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Saúde
CSS | 24 de Fevereiro de 2017
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amoreira
DR
gripe
Miguel Boieiro
Ricardo Alves
Médico Interno Saúde Pública
Unidade de Saúde Pública – ACES
Almada-Seixal
Previna a Gripe!
A gripe é uma doença viral contagiosa
que afeta predominantemente as vias
respiratórias.
Nos concelhos de Almada e
Seixalregistaram-se mais de 1200 novos
casos de gripe no último mês de 2016 e
a nível nacional surgiram mais de 8000
casos apenas na primeira semana de
2017.
A transmissão faz-se por contato
diretocom partículas de secreções de
uma pessoa infetada, expelidas na tosse
e espirros, ou por contacto indireto
com superfícies onde estas partículas se
depositam, como as mãos.
Usualmente a doença é limitada
comcura espontânea mas podem ocorrer
complicações graves, particularmente
empessoas mais vulneráveis.
Medidas como evitar contatar com
pessoas com a doença, higiene das
mãos, tossir para um lenço descartável
ou o antebraço são importantes,sendo a
vacinação a melhor prevenção.
A vacinação tem especial importância
em pessoas com 65 ou mais anos de
idade e naquelas com doenças crónicas
(insuficiência cardíaca, asma e diabetes).
Nas grávidas a vacinação é
aconselhada, protegendo as próprias e
os recém-nascidos durante os primeiros
meses de vida.
Os sintomas surgem subitamente
e incluem febre (≥38ºC), dores de
cabeça, musculares e de garganta, tosse
e dificuldade respiratória.
Em caso de necessidade deve ser
privilegiado o contacto com a linha da
Saúde 24, a sua unidade de saúde ou o
atendimento complementar à gripe das
20h às 22h nos Centros de Saúde de
Almada e Amora.
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Nasci no campo, numa casa de paredes
de adobe, telha vã, chão de barro batido,
com uma só porta e uma só janela. O quarto
tinha uma cortina a separá-lo da cozinha.
Não havia eletricidade, nem esgoto,
tampouco água canalizada. O poço donde
se tirava a água através duma corda de sisal
com roldana e um balde zincado ficava a
duzentos metros do casebre. Vivi lá até aos
quatro anos porque os meus pais finalmente
arranjaram (pediram emprestado) 20 contos
e com eles compraram um terreno onde
construíram uma casa nova com paredes
de adobe, chão de barro, sem eletricidade
e sem água canalizada. Mas o poço ficava
quase encostado à habitação.
Lembro-me de alguns ingénuos
episódios de infante, uns com mais nitidez,
outros com menos. Por vezes, esgueiravame da minha humilde moradia para a
faustosa quinta do Valbom da família
Quintela que ficava mesmo ao lado. Ao
pé do palácio, onde hoje existe o pavilhão
gimnodesportivo municipal, havia uma
enorme amoreira com um dos troncos
dispostos na horizontal. E se tal recordo
é porque as sensações que aí obtive com
quatro anos me marcaram perenemente.
Sentava-me no tronco, à sombra da frondosa
árvore e fartava-me de saborear as rubras e
sumarentas amoras. A outra sensação que
me marcou foi a das fartas tareias que
apanhei porque o bibe ficava todo cheio de
nódoas, impróprio, segundo a minha mãe,
para um menino pobre mas asseado.
Começo assim esta croniqueta para
realçar que era muito comum haver
amoreiras nas quintas da gente rica. Elas
proporcionavam uma espécie de estatuto
social superior aos seus proprietários. Hoje
isso já não acontece. Arrancaram a maior
parte das centenárias árvores talvez por
ocuparem demasiado espaço e encontraram
outras formas de ostentar o seu poder.
Adiante!
A Morus spp é uma árvore caducifólia
da família das Moraceae proveniente
da Ásia que tem mais de cem espécies
espalhadas em todo o mundo. Entre nós as
variedades mais conhecidas são, consoante
os seus frutos, a Morus nigra (amora preta),
a Morus alba (amora branca) e a Morus
rubra (amora vermelha). Possui folhas
alternas, dentadas, ovais ou cordiformes. A
árvore, de crescimento rápido e resistente, é
monóica o que significa que contém os dois
sexos na mesma unidade.
Os frutos da amoreira-negra têm forma
alongada, quase desprovidos de pedúnculo,
ficando agridoces após a maturação. Os
da amoreira-branca são pequenos e muito
pedunculados, mais doces e sem qualquer
acidez.
Não obstante o potencial das amoras, que
à frente pormenorizaremos, as amoreiras
lograram importância económica por via
das suas folhas, exclusivo alimento dos
bichos-da seda. Isso, creio que toda a gente
sabe. Interessa agora analisar as virtudes da
planta no campo da fitoterapia.
As amoras são ricas em vitaminas,
sobretudo a vitamina C. Possuem açúcares,
ferro, cálcio, fósforo, magnésio, potássio,
ácido málico, pectina, betacaroteno, tanino,
essências e altas taxas de antioxidantes.
Foi recentemente detetada a existência
de resveratrol, importante polifenol que
favorece a produção de colesterol HDL e
previne as doenças cardiovasculares.
Os saborosos frutos são tónicos,
refrigerantes, laxativos, excelentes para
debelar constipações, gripes, tosses, dores
de garganta e anemias. Regularizam o
funcionamento dos intestinos e possuem
ação contra o envelhecimento.
Em culinária são vastas as hipóteses de
utilização: bolos, sorvetes, geleias, doces
cristalizados, licores, xaropes e compotas.
Temos feito compotas de amoras brancas
que requerem paciência para lhes retirarmos
os pedúnculos.
Parece, no entanto, que são as
folhas que se encontram atualmente na
moda e constituem algo de milagroso.
Descobriram que o “chá” das folhas é
muito eficaz para aliviar os problemas da
menopausa (e porque não também da
andropausa?). Para além disso, combate a
hipertensão, desinflama os pulmões e alivia
os transtornos respiratórios, as dores de
cabeça, as insónias, a depressão, a diabetes
e a osteoporose.
E vejam lá, os rebentos tenros são edíveis!
Para terminar e à laia de curiosidade, eis
uma tisana antiga para a sarna, extraída da
“Medicina pelas Plantas” do Dr. Oliveira
Feijão: cozimento concentrado das folhas
secas e das cascas (60 g para um litro de
água) a que se adiciona raiz de romãzeira.
Aplicar topicamente.
