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SOCIEDADE

CSS | 5 de Maio de 2017

4

Histórias Associativas*(12)

o vozeiro

Rui Hélder Feio

Pergunta: Bateram no meu carro e
fugiram. Disseram-me que posso recorrer a um fundo das seguradoras para estes casos, com proceder?

Sociedade Filarmónica
União Seixalense Histórias
de um reduto Prussiano

Resposta: Existe efetivamente um
fundo público, gerido pela Autoridade
de Supervisão de Seguros e Fundos de
Pensões que indemniza as vítimas pelos
danos resultantes de acidentes de viação
sempre que o responsável é desconhecido ou não tem seguro válido.
No caso de danos materiais, o fundo
indemniza quando se conhece o responsável pelo acidente, mas não tem seguro
válido ou se desconhece o responsável ou
o veículo causador do acidente não tem
seguro válido, foi abandonado no local
do acidente e a polícia elaborou o auto e
confirmou o abandono.
Deverá participar o acidente nos serviços da Av. da República, Nº 59, em
Lisboa ou descarregar os formulários no
site www.asf.com.pt e enviá-los por correio ou para fga@asf.com.pt.
Além dos dados do acidente, do lesado e do veículo responsável, inclua uma
descrição e um esboço do acidente, identifique as testemunhas e mencione os danos materiais.
O fundo marca a peritagem até dois
dias úteis após a participação, tendo um
prazo de 8 a 12 dias para a concluir. O
relatório é emitido até quatro dias depois.
O fundo tem 32 dias úteis, após a
participação, para informar o lesado e o
responsável (quando conhecido) se paga
o arranjo do veículo.
Em caso positivo, o responsável pelo
sinistro tem cinco úteis para contestar e
apresentar eventuais provas. Por sua vez,
o fundo tem dois dias úteis para tomar
uma decisão final.
Se o fundo assumir a responsabilidade, deve pagar a reparação no prazo de
oito dias úteis. Posteriormente, pode
exigir o reembolso do montante, acrescido de juros de mora, ao proprietário
ou condutor do veículo causador do acidente.
Havendo danos corporais, o fundo
tem 60 dias após a participação para
pedir exames. A avaliação dos danos
corporais é feita por um perito médico.
Quantificados os danos, tem um prazo
de 45 dias para comunicar se assume a
responsabilidade e apresentar uma proposta de indemnização.
Escolha os serviços de um profissional, contacte o Solicitador.

A Sociedade Filarmónica União Seixalense,
vulgarmente designada por Sociedade Nova,
foi fundada em 1871, por um numeroso grupo
de seixalenses que, discordando da postura
assumida pelos dirigentes da Timbre no decurso
da guerra franco-prussiana e da orientação
vertida numa proposta de alteração aos estatutos
apresentada numa conturbada assembleia
geral promovida para o efeito, resolveram
protagonizar uma das mais profundas cisões
ocorridas na história do movimento associativo
do concelho.
As influências do aludido conflito bélico
estender-se-iam a diversos países da Europa,
que acabaram por se ver a braços com inúmeras
convulsões políticas provocadas pelo facto de
uma parte dos seus habitantes assumir a defesa
de uns, enquanto a outra tomava o partido do
oponente.
Essa clivagem da opinião pública internacional,
reflectir-se-ia, aliás, aos diferentes níveis do
quotidiano das populações, que expressavam
das mais diversas formas a sua simpatia por cada
um dos contendores.
Entre nós, o Concelho do Seixal não foi
excepção, adquirindo esse antagonismo aspectos
de uma rotura tão forte que se perpetuaria
por quase um século. De um lado estavam os
simpatizantes da causa francesa, do outro os
progressistas, que não esquecendo os actos de
barbárie cometidos pelos gauleses durante as
invasões napoleónicas, se rebelaram contra a
propaganda das ideias francesas veiculadas pela
maioria dos corpos gerentes da colectividade.
Ante o acalorado quadro que se vivia e as

frequentes altercações que se registavam entre
consócios, fruto da manifesta impossibilidade
de convivência entre as partes, decidiram, então,
os segundos, optar por abandonar a agremiação,
iniciando assim o processo de criação de uma
colectividade que representasse os valores pelos
quais pugnavam.
Tão profunda divergência, acentuada ainda
pelo facto de a Timbre se haver colocado ao lado
do Partido Regenerador na defesa da extinção
do concelho e a União se encontrar entre os
adeptos do Partido Progressista que pugnava
pela sua refundação, propiciava uma rivalidade
de tal modo exacerbada que chegava ao ponto
do confronto físico.

Adelino Cunha:
“Desde criança que a União
é a minha segunda casa”
Testemunha privilegiada dessa rivalidade e
do fervor que caracterizava a vida da União
Seixalense, é Adelino Cunha, 67 anos, neto de
um dos fundadores do Seixal Futebol Clube e
filho de um antigo jogador do clube, os quais
exerceram ainda diversos cargos directivos na

Fernando
Fitas

aludida sociedade filarmónica.
“Só o meu avô,” diz, “foi sete vezes presidente da
direcção, além de ser também filarmónico. Mas,
em dada altura, por força de uma divergência
decorrente da sua discordância relativamente
à decisão tomada pela direcção de recusar o
convite da paróquia para que, à semelhança
dos anos anteriores, a banda participasse na
procissão de S. Pedro, resolveu abandonar a
actividade associativa. Isso ocorreu no período
da implantação da República e a sua tomada
de posição forçou-o a andar a monte, durante
alguns dias, conjuntamente com o padre
Augusto, de Arrentela. O mesmo sucedeu com
os que, tal como ele, defenderam a integração
da banda no cortejo litúrgico ”
Segundo Adelino Cunha, “a posição de meu avô,
radicava unicamente no facto de ser um homem
que professava a religião católica, mas porque
nesse época a religiosidade era considerada
sinónimo de reaccionarismo, motivou a ira
dos restantes consócios simpatizantes do
republicanismo.
Não obstante, a banda ter regressado no ano
seguinte participado ao cortejo, tal bastou
para que ele não voltasse a por os pés na
colectividade. Situação algo parecida voltaria,
aliás, a passar-se comigo em 1977, embora eu
não me haja demitido de sócio, nem tenha
deixado de lá entrar, por entender que grande
parte da minha vida havia sido gasta dentro
daquela casa, deixei, contudo, de dar os meus
préstimos à colectividade.
Nesse sentido, e, porque ao tempo,
desempenhava também as funções de primeiro
secretário da Mesa da Assembleia Geral da
Federação Portuguesa das Colectividades de
Cultura e Recreio, em representação da União,
aprestei-me a apresentar a minha demissão do
cargo.”
Ainda assim, sempre que, por uma ou outra
razão, algum elemento dos corpos gerentes da
agremiação o interpelava sobre determinado
acontecimento ocorrido na União ou lhe
solicitava os seus conhecimentos acerca da
melhor forma de levar a cabo qualquer iniciativa,
não deixava de dar a sua opinião. “O apelo das
raízes falava mais alto,” confessa.
Fotos: Artur Marques (Atchixa)

*Excertos de “Histórias Associativas- Memórias da Nossa
Memória – 1º Volume AsFilarmónicas”. Edição Câmara
Municipal do Seixal.-2001.

ROSTOS DO SEIXAL
MARIA JOSÉ BARRADAS
MAURÍCIO (1950)
DR

Envie a sua questão para:
duvidas@ruifeio.pt
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Licenciada em Filosofia pela Faculdade de
Letras da Universidade de Lisboa e Mestre em
Estudos sobre Mulheres pela Universidade
Aberta de Lisboa, desempenhou funções de
direção e de formação na área de recursos
humanos em diversas entidades oficiais,
particulares e sindicais, nomeadamente, no
desenvolvimento e execução de projetos no

âmbito europeu. Foi professora do ensino
particular e cooperativo e atualmente é
formadora/consultora na área Educação para
a Cidadania, Relações Humanas e Igualdade
de Género. Tem diversos trabalhos e artigos
publicados sobre Igualdade entre Mulheres
e Homens, em revistas como: Seara Nova,
Vértice e outras. É co-autora do livro Pensar o
Feminino, organização de Maria Luísa Ribeiro
Ferreira, Centro de Filosofia da Universidade
de Lisboa, publicado pelas Edições Colibri em
2001 e autora do livro Mulheres e Cidadania:
Alguns Perfis e Acção Política (1949-1973),
publicado pela Editorial Caminho, em 2005.
O seu mais recente trabalho “Memória
e Vida em Tempos de Abril – Estórias de
Liberdade e Libertação” será apresentado na
Biblioteca Municipal do Seixal, no próximo
dia 20 de maio, às 16 horas, com a presença

da autora. Esta obra conta com prefácio do
Coronel Andrade da Silva, sendo um relato
desta professora e escritora que vive no concelho
do Seixal, para que ajude a permanecer viva a
memória da época da Revolução dos Cravos
de 1974.
Envie a sua sugestão de «Rosto do Seixal» para:
comerciodoseixal@gmail.com

Mário Barradas