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Saúde
CSS | 7 de Dezembro de 2017
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José Torres
Consultor imobiliário
Briónia
Fitoterapia
Miguel Boieiro
A mediação imobiliária
– desconfiamos do que
desconhecemos
Alguns proprietários tentam vender os seus imóveis diretamente aos
compradores (vulgarmente designado
FSBO – For sale by owner, ou em português “vende o próprio”).
O objetivo é evitar os custos com a
mediação imobiliária, o que à primeira vista faz algum sentido. No entanto numa análise, mesmo que superficial, conclui-se facilmente que muito
raramente é uma boa opção.
No “vende o próprio”, tanto os proprietários como os compradores correm um vasto conjunto de riscos de
que muitos ainda não se aperceberam.
Riscos de vária ordem, mas hoje vou
abordar apenas a simples determinação do preço de venda.
Muitos proprietários estão convictos que conhecem bem o valor do seu
imóvel, o que, na esmagadora maioria
das vezes, não corresponde à verdade.
Baseiam a sua opinião pelo que ouvem
dizer, nomeadamente, pela informação que obtiveram sobre o valor da
venda de um ou outro imóvel semelhante ao seu, vendido na sua zona. O
problema é que, em muitas ocasiões,
essas informações não são exatas. A
versão de cada uma das partes difere,
o vendedor tem tendência a inflacionar o preço e o comprador a baixá-lo,
para ambos passarem a ideia que fizeram um bom negócio. Mas mesmo que
se conheça o preço real da venda, essa
informação não é um indicador fiável
e é claramente insuficiente, porque
cada caso é um caso.
Uma das primeiras tarefas do consultor imobiliário (logo após a primeira visita ao imóvel e ainda antes
da angariação) é fazer um Estudo de
Mercado e apresentá-lo ao proprietário (se o não fizer é um sintoma claro
da falta de qualidade do seu trabalho).
Este Estudo de Mercado, utiliza diversas ferramentas que permitem esclarecer o proprietário sobre o valor de
mercado do seu imóvel. Se for completo, é um documento com duas dezenas
de páginas que, entre outras, inclui
uma informação detalhada sobre:
• Imóveis de valor semelhante mediados pela imobiliária: três imóveis que
na altura estão à venda, três imóveis
transacionados no último ano e uma
lista de todos os imóveis transacionados no último ano (ou outro período
se isso se tornar aconselhável).
• A quase totalidade dos imóveis transacionados na região. É um relatório
que utiliza as estatísticas do SIR – Sistema de Informação Residencial, que
é a única base de dados em Portugal
com informação sobre os preços de
venda e arrendamento. Resulta do
tratamento de dados reportados por
mais de 400 empresas de mediação
a operar em Portugal. Serve de referência, entre outras, às instituições
financeiras e às empresas de mediação imobiliária.
Um Estudo de Mercado elaborado
corretamente é a única forma de se
determinar o valor real dos imóveis.
E colocar à venda um imóvel com
um preço diferente, seja superior ou
inferior, resulta normalmente em prejuízo para o proprietário.
Há tempos, estimado amigo, também
apaixonado pela botânica e pela fitoterapia, falou-me da briónia, com grande
entusiasmo. Dizia ele que as bagas da
briónia o tinham curado definitivamente
de arreliadoras infeções cutâneas e passaram, doravante, a integrar a sua provisão
de plantas medicinais.
Mais uma vez se confirma que muitas
plantas tóxicas são, de facto, as mais eficazes para resolver certos problemas de
saúde. Os pacientes devem, contudo, ter
muito cuidado com o seu uso e evitar as
aplicações internas.
Ora, as espécies “bryonia”, de que a
mais conhecida e espontânea no nosso
País, é a Bryonia dioica (Jacq), cucurbitácea rústica e perene que trepa, através de gavinhas, pelos arbustos que se
encontram em valados e sebes, chegando
a atingir três metros. A sua raiz é enorme, mastodôntica, segundo a designação
da obra italiana “Il Talismano – Piante
Officinali”, pois chega a pesar três quilos,
o que é surpreendente numa plantinha
aparentemente tão frágil. As folhas são
pecioladas, palmadas e dentadas, possuindo cinco lóbulos como as da videira.
As flores são pequenas, campanuladas,
amareladas, dióicas (as masculinas estão
separadas das femininas, em diferentes
pés) e surgem nas axilas das folhas. Os
frutos são bagas vermelhas do tamanho
de ervilhas, muito atraentes, mas venenosas, que aparecem no outono e persistem,
mesmo quando as folhas secam.
A briónia contém resinas, taninos, ácidos gordos e diversos constituintes tóxicos
(alcalóides), dos quais, o mais importante
é a brionina.
A planta, fundamentalmente a raiz e
as bagas, possui propriedades antirreumáticas, laxantes, purgantes, diuréticas,
vermífugas, vesicantes, expectorantes e
reguladoras da circulação sanguínea.
A polpa da raiz e o respetivo suco servem para preparar cataplasmas que se
aplicam em reumatismos, nevralgias e
contusões – “Erbe Buone per la Salute” da
editora italiana, Demetra.
As pastilhas homeopáticas “Bryonia
alba D4” são usadas para os acessos de
febre, os reumatismos musculares e articulares, o lumbago e a ciática – “Ces plantes qui guérissent”, de Robert Quinche.
O grande Paracelso, no século XVI,
em “As Plantas Mágicas”, para combater
inchaços da garganta, do ventre e das pernas, recomenda o seguinte: fritar 25 gramas de raiz de briónia em 2,5 dl de azeite
puro, até que o preparado fique escuro.
Aplicar, friccionando sobre a parte doente
e em seguida, colocar uma ligadura.
Abdelhaï Sijelmassi, em “Les Plantes
Médicinales du Maroc”, diz apenas que a
briónia é um purgante drástico e perigoso e que 15 bagas são mortais para uma
criança (40 para um adulto).
Oliveira Feijão, em “Medicina pelas
Plantas”, prescreve o uso interno da raiz
em pó (0,5 a 3 g).
João Ribeiro Nunes, em “Medicina
Popular – Tratamento pelas Plantas Medi-
cinais”, aponta várias mezinhas, entre as
quais, para a cura da hidropisia, a asma e
a bronquite, a maceração de 50 g de bagas
para um litro de vinho, tomando-se duas
ou três colheres diariamente, antes das
refeições.
O “Manual de Medicina Doméstica” de
Samuel Maia, refere o tratamento da sarna, através de uma pomada confeccionada com 5 g de raiz de briónia em pó e 30
g de banha benzoinada, para friccionar à
noite, durante cinco dias.
Pessoalmente, tenho por hábito fazer
uma loção de bagas maceradas em álcool
a 70 graus, a fim de friccionar as partes do
corpo afetadas pelo reumatismo.
Recordando, mais uma vez, que a briónia é tóxica e que, portanto, não é aconselhada para auto terapias internas, refiro
um espantoso uso popular, de que tenho
conhecimento: famílias da Beira Baixa
cozinham os rebentos tenros da briónia
e comem-nos como se como se fossem
espargos. E ainda não morreram!
