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sociedade

CSS | 5 de Maio de 2017

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universo paralelo

Dário S. Cardina Codinha

A moda Anti-Vax
Nos últimos anos algumas doenças
foram erradicadas. Como (perguntam
vocês)? Pelas terapias naturais? Não.
Pela negação da medicação pois são
lobbies farmacêuticos? Não. Foi pela
ciência e pela medicação? Sim! E como
reapareceram essas doenças? Foram
os bandidos das farmacêuticas? Não.
Foram os ignorantes? Sim! Este ano,
em Portugal, temos grupos de pessoas
que pensam estar mais protegidos por
não estarem vacinados. E não é que eles
estão certos? Mas só estão certos porque
os outros se vacinam e conferem a esses
incultos a imunidade de grupo, uma
espécie de barreira ou blindagem que
não permite o vírus chegar a eles pois
encontra a maior parte das pessoas, em
volta deles, protegidas.
A ideia anti-vacinas tomou força
com um artigo na revista Lancet, a 28
de Fevereiro de 1998, onde o cirurgião
Andrew Wakefield sugeria uma ligação
entre a vacina tríplice (sarampo,
rubéola e papeira) e o autismo. A base
do estudo era bastante pequena, de 12
crianças. Wakefield defendia que os
comportamentos autistas revelaram-se
após a vacinação. O artigo não tinha
grupo de controlo e a verificação por pares
não mostrou que estas alegações tivessem
consistência. Sabe, qual a razão do estudo?
Wakefield recebeu cerca de meio milhão
de libras para construir um caso contra
algumas farmacêuticas. Foi uma das
maiores fraudes ciências de sempre.
Vou-vos mostrar a vitória das vacinas
nos últimos anos: 1- Em Zurique, em
1882 não foi registado qualquer caso de
varíola devido à vacinação obrigatória.
Em 1883 revogou-se esta lei e a
consequência foi o aumento do número
de mortes por varíola nos anos seguintes.
2- Entre 1988 e 2010 o número de casos
de poliomielite baixou 99% devido a uma
campanha de vacinação. 3- Em 2003, um
grupo de imãs nigerianos afirmou que a
vacina contra a poliomielite servia para
os EUA espalharem a SIDA pelos países
islâmicos. O resultado da proibição da
vacinação chegou sob a forma de um
grande surto da doença.
Uma das alegações é que a vacina
contém timerosal, um composto que
contém mercúrio, e que este terá ligação
ao autismo. Se fosse verdade, os casos
de autismo estariam a reduzir já que o
timerosal está a ser substituído e não é
isso que se verifica. Por outro lado, uma
sardinha tem muito mais mercúrio do
que dezenas de vacinas.
As ideias de alterne funcionam e,
infelizmente a favor deles e contra o resto
da população. Pessoas vacinadas podem
contrair a doença pois a vacina não é
100% eficaz. E assim se espalha a doença,
através destes seres que, com tablets,
relógios, máquinas de café, telemóveis,
óculos, carros, tvs, etc, odeiam a ciência
e preferem viver na Idade Média. Mas
só se tiverem a tecnologia, para todos
verem que eles estão na moda destas
ideias. Para terminar, a desinformação
contra tratamentos é um crime de saúde
pública.

Ex-trabalhadores da Siderurgia
Nacional em situação
de grave carência económica
e em risco de exclusão social
Num processo que se arrasta pelos Tribunais há mais de 15 anos, actualmente ainda existem cerca de 60
ex-trabalhadores que reivindicam justiça para aquilo que consideram ter sido uma fraude por parte da
Administração da Empresa, que com falsas promessas os levaram a assinar rescisões com mútuo acordo.
desemprego cessou ao fim
de 3 anos e muitos deles
recebem
actualmente
apenas o Rendimento
Social de Inserção no
valor de 183,84 euros,
dependendo de familiares
e amigos para poderem
sobreviver, registando-se
já alguns casos de suicídio
pelo desespero a que
chegaram.

No âmbito da reestruturação da
Siderurgia Nacional e segundo o acordo
entre o Estado Português e a União
Europeia, tendo como primeiro-ministro
António Guterres e ministro da Segurança
Social e do Trabalho Ferro Rodrigues,
teriam de ser dispensados cerca de 800
funcionários. Após longo período de
negociações em que a SN era presidida
por Carlos Alberto Veiga Anjos e depois
substituído por Francisco Antunes da
Silva, 600 trabalhadores aceitaram a

reforma antecipada, restando 200 que
pela idade e pelo Plano Social que lhes
foi apresentado, foram para a situação de
desemprego com a perspectiva de serem
chamados no espaço de 6 meses a 1 ano
para frequentarem os cursos de formação
e serem reintegração nas novas Empresas
que viriam a ser criadas.
Sem que o tal Plano Social até hoje
tenha sido minimamente cumprido,
o tempo foi passando, o subsídio de

Segundo nos revelaram
os
representantes
do
grupo,
Nuno
Silva,
Manuel Augusto Martins
e José Carlos Marques,
com quem falámos, nem
Sindicatos nem Comissão
de
Trabalhadores
os
defenderam na altura,
ficando completamente desamparados e
sem qualquer apoio destas estruturas.
Se no plano legal o processo não está
concluído, até porque existe um recurso
para o Supremo Tribunal de Justiça que
ainda está pendente, o que importa é
o aspecto moral e o abandono dos 60
ex-trabalhadores da extinta Siderurgia
Nacional por parte das entidades oficiais
(Estado) com responsabilidades na
situação em que se encontram.

GUINÉ - “Parte minha”…
Os nossos estimados leitores ao verem
o titulo deste artigo, dirão para os seus
"botões": o que irá sair daqui!? Tenham
paciência e leiam com atenção que vão
saber a resposta à medida que vão lendo.
Há cerca de sete anos, mais
precisamente desde Maio de 2010 que
escrevo na imprensa regional artigos
variados. De entre essa variedade escrevi
alguns relacionados com a Guiné por ter
ali algo que me prende àquele território,
como vão compreender à medida que vou
escrevendo.
Em Novembro de 2010 eu escrevia o
seguinte: passo a citar… "Em 16 de Março
de 1970 "acendeu-se" em minha casa uma
luz com o nascimento da minha filha
Manuela, luz que se tinha apagado nos
anos de 1965 a 1968, na Guiné, quando
a minha mulher teve um aborto (não
espontâneo), e dois partos prematuros
com oito meses de gestação, que nasceram
vivos mas que não sobreviveram devido
às péssimas condições de assistência que
havia na altura, no hospital de Bissau, para
crianças que nascessem com dificuldades
respiratórias, ou outras, como foi o caso
dos meus filhos (um menino e uma
menina)". Fim de citação…
Em Março de 2011, com o titulo
Comissão de Serviço na Guiné, voltava a

escrever: "Em Agosto de 1964 parti para a
Guiné a fim de cumprir uma comissão de
serviço com a duração prevista de quatro
anos. Parti com o coração destroçado,
pois deixava cá os meus familiares, a
namorada (hoje minha esposa), os amigos
e tudo mais, que me causava um estado
de espirito por vezes mal-humorado e
aborrecido."
No mesmo artigo, a certa altura
escrevia o seguinte: "Além do que tenho
estado a mencionar, houve três momentos
que foram os mais difíceis de ultrapassar
e de suportar, a parte da maternidade
da minha mulher que correu muito
malenquanto lá estivemos e que nos
causou traumas que tivemos dificuldade
em ultrapassar, se é que os conseguimos
ultrapassar totalmente!" Fim da citação.
Os outros dois não tiveram a ver com
problemas familiares…
Em Fevereiro de 2017, com o titulo
COINCIDÊNCIAS!..., voltei a escrever
sobre o mesmo assunto, dizendo o
seguinte: "Em 2-02-17 ao assistir ao
telejornal das 20,00 hora, na RTP 1,
despertou-me a curiosidade quando
aquele canal transmitiu uma pequena
reportagem do funeral dum cidadão (que
neste momento não me lembro do nome),
natural da Guiné- Bissau, no cemitério de

Bissau.
A minha curiosidade avivou-se mais
quando a filmagem mostrou o portão do
cemitério que eu tão bem conheço. Fezme recuar no tempo até à década de 60,
quando por ali passei entre 1964 e 1968.
Foi com alguma nostalgia que recordei
esse período, porque não foi fácil, no
aspeto familiar, o que eu e a minha esposa
passamos durante esses anos…" Fim de
citação.
Senhores
leitores,
certamente
depois de acabarem de ler este texto já
compreenderam por qual foi o motivo
que eu dei este titulo a este artigo.
As pequenininhas cinzas dos meus
filhos juntaram-se às terras escaldantes
daquele cemitério e por arrastamento às
terras da Guiné-Bissau.
Eu, como pai, considero que "tenho
direito" a uma pequenina porção daquela
terra…
"Parte minha"…
José Mantas