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sociedade
CSS | 20 de Dezembro de 2016
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UM EXEMPLO DE VIDA
O Comércio do Seixal e Sesimbra abriu as portas a António Ezequiel
Segurado Sameiro onde, na primeira pessoa, conta a história da sua
vida, fazendo um autorretrato onde a conquista e o mérito caminham
lado a lado com a doença de Alzheimer, após um Acidente Vascular
Cerebral (AVC).
Nasceu em Moura, distrito de Beja a
31 de janeiro de 1943, filho de Joaquim
Vasques Sameiro e de Maria das Neves
Fialho e aqui começou a sua vida, estando
a concluir a 4ª classe (atual 4º ano do
ensino básico) aos 11 anos de idade,
sendo que, “no ano seguinte fui para
aprendiz de correeiro-estofador na oficina
de Francisco Polido Júnior e, aos 13 anos,
comecei a aprender música na Sociedade
Filarmónica Amadores de Música «Os
Leões», no instrumento de trompa e onde
o meu pai já tocava tuba”.
As dificuldades da época não
permitiram que António Sameiro
continuasse os estudos mais avançados,
tendo concluído o Curso Complementar
de Aprendizagem Agrícola, desistido da
sua continuidade, pois assim iria para
Évora.
“Quando fiz dezasseis anos, a minha
família veio morar para o Barreiro,
por intermédio do meu ex-patrão que
pediu ao gerente da Auto Salúquia
(representante da Volkswagen) em Moura
a transferência para Lisboa onde fui
admitido na secção de estofador. Como
o meu pai trabalhava como carpinteiro
numa oficina na Cova da Piedade,
fomos morar para o Pragal em Almada.
Inscrevi-me na escola Emídio Navarro,
no curso industrial que frequentei até ao
3º ano, sendo interrompido pelo Serviço
Militar Obrigatório. Já neste serviço, fui
mobilizado para Angola, sendo colocado
no pelotão de apoio direto: P.A.D. 1023,
que tinha como finalidade dar apoio às
viaturas no mato. Em 21 de agosto de
1965 embarquei no Vera Cruz chegando
a Luanda nove dias depois, ficando à
espera no quartel de 5. M. no Grafanil.
Passados 4 dias segui viagem numa
coluna de camionetas civis escoltadas por
militares de um pelotão de caçadores em
direção a Sanza Pombo, onde cheguei 2
dias depois. Passados 25 meses voltei para
casa também no barco Vera Cruz a 12 de
setembro de 1967. Entrei ao serviço na
Guérin como oficial, trabalhei em vários
departamentos e fui eleito encarregado
de segurança da empresa, tirei o curso no
Ministério do trabalho.
Passados vários anos tornei-me chefe
da secção de estofadores. Entretanto,
deu-se o 25 de abril e em plenário fui
eleito para a comissão coordenadora da
empresa na Voz do Operário juntamente
com mais 4 colegas. Geríamos cerca de
1500 trabalhadores. Mais tarde, uma
nova administração suspendeu a nossa
atividade. Este fator em conjunto com os
cortes nos salários e suspensão de funções
levou-me a apresentar a demissão. A
direção não aceitou alegando que a minha
atitude tinha cariz político, mas fui firme
e pedi que fizessem as contas e assim ao
fim de vinte anos saí da empresa.
Pelo facto de já prever esta situação
tinha a minha vida profissional projetada
e comecei a trabalhar por minha conta
no Pragal. Como a ideia funcionou e o
trabalho aumentou convidei um colega a
que já dava trabalho para formarmos uma
sociedade. Comprámos uma garagem
no Monte de Caparica começando a
trabalhar a 20 de Outubro de 1980.
Trabalhámos juntos até agosto de 2009,
quando o meu sócio, grande amigo e
afilhado de casamento Francisco Geraldo
faleceu num acidente durante as férias.
O meu filho Pedro Sameiro que já
trabalhava connosco comprou a cota
de sócio. Tendo já trabalhado no ramo
automóvel, 5 anos na Autoeuropa e na
Volkswagen em Almada, adquiriu muitos
conhecimentos na área e foi fácil integrarse na profissão para meu grande prazer e
orgulho. Considero que já se encontra na
posse dos conhecimentos necessários para
me substituir, uma vez que já é sócio da
firma Sameiro e Pedro Lda.
Passados 36 anos a trabalhar na
Quinta do Serrado, Monte de Caparica,
a Câmara Municipal entendeu que não
tínhamos condições de trabalho nas nossas
instalações e assim resolvemos alugar um
espaço na Zona industrial de Santa Marta
de Corroios que inauguramos dia 1 de
setembro”.
António Sameiro teve em 2006 um
AVC com hemorragia cerebral, andou em
tratamento durante dois anos no hospital
da CUF e, embora ficando com algumas
sequelas, hoje com 73 anos continua a
trabalhar, fazendo um horário de trabalho
normal e tendo o apoio incondicional da
esposa Manuela.
“Espero poder continuar pois o trabalho
dá-me ânimo e força para enfrentar esta
aventura de vida”.
Campanha “Um Voto pelo Hospital”
O Grupo 242 de Escoteiros de Corroios recolheu, no espaço de cinco semanas, junto da comunidade, cerca de mil e cem votos para a campanha
“Um Voto pelo Hospital”.
DR
Já durante o período da campanha
na freguesia de Corroios, este grupo de
escoteiros tinha participado activamente
no terreno com a Comissão de Utentes
da Saúde, nomeadamente na Mostra
Mensal das Actividades Económicas, que
se realiza na Quinta da Marialva todos
os últimos domingos de cada mês. Estes
jovens abordavam os visitantes da feira,
sensibilizando-os para a causa, recolhendo
igualmente o seu voto e auxiliando os mais
idosos a fazê-lo.
Para assinalar o seu contributo, um grupo
de jovens escoteiros, acompanhados de
alguns dos seus dirigentes, fizeram questão
de os entregar à Comissão de Utentes
da Saúde (na circunstância representada
por José Lourenço e Diamantino Rosa),
na presença do Presidente da Junta de
Freguesia de Corroios (Eduardo Rosa) e
da Vogal da Saúde e Acção Social (Maria
Luís Valente), nas instalações deste órgão
autárquico.
Como anfitrião, o Presidente da Junta
de Freguesia de Corroios, partilhou
a sua satisfação «por ter um parceiro
como os escoteiros, numa divulgação
tão importante como é a necessidade do
Hospital no concelho do Seixal. É uma luta
antiga, que é de todos, para benefício de
todos. A consciencialização destes jovens é
importante para um futuro mais promissor
e mais solidário.»
Sobre o trabalho desenvolvido pelo
Grupo 242 na freguesia de Corroios, e o
que este representa para a comunidade,
Eduardo Rosa destacaria ainda «a
importância de trabalhar com jovens e
para os jovens, orientá-los naquilo que
podem vir a ser no futuro, tornando-os
parte activa das nossas reivindicações, das
nossas necessidades, para a construção
de um país que todos pretendemos
melhor. Os escoteiros almejam para si o
melhor, fazendo reflectir a sua actuação
em melhorias para a freguesia, para o
concelho e, acima de tudo, para um país
mais justo e mais fraterno, para que os
jovens não sejam forçados a emigrar, e
obviamente continuarem neste nosso
país, que é Portugal, contribuindo para
o seu crescimento e dignificação das suas
populações.»
José Pontes, dirigente máximo do
Grupo 242, sublinharia o significado
desta entrega de votos: «Significa muito.
Em primeiro lugar, estes jovens amam
aquilo que fazem. Ser escoteiro, é servir
sem qualquer recompensa e estar sempre
pronto, em conjunto com as autoridades
locais e, neste contexto, com a Junta de
Freguesia e com a Comissão de Utentes
da Saúde, nós podermos também dar
um contributo para que se faça luz, que
este Hospital seja uma realidade. Em
primeiro lugar, fará bem a quem necessita,
e os jovens são os futuros utilizadores deste
Hospital, que queremos esteja construído
o mais breve possível.»
Sobre os planos imediatos do Grupo
que dirige, José Pontes acrescentaria ainda
que: «Estou convencido que, ainda este
ano, vamos continuar com os trabalhos e
começar a construir a nossa sede, que estes
jovens necessitam, precisam e têm direito. A
Câmara apoiou-nos muito com o terreno,
a Junta já nos apoiou na construção da
vedação e do muro, e nós não vamos parar.
Nós temos que olhar pela nossa casa e,
estou convencido que, quer a Junta de
Freguesia, quer a Câmara Municipal do
Seixal, nos vão ajudar neste nosso projecto,
que é termos uma casa onde possamos
realizar as nossas actividades, para bem
da comunidade, de toda a juventude de
agora, e daquela que há-de vir.»
José Lourenço, em representação
da Comissão de Utentes, agradeceu o
empenho destes jovens e dos seus dirigentes
no apoio a esta causa, acrescentando que
«esta campanha tem tido uma dinâmica
de participação de que nos orgulhamos.
Onde temos estado, sentimos a apoio da
população e o incentivo para prosseguir
com a nossa luta, que está longe da sua
conclusão. Em 2009 estivemos quase no
mesmo ponto em que nos encontramos
actualmente, e fomos enganados pelo
governo de então. As circunstâncias hoje
são diferentes e queremos acreditar na
palavra destes novos governantes, mas a
luta só irá parar aquando da conclusão das
obras e da sua inauguração. O mesmo em
relação ao novo Centro de Saúde Corroios,
cujos projectos estão a ser desenvolvidos
e pormenorizados pela Administração
Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo,
no que respeita ao edifício, e pela Câmara
Municipal do Seixal, quanto aos espaços
exteriores, de acordo com o contratoprograma que foi assinado recentemente.
A população deve permanecer mobilizada
e firme na sua determinação, de ver
concluídos e em funcionamento, estes dois
importantes equipamentos de saúde para o
nosso concelho.»
