não vinha.
Com a ajuda dos meus avós e de um amigo
meu, consegui esconder isto tão bem, que
quando cheguei à porta de casa, a minha
mãe ficou em choque e só gritava “meu
querido filho, meu querido filho”. São
reacções que não têm preço. Feliz dia da
Mãe, mãe!

André Coelho

Comemora-se
no próximo dia
7 mais um Dia
da Mãe. Pedemme por isso que
descreva um
momento que
tenha marcado a
minha relação com
a minha mãe.
Depois de
matutar um pouco
e relembrar alguns dos momentos mais importantes da minha
vida, vejo que ela lá estava, presente em todos eles.
Mais do que relatar algum episódio especial, permitam-me
enaltecer o papel da minha mãe, e de todas as outras, estando
presentes e dando o seu apoio em todos os momentos.
Primeiro na nossa educação, depois encaminhando-nos e
apoiando as nossas escolhas, e depois também no papel de avó,
dando-nos uma valiosa ajuda com os nossos pequenos.
Por tudo isto e muito mais, quero dizer: Obrigado Mãe!

Nelson Belchior