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Saúde
CSS | 4 de Novembro de 2016
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Loendro
Especialmente quando florido, é um dos arbustos mais bonitos que vemos
espontaneamente no nosso País.
O loendro, ou cevadilha, como também
se denomina, é todo ele venenoso, devido
principalmente a duas substâncias tóxicas
que contém: a oleandrina e a neriantina.
A oleandrina é um potente cardiotónico e
constitui, como os glicósidos da dedaleira,
matéria-prima para extrair princípios
ativos que integram os medicamentos
destinados a cardíacos. Naturalmente que
isto só se processa em doses mínimas e de
forma laboratorial.
No “Herbal Food and Medicines
in Sri Lanka”, do Dr. Seela Fernando,
curiosa obra que adquiri quando visitei
aquele país da “Taprobana”, há uma
página inteira referente ao “oleander”.
Apontam-se as suas virtudes curativas,
em uso externo, principalmente para
reduzir inchaços e inflamações e eliminar
parasitas. Contudo, o maior relevo é dado
à toxicidade, a qual permanece, mesmo
quando a planta está seca. Em sânscrito,
o loendro denomina-se “ashvamaraka”
que, significativamente, quer dizer: “mata
cavalos”.
Alertando para as precauções que
devem ser tomadas quando se manuseiam
plantas venenosas, transmito, com a
devida vénia, duas receitas de uso externo
incluídas na “Enciclopédia de Educação e
luz. Nativa da Europa Meridional, Norte
de África e Ásia Menor, espalhou-se por
toda as regiões temperadas e subtropicais
do planeta.
De aparência robusta e copa
arredondada, pode atingir cinco metros
de altura. As folhas são persistentes,
coriáceas, opostas e lanceoladas, de cor
verde escura, tendo de 10 a 20 cm de
comprimento. As flores, singelas ou
dobradas, ficam abertas todo o verão,
formando grandes ramalhetes nas pontas
dos ramos. Os frutos são cilíndricos e
compridos (de 5 a 23 cm) e as sementes
estão providas de pêlos em penacho. Toda
a planta exsuda uma seiva leitosa.
É decididamente um dos arbustos
ornamentais mais utilizados, quer pela
formosura e durabilidade das suas flores,
quer por não exigir grandes cuidados de
manutenção.
Saúde - A Saúde pelas Plantas Medicinais”
de Jorge Pamplona Roger:
Pomada contra a sarna: Prepara-se uma
pomada com 250 g de manteiga sem sal,
ou outro veículo gordo, e 150 g das flores
de loendro, que se devem deixar macerar
durante 6 horas.
Cataplasmas de flores aplicadas sobre a
zona da pele afetada.
Por sua vez, o Dr. Oliveira Feijão
recomenda o infuso das folhas (30 g num
litro de água) para lavagens nos casos de
herpes, acne, pruridos e outras doenças
dérmicas.
DR
A toponímia regista, entre outros
nomes, “Alandroal”, vila alentejana
onde o loendro, ou “aloendro” viceja
nas margens do Guadiana e seus
afluentes. Em Vouzela organizam-se
excursões para visitar a Reserva Botânica
do Cambarinho, logo que a mata de
loendros está em flor (maio a outubro).
E que lindas que ficam as vias de grande
circulação quando ostentam, quer nas
bermas, quer nos separadores centrais, as
flores róseas, vermelhas, ou brancas, desta
planta arbustiva. Daqui se pode, desde já,
concluir que o loendro é benfazejo para
a nossa saúde. Porquê? Porque nos deixa
bem-dispostos e otimistas perante a sua
beleza. Mas cuidado! O loendro é uma
das plantas mais venenosas que temos
em Portugal. Se ingerirmos folhas, flores,
caules, ou raízes (a parte mais tóxica),
podemos encontrar a morte. Portanto,
apreciem-lhe a beleza mas não lhe
toquem, pois até o fumo provocado pela
sua queima, causa intoxicações.
O Nerium oleander L. é arbusto que
cresce nas ravinas, margens dos rios e leitos
secos dos cursos de água. Trata-se de uma
espécie da família das Apocináceae, muito
resistente à seca, poluição atmosférica e
salinidade, mas necessitando de muita
Miguel Boieiro
