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CSS | 4 de Novembro de 2016
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Os efeitos do Terramoto de 1755
OPINIÃO
na zona do actual Concelho do Seixal
João Araújo
Na passada semana uma rubrica denominada Fala Portugal, do canal Record
Europa, emitido por cabo, veio dar notícia de mais um fenómeno de poluição no
Seixal.
A noticia está disponível em https://
www.facebook.com/falaportugal/videos/1
300254339993829/?pnref=story.
Infelizmente é mais uma triste mediatização de um lugar que não se consegue
afirmar como ponto de interesse e atracção, ainda que para isso tenha inúmeros
argumentos.
O preconceito de que o Seixal sofre há
várias décadas é, sem dúvida um dos maiores obstáculos ao seu desenvolvimento.
Subsiste a ideia de que aqui se continua
a viver num certo caos urbano, criado pela
gestão absolutamente irresponsável dos últimos trinta anos do século passado, que
juntaram à ancestral pobreza das populações o desordenamento urbano, criando
assim um cocktail socialmente explosivo,
com diversas zonas do concelho convertidas em guetos.
Mas se é verdade que durante muitos
anos o preconceito correspondia à realidade, também é verdade que hoje as coisas
começam a surgir diferentes.
O Seixal que há anos atrás aqui descrevi
como uma Chernobyl pós acidente nuclear, parece querer ter fim.
Com um investimento público mais
racional e capaz de atrair outros investimentos de menor dimensão, diversificados e por conta de agentes privados, bem
poderá que desta vez a receita funcione e
o Seixal sacuda o pó que sobre ele assentou durante tanto tempo, afirmando-se
finalmente como local muito especial para
viver e trabalhar, sobretudo pela sua localização geográfica, beleza natural e acessibilidade.
Para isso será indispensável que partilhemos da acérrima defesa dos interesses
locais, numa afirmação de pragmatismo
supra partidário, onde não pode haver
margem para tolerância no que toca à
conversão do velho Seixal em novo Seixal
e onde, naturalmente não cabem esgotos
por tratar, encaminhados para o rio.
Legenda:
Um dos acontecimentos mais trágicos
da História de Portugal é o Terramoto de
1755. O terramoto por si só não causou
todos os estragos, pois o tsunami e os
fogos causados como consequência deste
dizimaram a «velha» Lisboa da época dos
Descobrimentos, incluindo o Palácio da
Paço da Ribeira e da Ribeira das Naus.
Perderam-se muitos palácios, igrejas e
outros edifícios centenários, além de
muita documentação que seria de alto
valor histórico nos dias de hoje. Mas
devido à sua grande magnitude, a capital
não foi a única vítima dos danos causados
pelo terramoto – várias localidades foram
atingidas, e as velhas paróquias que
compõem o actual concelho do Seixal
não foram excepção.
Em 1755, o actual concelho do
Seixal era composto por 4 paróquias: a
de Corroios, a de Arrentela, a da Amora
e a do Seixal. A paróquia do Seixal foi
fundada apenas em 1734, ganhando
assim a sua «independência» da paróquia
da Arrentela. Nesta época, o actual
concelho do Seixal era composto na sua
grande maioria por área florestal, sendo o
resto da área do actual concelho composta
por pequenos centros populacionais e
por quintas e residências de famílias
da nobreza e de comunidades do clero
regular (frades). Enquanto nas outras
paróquias, a população se dedicava à
produção agrícola, a paróquia do Seixal,
devido à sua proximidade com o rio Tejo,
levava a maioria dos seus habitantes a
dedicarem-se à actividade piscatória e à
construção naval. Segundo o Dicionário
Geográfico do Padre Luís Cardoso,
O Seixal vale a pena!
redigido entre 1747 e 1751, a paróquia
de Arrentela possuía 563 moradores,
enquanto a de Amora possuía só 172 –
a Arrentela era então um dos principais
centros populacionais mais habitados do
concelho de Almada (ao qual o actual
concelho do Seixal pertencia, tendo o
concelho de Almada adquirido o seu foral
em 1513).
As Memórias Paroquiais de 1758 dãonos informações sobre as consequências
do terramoto por estas 4 paróquias: na
de Amora, ficou em ruínas a sua igreja
e algumas casas de quintas que eram
irreparáveis por “serem edifícios que se
não podem reparar sem grande despesa
dos seus donos” (segundo a Memória
Paroquial de Amora) – o pároco registou
apenas um morto, que poderá ter sido
Maria Ferreira, criada de Cecília Clara,
que faleceu no dia do terramoto (segundo
o 4º Livro de Registo de Óbitos da
Paróquia de Amora, disponível no Arquivo
Distrital de Setúbal) ; na paróquia de
Corroios, o pároco registou que a igreja
de três altares caiu “totalmente por terra”;
na paróquia da Arrentela, o seu pároco
refere que a localidade da Arrentela se
“arruinou toda no terramoto” e que
na sua igreja se quebraram “algumas
imagens e todas as talhas dos altares”
– este refere que nenhuma pessoa
morreu no dia do terramoto, mas que
“duas ficaram maltratadas e acabaram
sucessivamente” (faleceram dias depois).
Todas as igrejas destas paróquias foram
reconstruidas num espaço de 10 anos
ROSTOS DO SEIXAL
LUÍS HENRIQUE MOREIRA
DA SILVA (1979)
Mas disso a Câmara Municipal tem clara consciência, mostrando-se empenhada
na resolução dos últimos problemas deste
género. Mais dramática será já a poluição
atmosférica provocada pela Siderurgia Nacional, fenómeno especialmente evidente
nestes dias de Outono e que com certeza
se apresenta como problema mais delicado, cuja urgente solução é mais complexa pois que, no limite a sua solução pode
afectar vastos interesses económicos.
Nestes casos e em todos os outros para
que são necessárias respostas, o ponto de
viragem depende da consciência e atitude
das populações e da administração municipal, que se devem incomodar com as
más noticias sobre o concelho e com os
preconceitos que elas alimentam.
Foto de uma inscrição na Igreja da Arrentela, relatando o
terramoto e a reconstrução da Igreja, que terminou em 1759
Natural da cidade de Lisboa e licenciado
em Música, iniciou os seus estudos musicais na
Sociedade Filarmónica Democrática Timbre
Seixalense. Em agosto de 1997 frequentou o
XIV Curso Internacional de Férias para Jovens
Músicos do INATEL em Viseu, ingressando
no mesmo ano nos cursos livres da Escola Profissional de Musica e Artes de Almada e, em
1998, no 10º Ano do Curso Secundário de
Instrumento, na classe de trompa. Em 2001
participou no Curso Regional de Regência de
Bandas Filarmónicas do INATEL. Entre 2002
e 2005 participou nos workshops de Direção de
Banda organizados pela Soc. de Instrução Musical de Porto Salvo e orientados pelos Maestros
Délio Gonçalves e Jo Conjaerts. Na sua vida
profissional fez parte de vários agrupamentos e
orquestras, tais como a Orquestra Sinfónica Juvenil, os Katrafuza Brass, o Lusitanus Ensemble, a Orquestra Filarmónica das Beiras, com a
Orquestra Sinfonieta de Lisboa, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, entre outras. Como
trompista, participou em 2003 no Certamen
Internacional de Bandas de Música de Valência, Espanha, em 2005 no Flicorno d’Oro,
Itália (ambos com a banda filarmónica da Soc.
Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete),
em 2006, participa no 1º Concurso de Bandas
do Ateneu Artístico Vilafranquense e em 2010
no 3º Concurso de Bandas do Ateneu Artístico Vilafranquense. Em 2005, o Internationale
Musiktage Vöcklabruck, Áustria (com a banda
filarmónica da Soc. de Instrução Musical de
Porto Salvo); Com a Banda da Soc. Filarmónica 1º de Dezembro do Montijo em 2005 foi
- a última foi a da paróquia de Amora,
cuja reconstrução foi só terminada em
1765. O infame terramoto foi muito
desastroso na paróquia do Seixal, pois
além da destruição da sua Igreja Matriz
- cuja construção terminara em 1728
-, registaram-se, segundo o pároco do
Seixal, o Pe. Manuel Simões da Estrela, 25
mortos no dia 1 de Novembro de 1755. O
nome dos falecidos estão registados no 1º
Livro de Registo de Óbitos da Paróquia
do Seixal, disponível no Arquivo já
anteriormente mencionado. Decidi expor
aqui o nome dos falecidos, para que
fiquem na nossa memória histórica:
- Francisco, filho de António Macedo
e de Joana Maria; André de Torres
Barbosa; Luísa de Oliveira; Domingas
da Costa; Francisca e Margarida, filhas
de António Carvalho Danilo e de Maria
Pereira; Teodora Joselina; José de Oliveira
Ruivo; Teodósio Soares; Quitéria
António Caetano; Josefa da Costa;
Antónia Cardosa; Maria Teresa; Antónia
Maria; Francisca da Costa; Ana da Costa;
uma “moça” do Dr. Luís da Silva Coelho,
de nome Iolinta; D. Maria Francisca de
Sousa; Maria, filha de Caetano Brandão;
José e Margarida, filhos de Francisco
Gomes Vieira e de Quitéria António
Caetano; Domingas Francisca; Vital
Soares; José, filho de Manuel Alvares
e de Maria de Jesus; e Manuel, filho de
António Duarte dos Santos e de Teresa
Rosa de Jesus.
Rúben Lopes
a vez do 34º Certamen Internacional de Bandas de Música Vila de Altea, Espanha e, com a
Banda da Soc. Filarmónica União Arrentelense
em 2006, o 1º Concurso de Bandas do Ateneu
Artístico Vilafranquense. Em março de 2000,
ingressou nos quadros permanentes da Marinha Portuguesa onde desempenha funções de
músico na Banda da Armada. Com a função de
maestro, dirigiu a banda da Soc. Filarmónica
União Samorense (Samora Correia) onde participou no 3º Concurso de Bandas do Ateneu
Artístico Vilafranquense tendo-se classificado
em 1º lugar, na sua categoria, vencendo também o Prémio Tauromaquia, na mesma categoria.
É maestro da Banda da Sociedade Filarmónica União Arrentelense desde Janeiro de 2012,
continuando a trabalhar em função da cultura
na cidade onde sempre viveu: o Seixal.
Mário Barradas
