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cultura

CSS | 22 de Dezembro de 2017

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Histórias Associativas (29)*

o vozeiro

Manuel da Adiça A versatilidade
ao serviço da União Arrentelense*

Fernando
Fitas

Rui Hélder Feio

Compras de Natal
Agora que se aproxima o período de
festas com muitas compras, trocas e devoluções, falemos do direito do consumidor.
A qualidade dos bens e serviços
é um dos direitos fundamentais dos
consumidores.
Por norma, o comércio nesta quadra para facilitar e promover as vendas, aceita um período de devolução, de
trocas e até, em alguns casos de ressarcimento do valor pago. No entanto, de
uma forma geral a tal não é obrigado.
As vendas de produtos aos consumidores é regulada pela “lei das garantias”
que é aplicável aos contratos de compra
e venda celebrados entre profissionais e
consumidores e com as necessárias adaptações, aos bens de consumo fornecidos
no âmbito de um contrato de empreitada
ou de outra prestação de serviços, bem
como à locação de bens de consumo.
Aqui podemos considerar a «garantia
legal» e a «garantia voluntária».
No caso das compras de Natal, em regra as compras apenas se fazem acompanhar por um recibo de compra e venda,
ou tão-somente um talão. Se a compra é de
um bem normalmente sujeito a garantia,
o próprio recibo é suficiente para accionar
a garantia. Já no caso em que o bem não
está sujeito a garantia, p.ex. uma peça de
vestuário, não existe a obrigatoriedade de
troca, não existe nada na lei que determine o direito à troca de artigos comprados,
ou devolução do valor pago, tudo depende
da política comercial seguida pela loja.
Já nos bens sujeitos a garantia, assiste
ao comprador o direito a que seja reposta a conformidade do bem com o contrato, sem encargos, por meio de reparação
ou de substituição, à redução adequada
do preço ou à resolução do contrato.
O consumidor pode optar por qualquer uma destas opções (exigir a reparação (conserto) do bem, a sua substituição,
a redução do preço pelo qual adquiriu o
bem ou a resolução do negócio), não tendo que aceitar a opção que lhe seja proposta pelo vendedor.
Outro tipo de compras, são os contratos
celebrados pela internet ou por telefone,
tal como nos demais contratos celebrados
à distância, o consumidor goza do direito
de livremente pôr termo ao contrato durante um período inicial da sua vigência.
Trata-se do direito à livre resolução do
contrato ou direito de arrependimento. O
prazo para poder pôr termo ao contrato
livremente são 14 dias seguidos.
Lembro que o cliente pode sempre exigir o livro de Reclamações, quando a solução apresentada pelo comerciante não
estiver em conformidade com o acordado anteriormente ou pela letra da lei.
Escolha os serviços de um profissional,
contacte o Solicitador.
Envie a sua questão para duvidas@ruifeio.pt

Pessoa, igualmente, bastante popular
entre as gentes do velho núcleo populacional de Arrentela, é Manuel Carlos Câmara,
mas tratado pelos seus conterrâneos pela
alcunha de Manuel da Adiça, em consequência de seu pai haver sido conhecido
por Tendeiro da Adiça. Tal epíteto, atribuído pelos antigos moradores da zona ao seu
antecessor, constituir-se-ia numa referência
tão marcante que quase ninguém sabe dizer
quem é Manuel Câmara.
Nascido nesta localidade ribeirinha, há
82 anos, este arrentelense que faz gosto em
ser considerado uma figura típica da terra, encontra-se ligado à Sociedade União
Arrentelense desde a sua adolescência, altura em que integrou pela primeira vez a respectiva direcção. “Fui director da sociedade
aos 14 anos.” Diz.
“Sociedade de Arrentela
Um Alfobre de Músicos”
Segundo Manuel Câmara, ou melhor,
Manuel da Adiça, “nessa época, o número
de famílias que aqui viviam era reduzido.
Logo, para evitar que a colectividade fechasse
as portas, os mais novos tinham que chamar
a si a responsabilidade de a manter em actividade e como a principal era a música a generalidade da rapaziada aprendia esta arte. Esse
ensino, que se prolonga até aos nossos dias,
tem levado à descoberta de muitos talentos.”
Para ele, essas são, a seu ver, as duas
ponderosas razões que conduziram a que
a localidade haja conquistado um lugar de
destaque no mapa das terras que mais tradições musicais apresentam e maior número
de músicos dão às bandas militares. “Há
músicos formados na nossa colectividade,
que exercem hoje a sua profissão na banda
da GNR, da Marinha, do Exército ou da
Força Aérea.” Observa.

218  284  986

934  428  652

RUA QUINTA DA PRATA, 6
TORRE DA MARINHA, 2840-614 SEIXAL

“Era eu,” adianta, “quem imaginava a
ornamentação da sociedade sempre que
havia um baile que se pretendia de maior
nomeada. Havia que arranjar dinheiro para
os fardamentos da banda, para os instrumentos, para pagar ao mestre, enfim, para
essas coisas todas... E este tipo de acontecimentos, constituíam um bom motivo de
receita.”
Mas, na sua óptica, os eventos que mais
trabalho lhe davam e, por via disso, mais
envaidecido o deixavam, eram os denominados bailes da
Primavera. “ Vinha
gente da Cova da
Piedade, de Almada,
de Sesimbra e do
Barreiro, para apreciar a decoração da
casa e participar no
leilão dos respectivos motivos decorativos. Até cá chegou
a vir o locutor Artur

* Excertos de “Histórias Associativas
– Memórias da Nossa Memória – 1º Volume
As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do Seixal. - 2001

Paulo da Gama (c. 1465 - 1499)

na descoberta do caminho
marítimo para a Índia, vindo
a morrer no fim da viagem
de regresso e foi sepultado na
ilha Terceira, nos Açores, na
Igreja de Nossa Senhora da
Guia do Convento de São
Francisco de Angra, atualmente cidade denominada
de Angra do Heroísmo.

Rui Solicitador
Hélder Feio

solicitador@ruifeio.pt
www.ruifeio.pt

“Artur Agostinho Arrematou
Um Cacho de Uvas Por 90$00”

Agostinho, que arrematou um cacho de
uvas por 90$00. Um dinheirão, nesse tempo!” Salienta.
Segundo ainda Manuel da Adiça, “apesar do êxito, essa iniciativa realizava-se só
uma vez por ano, o que era, manifestamente, insuficiente para dissipar as dificuldades.
Por via disso, durante muitos anos, me privei de um borrego que um amigo me oferecia pela Páscoa ou pelo Natal, para o doar
à sociedade, a fim de que esta o rifasse, e
assim, pudesse angariar mais uns tostões.”
Referindo com indisfarçável orgulho
ser actualmente o sócio nº 3 da sociedade,
Manuel da Adiça, realça igualmente que
“por 42 vezes fiz parte dos corpos gerentes
da colectividade,” para de pronto sublinhar
sentir-se, por esse motivo, “ligado a tudo
quanto de melhor nela se fez.”
Histórias, episódios e peripécias contadas
por quem as viveu. ou delas teve conhecimento, através do relato de familiares próximos, e, que, por isso mesmo, se constituem
parte inalienável do vasto espólio cultural
e humano do movimento associativo seixalense.

ROSTOS DO SEIXAL

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Homem de múltiplas facetas, que se
expressam designadamente no domínio da
pintura, Manuel da Adiça, lembra a esse
propósito que os arcos das marchas populares organizadas na SFUA, em 46 e 51, foram
de sua autoria, bem assim como os diversos
cenários das peças representadas pelos grupos de teatro, além de que também é o autor
do emblema Atlético Clube de Portugal.
Ao mesmo tempo que o sino da igreja,
junto à qual habita, assinalava as cinco da
tarde, Manuel da Adiça, acrescentava ter
sido ainda obra sua a decoração da sala para
a realização dos vários bailes que, a pretexto
disto ou daquilo, ali se efectuavam.

Nasceu em Olivença, tornando-se famoso por ser o irmão mais velho de Vasco da
Gama, ambos navegadores dos descobrimentos portugueses. Comandou, já doente, a nau
São Rafael quando acompanhava o seu irmão

"Dotado de um caráter
sereno e prudente, Paulo
da Gama teve grande influência para o
êxito da expedição, não só por defender os
homens perante os ímpetos do irmão, mas
também pela coerência com que comandou
a sua nau".

A sua ligação ao Seixal, deve-se ao palácio
onde habitou na Quinta Vale de Grou, hoje
denominada de Quinta da Fidalga. Aqui assistiu à construção e calafetagem das naus pelos
melhores calafates e carpinteiros-de-machado
seixalenses, embora pouco antes da sua morte,
tenha visto a nau São Rafael ser queimada por
não estar em condições de navegabilidade.

Mário Barradas