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sociedade
CSS | 20 de Dezembro de 2016
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Sociedade Filarmónica Democrática Timbre Seixalense
Memórias da casa mãe do Movimento
Associativo Seixalense(2)*
Esse ambiente de paixão associativa que
caracterizava o dia-a-dia-da sociedade e o
gosto pela arte musical, levaram Manuel de
Oliveira Rebelo a inscrever-se na escola da
banda, - então designada de ‘Cachapins’ - o
que lhe permitiu saber tocar música antes do
exame da antiga instrução primária. “Tinha,
na altura, onze anos,” refere. “Gosto que, de
resto, mantive até 1950.”
Todavia, a sua ligação à Timbre, permaneceu,
através de uma empenhada participação nos
órgãos sociais da agremiação em diversos
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mandatos, período durante o qual ocorreram
importantes iniciativas de âmbito cultural,
social e político, com particular destaque,
entre outros, para o concerto de Carlos
Paredes; o colóquio realizado com o poeta
russo Ievtushénko - no qual participou
também o conceituado jornalista e poeta
José Carlos Vasconcelos - e o concerto do
Coro dos Amadores de Música, dirigido pelo
Maestro Fernando Lopes Graça; as actuações
da soprano Isaura Garriga e do maestro Artur
Trindade, ou ainda, um ou dois colóquios com
Fernando Namora.
“Estas realizações - que lotaram por completo
o velho salão de festas -, constituíram uma
inequívoca prova de ousadia e destemor,
uma vez que os seus intervenientes, apesar de
serem destacadas figuras da cultura nacional e
europeia, eram, como é óbvio, alvo da atenção
dos responsáveis do regime que então nos
governava. Assim, facultar-lhes a possibilidade
de exporem publicamente os seus dotes
artísticos, adquiria quase foros de ‘lesa pátria’,
na perspectiva dos governantes da época.
A vigilância de que eram objectos estas
iniciativas por parte da extinta polícia política,
fez com que diversas vezes fossemos chamados
às autoridades e à câmara, onde éramos
ameaçados e advertidos a parar com este tipo
de acontecimentos, sob pena de a sociedade vir
a ser encerrada.
No entanto, “essa antipatia, não impediu que
em dado período da história da colectividade,
se vivesse uma fase de intensa actividade
cultural, na qual colaborou, igualmente, o
Capitão Gonçalves Louro que logrou trazer
ao Seixal, sob a direcção do Maestro Pedro
Blanco, a Orquestra Sinfónica da antiga
Emissora Nacional, estação, nessa altura,
presidida pelo Capitão Henrique Galvão, que
anos depois comandaria a tomada do paquete
Santa Maria.
Foi uma noite memorável, no decurso da qual
actuou ainda a nossa banda que executou
a sinfonia incompleta, de Shubert. O seu
desempenho foi de tal ordem que, no final,
Fernando
Fitas
Pedro Blanco, subiu ao estrado a felicitar o
nosso maestro, pela excelente exibição da
nossa filarmónica, opinião, aliás, comungada
pela generalidade dos críticos presentes, (com
excepção de Burbon e Menezes) os quais
sublinharam a boa execução a que haviam
assistido.
Por todas estas razões,” diz Manuel de Oliveira
Rebelo, “ a Timbre sempre procurou assumirse como uma verdadeira escola de virtudes
e saberes, dando expressão aos sentimentos
democráticos da sua massa associativa, situação
que nos motivava a promover todo o tipo de
festas que concorressem para a elevação dos
conhecimentos de quantos a frequentavam.
(continua…)
*Excertos de “Histórias Associativas- Memórias
da Nossa Memória – 1º Volume As Filarmónicas.
Edição Câmara Municipal do Seixal.-2001
