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entrevista

CSS | 24 de Fevereiro de 2017

12

DR

Ossos
do Oficio

Foi em 2008 que a primeira formação surgiu, ano
em que o Marco Espírito Santo reuniu os companheiros de longa data Hugo Pimenta, Ricardo
Faneco e Vasco Duarte nos primeiros ensaios. A
formação que hoje conhecemos ficou definida em
2012 quando o João Paiva se juntou ao grupo,
formado assim a Banda Ossos do Oficio.

Qual foi a fonte de inspiração para o vir a dar frutos mais tarde, são lições, não só
nome da banda?
no campo musical, mas lições de vida que vão
Por vezes, enquanto desempenhamos uma moldando a visão e a percepção e muitas vezes
tarefa mais longa, quer seja na nossa vida até mesmo a visão artística. Contribuem para
profissional, quer num hobby, encontramos a evolução do indivíduo e do grupo.
as partes desagradáveis dessas tarefas e
encolhemos os ombros dizendo “são ossos
Apresenta cada elemento da banda.
do ofício”. Não parece haver alguma tarefa
Vasco Neiva Duarte, Voz, 33 anos
no mundo que não tenha estes pontos
João Paiva, Guitarra solo e voz, 29 anos
Hugo Pimenta, Guitarra ritmo e voz, 37 anos
desagradáveis.
Ricardo Faneco, Baixo, 38 anos
A música, para os músicos, não é excepção.
Marco Espírito Santo, Bateria, 37 anos
As longas horas a praticar, numa aprendizagem
que nunca está completa, porque há sempre
Há quanto tempo estão, como se
mais a aspirar e a saber, o torrar a paciência
de familiares e vizinhos enquanto se pratica costuma dizer, "na estrada"?
Foi em 2008 que a primeira formação
cento e cinquenta vezes o mesmo trecho
de música para que saia perfeito, as horas e surgiu, ano em que o Marco Espírito Santo
horas dentro de uma sala de ensaio a repetir reuniu os companheiros de longa data
Hugo Pimenta, Ricardo
vezes sem conta as
Faneco e Vasco Duarte
mesmas músicas, ir dar "Já nos conhecíamos
nos primeiros ensaios.
concertos e ter de fazer, todos antes da formação
A formação que hoje
por vezes, centenas da banda, fomo-nos
conhecemos
ficou
de quilómetros em cruzando ao longo
definida em 2012 quando
viaturas apinhadas de da nossa carreira
material para tocar musical, até que achámos o João Paiva se juntou ao
para pessoas que nunca ser a altura certa para nos grupo.
ouviram falar deles, juntarmos num projecto."
O primeiro concerto,
na incerteza de como
recordam-se como foi?
serão recebidos…
Claro que sim, foi o culminar de vários
Estes são os ossos do ofício de centenas,
milhares, milhões de músicos espalhados pelo meses de trabalho. Foi no concurso de
mundo durante o percurso de se afirmarem música moderna de Almada, penso que foi
como executantes, intérpretes e compositores. em Outubro mas não sei precisar o dia, foi
Todos passam por situações similares em a confirmação de que os nossos temas eram
bem aceites pelo público e que o projecto
busca da afirmação da sua música.
Mas, como todas as expressões, esta tem tinha pernas para andar, é sempre memorável
o primeiro concerto de um projecto,
algo mais que se lhe diga.
Os ossos são aquilo que compõe o independentemente da experiência dos
esqueleto, a base, a estrutura de suporte. músicos neles envolvidos.
Sem uma estrutura de suporte, tudo o que
Como definem o vosso estilo musical?
possamos tentar fazer não tem qualquer
Em tom de brincadeira, e pegando nas
sustentação. Vendo as coisas deste modo, todas
as contrariedades descritas acima acabam por palavras de um grande amigo da banda, o

DR

nosso estilo musical pode ser inserido no que
alguém apelidou de “Rock do Seixal”, mas
podemos dizer que somos uma banda de
Rock em Português.
Nos vossos concertos tocam apenas
músicas vossas, ou, também covers?
A partir do momento em que editámos o
nosso primeiro álbum, os nossos espectáculos
centram-se nos originais. Continuamos a fazer
algumas versões ocasionalmente, até para nos
adaptarmos a alguns bares onde isso funciona
bem. Em 2016 lançámos um vídeo do nosso
tributo ao tema de Jorge Palma “Eternamente
Tu”, onde retratamos o processo de gravação
em estúdio.
Uma história engraçada de um concerto
vosso?
História engraçada, pelo menos para
quem assistiu da plateia, eheh. No Festival
da Liberdade do ano passado, realizado no
Barreiro e que contou com a participação de
Carlão, Dead Combo, Gabriel O Pensador,
entre outros, depois de no teste de som
tudo ter corrido às mil maravilhas, eis que,
chegada a hora de iniciar o concerto, uma
das guitarras não tem som, após várias
tentativas sem sucesso e análise detalhada do
que poderia estar a causar o problema (isto

tudo em cerca de dois minutos), verificou-se
que os pedais de efeito da respectiva guitarra
tinham o cabo de alimentação danificado,
ou seja, toda uma série de efeitos sonoros e
pormenores em alguns temas que deixavam
de poder ser utilizados, mas como “The
show must go on”, o nosso guitarrista ligou
a guitarra diretamente ao amplificador e fezse a coisa dura e crua, sem que o espectáculo
saísse prejudicado.
Projetos para o futuro?
Este ano esperamos estar mais ativos na
estrada e dar a conhecer o nosso trabalho a
mais pessoas a nível nacional. Continuamos
a acreditar que há espaço para o rock nas
grandes festas e festivais e que as bandas
portuguesas têm muita qualidade, se lhes
derem uma oportunidade para o demonstrar.
Qual o conselho que deixam para novas
bandas que procuram também um lugar
no mundo da música?
Não tenham pressa em lançar um trabalho
medíocre só pelo gozo de o ir apresentar ao
vivo. Nos originais as coisas têm de ser feitas
com muito cuidado, tempo e dedicação
para quando forem lançadas terem alguma
hipótese de criar impacto. Apostem na
qualidade do vosso som.