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Saúde

CSS | 13 de Janeiro de 2017

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BRONQUITE AGUDA
A bronquite aguda é a inflamação das vias respiratórias superiores, comumente após a infecção das vias respiratórias
superiores. A causa é, em geral, uma infecção viral, embora, às vezes, seja uma infecção bacteriana. O patogénio
raramente é identificado. O sintoma mais comum é a tosse, com ou sem febre, e possivelmente produção de
escarro. Nos pacientes com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), também podem ocorrer hemoptise, dor
torácica tipo "queimadura" e hipoxemia. O diagnóstico baseia-se nos achados clínicos. O tratamento é sintomático.
Antibióticos são necessários apenas para os pacientes com pneumopatias crónicas. O prognóstico é excelente nos
pacientes sem pneumopatia, mas, nos pacientes com DPOC, pode acarretar insuficiência respiratória aguda.
DR

com nenhum ou pouco
escarro,
acompanhada
ou precedida de sintomas
de infecções das vias
respiratórias superiores. A
dispneia subjetiva resulta
de dor torácica com a
respiração, mas não há
hipoxia, exceto naqueles
pacientes com pneumopatia
subjacente. Frequentemente,
não existem sinais, mas
podem surgir roncos e
sibilos dispersos. O escarro
pode ser claro, purulento,
ou,
ocasionalmente,
sanguinolento.
As
características do escarro
não correspondem a uma etiologia
particular (i. e., viral versus bacteriana).
Pode haver febre leve, mas febre alta ou
prolongada é incomum e sugere gripe ou
pneumonia.

Frequentemente, a bronquite aguda
é um componente da infecção da
via respiratória superior causada por
rinovírus, parainfluenza, influenza A ou
B, vírus sincicial respiratório, coronavírus
ou metapneumovírus humano. Causas
menos comuns podem ser Mycoplasma
Na resolução, a tosse é o último sintoma
pneumoniae, Bordetella pertussis e a desaparecer e, muitas vezes, leva várias
Chlamydia pneumoniae. Pacientes sob semanas ou mesmo mais tempo para que
risco envolvem tabagistas e pacientes isto aconteça.
com DPOC e de outras doenças que
comprometem os mecanismos de
Diagnóstico
desobstrução brônquica, como fibrose
cística ou condições que acarretam
Avaliação clínica
bronquiectasia.
Às vezes, radiografia de tórax
Sinais e sintomas
Os sintomas são constituídos por tosse,
O
diagnóstico
baseia-se
nas

manifestações clínicas. A radiografia
do tórax só é necessária se os achados
sugerirem pneumonia (p. ex., sinais
vitais anormais, estertores, sinais de
consolidação, hipoxemia). Os pacientes
idosos são uma exceção ocasional. Podem
precisar de radiografias de tórax para a
tosse produtiva e a febre na ausência de
achados na auscultação (especialmente
se houver histórico de DPOC ou outra
doença pulmonar).
Coloração de Gram e cultura do
escarro geralmente não são úteis.
A tosse é solucionada em 2 semanas
em 75% dos pacientes. Aqueles com
tosse persistente devem ser submetidos
à radiografia de tórax. Avaliação para
diagnóstico de coqueluche, com cultura
de secreções nasofaríngeas, e de etiologias
não infecciosas, como gotejamento pósnasal, rinite alérgica e asma variante com
tosse, pode ser necessária.
Tratamento
Alívio dos sintomas (acetaminofeno,
hidratação e, possivelmente, antitússicos)
Beta-agonista ou anticolinérgicos
inaláveis para os sibilos

Jorge Neves

sadios é a principal razão do uso excessivo
de antibióticos. Quase todos os pacientes
necessitam apenas de tratamento
sintomático, como acetaminofeno e
hidratação. Devem-se utilizar antitússicos
somente para facilitar o sono. Os pacientes
com sibilos podem beneficiar de beta2agonistas inaláveis (p. ex., albuterol) ou
anticolinérgicos (p. ex., ipratrópio) por
até 7 dias. Se a tosse persistir por mais
de 2 semanas por causa de irritação
das vias respiratórias, alguns pacientes
beneficiam de alguns dias de corticoides
inaláveis. Geralmente, não se utilizam
antibióticos orais, exceto em pacientes
com coqueluche ou DPOC que tenham
pelo menos dois dos seguintes:
Pioria da tosse
Pioria da dispneia
Aumento da purulência do escarro
Os fármacos incluem: amoxicilina,
500 mg, via oral (VO), 3 vezes/dia
durante 7 dias; doxiciclina, 100 mg, VO,
2 vezes/dia durante 7 dias; azitromicina,
500 mg, VO, 1 vez/dia durante 4 dias, ou
trimetoprima/sulfametoxazol, 160/800
mg, VO, 2 vezes/dia durante 7 dias.

Às vezes, antibióticos orais para
pacientes com DPOC
A bronquite aguda em indivíduos

rosmaninho
DR

Parece ser inata a tendência do ser secura. É importante frisar que estamos
humano em desvalorizar tudo o que tem a falar da Lavandula stoechas da família
com fartura, mesmo que tal seja belo e das Lamiaceae, para não haver confusões
útil. Acontece assim com o rosmaninho,
bonito subarbusto, cheiroso, benfazejo
para a vista, para o corpo e para a alma.
Lamentavelmente hoje quase ninguém o
preza.
No norte do País era costume atapetar
com rosmaninho os caminhos por onde
passavam as procissões. Sabendo-se
que tais cortejos religiosos eram e são
reminiscências herdadas do paganismo,
não é difícil crer que esse curioso uso
venha de longínquas eras. Também os
raminhos da quinta-feira-da-espiga não
passavam sem as florinhas desta agradável
labiada. O volumoso “Diccionario de
Plantas Curativas de la Península Ibérica”
de Enric Balasch e Yolanda Ruiz, no
capítulo de botânica oculta, considera o
rosmaninho uma sanjoanina, isto é, uma
planta mágica vinculada ao santo festejado
a 24 de junho. Igualmente era associado a
Santa Bárbara para esconjurar as trovoadas
e os relâmpagos.
Mitos e crenças à parte, o que agora
interessa é caracterizar esta planta que
existe em abundância no nosso País e
quase por toda a bacia mediterrânica nas
charnecas e ermos arenosos e xistosos,
sendo uma típica espécie heliófila, termófila
e xerófila, isto é, gosta de luz, de calor e de

que infelizmente são muito frequentes.
De facto, alguns autores e tradutores
mencionam Rosmarinus officinalis que
corresponde ao alecrim, induzindo em
erro os incautos leitores.
A planta forma um feixe ramificado que
pode chegar quase a um metro de altura.
Os ramos são verdes mas devido a estarem
cobertos de pelos parecem esbranquiçados.
As folhas também são tomentosas. As
inflorescências (pequenas flores tubulares e
labiadas) estão apinhadas em espigas densas
que terminam num penacho formado por
três vistosas brácteas violetas cuja função

é atrair os insetos polinizadores. O fruto é
um aquénio trigonal.
Existem
cinco
principais subespécies da
Lavandula stoechas em
Portugal:
pedunculata,
luisieri, viridis, sampaiana
e lusitanica. Como se
depreende, algumas são
endémicas
no
nosso
País. As mais vistosas
encontram-se atualmente
na moda e são vendidas
em vasinhos nas floristas
e nos supermercados.
Em Inglaterra são muito
disputadas as “Portuguese
Giant Spanish Lavender”
a que atribuíram o
nome vernáculo de Lavandula stoechas
portuguese giant. Inglesices!
Em Espanha há mais de meia centena
de denominações populares para o
rosmaninho. Espanholices!

Miguel Boieiro

O óleo contido nas suas folhas e flores
possui um complexo de essências ainda
não inteiramente estudadas (borneol,
cetonas, cineol, cânfora, etc.) e pode ser
utilizado em perfumaria e aromaterapia.
O “chá” de rosmaninho é bom para
a bronquite, a asma, o catarro, a tosse,
as enxaquecas. Segundo o meu amigo
José Salgueiro, reputado ervanário de
Montemor-o-Novo, deita-se 30 g de
flores num litro de água a ferver e deixase 10 minutos em infusão. Tomam-se três
chávenas por dia fora das refeições, sendo
a última ao deitar. Acrescento que, quem
não for diabético, deve dissolver uma
colherinha de mel para reforçar os efeitos
benéficos.

Em Portugal, os mais atrevidos
consideram esta planta a rainha das
alfazemas.

Externamente podemos usar a água
da cozedura das folhas e flores para
desinfectar e cicatrizar feridas, estimular o
crescimento capilar (atenção aos carecas),
suavizar a pele e eliminar a seborreia, a
caspa e o acne.

São-lhe atribuídas as seguintes
propriedades medicinais: antissética,
digestiva,
tónica,
antiespasmódica,
cicatrizante, antibacteriana e febrífuga.

Dado que as flores possuem néctar em
abundância, o rosmaninho é ideal para a
apicultura de qualidade, originando um
mel escuro muito apreciado.