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ENTREVISTA
CSS | 27 de Outubro de 2017
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"DESDE 2011 FORAM CORTADAS
CERCA DE 16 CARREIRAS"
Orlando Simões é um dos elementos da recém-criada Comissão de
Utentes dos Transportes – Seixal, cujo principal objectivo é lutar contra
a supressão de carreiras fluviais que se têm verificado no Seixal e na área
limítrofe. O “Comércio” esteve à conversa com Orlando Simões para
saber as formas de luta que a Comissão tem preparadas.
Como surgiu a ideia de criarem uma
Comissão de Utentes dos Transportes?
Esta Comissão de Utentes nasceu agora no
dia 20, quando foi eleita. É composta por sete
pessoas, e surge na sequência do problema
que se tem arrastado desde há várias semanas
e meses, com a supressão de barcos nas
horas de ponta, com especial expressão na
manhã e ao fim do dia. Mas é preciso ter
em consideração que desde 2011 já foram
cortadas cerca de 16 carreiras. Os barcos
que vêm de Lisboa terminam às 23:15, o que
penaliza bastante quem estuda, trabalha ou
quem eventualmente quer ir a um teatro ou a
qualquer espectáculo, ao fim-de-semana isso
é ainda mais grave porque terminam muito
mais cedo.
Tudo isto junto, com estas carências todas
e com o prejudicar das pessoas, e mesmo se
olharmos de uma forma mais profunda, a
própria economia local também é afectada
pela deficiência de transportes públicos.
Desta forma, nós iniciámos uns primeiros
contactos quando o presidente da Câmara
Municipal do Seixal e o presidente da União
das Juntas de Freguesia de Seixal, Arrentela
e Aldeia de Paio Pires fizeram uma viagem
no barco das 8:10 Seixal-Lisboa, falaram
com os utentes, explicaram a posição da
Câmara em termos de apoio à contestação
e apelaram também à reivindicação dos
utentes. Com tudo isto junto, resolvemos
convocar uma reunião de utentes de modo
a eleger uma comissão para ter algum
sentido prático e reconhecido. Já houve uma
primeira reunião com a comissão eleita que
teve lugar no dia 25 de Outubro, pelas 21
horas, onde foram traçadas algumas formas
de reivindicação nomeadamente a questão
de um abaixo-assinado que está neste
momento a decorrer nos barcos através destes
elementos da Comissão de Utentes e através
de outras pessoas que se voluntariaram para
recolher assinaturas. Posteriormente terão
duas vertentes possíveis: ou o Ministério
ou a própria Assembleia da República,
dependente do número de assinaturas.
Neste momento estamos com bastante
adesão, porque hoje – n.d.r. ontem –, dia
26 de Outubro, e ontem – n.d.r. anteontem
– ao fim da tarde, continuaram a haver
inúmeras supressões de carreiras, podemos
mesmo dizer que é uma sim e uma não. O
que está também previsto na nossa forma
de luta é enquadrar as outras comissões de
utentes do Montijo e Barreiro para uma
plataforma de pressão sobre a empresa
e sobre a tutela, para que a manutenção
dos navios, segundo conseguimos apurar
um dos grandes problemas, mais do
quantitativo de barcos existentes, é a
manutenção que está a ser preterida. Os
certificados de navegabilidade são outro
dos problemas que levam as embarcações
a estarem encostadas, apurámos também
que estão encostados há mais de um ano,
e nomeadamente aqui no Seixal, está um
parado no estaleiro. Obtivemos também
a informação de que em Cacilhas estão
outros parados, portanto no cômputo geral
há uma série de embarcações que estão
paradas devido precisamente a estas falhas
de gestão da empresa. E são todas estas
situações que estamos a tentar reverter em
conjunto.
Há outras hipóteses de acção e de luta mais
para a frente, nomeadamente audiências
com os grupos parlamentares e reuniões
com o Ministério da tutela e com a própria
administração da empresa.
Têm sido bem recebidos pela população?
Sim, a recepção pelos utentes tem sido
bastante boa. Claro que todos se sentem
prejudicados e tem-se verificado nestas
duas reuniões que existiram da Comissão.
Iniciámos com 19 elementos e no dia 25 já
tínhamos mais, na ordem das 24 pessoas,
e mesmo assim estavam em falta alguns
que tinham estado na primeira. De uma
forma geral as pessoas estão receptivas.
Também é uma ideia o contacto breve
com a autarquia, com a vereação que está
responsável pela área dos transportes,
como suporte institucional e é óbvio que
não vamos parar.
Existem duas páginas no Facebook
destinadas a esta publicitação dos eventos e
acções. Uma já existia que é “Pela Melhoria
dos Serviços da Transtejo e da Soflusa” e
existe agora outra com o nome “Comissão
Utentes Transportes - Seixal”, através
destas páginas vamos divulgando as acções
e pretendemos que as pessoas também
nos contactem, dêem a sua opinião e
sugestões, e que no fundo engrossem todo
este movimento. Temos também um mail
inerente à Comissão de Utentes que é
cuts.seixal@gmail.com, para recebermos
todo o tipo de contactos que possam ser
pertinentes para este tipo de acção.
De que forma é que a autarquia pode
ajudar a pressionar a empresa na questão
dos transportes ou a ajudar a Comissão de
Utentes?
A autarquia já teve em Junho uma reunião
com o Ministro da tutela, precisamente a
aflorarem, houve um documento que foi
assinado pelas entidades, para pressionar
a resolução rápida ou atempada deste
problema. Nós o que pretendemos é que a
autarquia nos ajude nesse campo das relações
institucionais, porque é óbvio que tem mais
muito mais peso em termos institucionais,
e que basicamente seja este tipo de apoio
e qualquer outro apoio logístico que seja
necessário. Uma acção com mais volume e
que sejam necessárias pessoas ligadas à área
institucional.
Temos também em vista marcar uma
reunião com o vereador que está encarregue
deste pelouro. E mesmo em termos
intermunicipais, uma vez que pretendemos
reunir com as Comissões de Utentes do
Barreiro e Montijo, também em termos
institucionais com as autarquias limítrofes,
realizarmos acções mais profundas.
Essa plataforma de entendimento com
as populações limítrofes do Seixal pode
ajudar ainda mais a pressionar a empresa?
Eu creio que sim porque o problema é comum,
a administração da empresa Transtejo e
Soflusa é exactamente a mesma, e como tal,
uma frente mais forte que cubra toda a zona
Sul de Lisboa, será uma mais-valia.
Pelo menos estamos convencidos que tanto
em termos de empresa como de pressionar
o próprio Ministério. As verbas que estão
destinadas à recuperação da empresa,
falou-se em cerca de 10 milhões de euros,
o que parece que é ligeiramente abaixo do
orçamento do ano anterior, provavelmente
não irá ser o suficiente para a resolução do
problema na íntegra, portanto terá de haver
mais pressão sobre o Ministério e sobre as
entidades supervisoras.
Nós sabemos que houve uma reunião entre
o MUSP – n.d.r. Movimento de Utentes de
Serviços Públicos – e a empresa, em que eles
prometeram que não se iriam repetir os casos
até agora existentes, mas o certo é que isto foi
no início da semana passada e ontem e hoje já
voltaram a repetir-se os mesmos problemas.
Todo este apoio supomos que seja uma mais-
‑valia para esta luta.
nosso alvo seriam as 4 mil assinaturas, para
poder ir à Assembleia e descer a plenário, mas
se não conseguirmos chegar aí em tempo
útil, ou seja daqui a uma semana ou máximo
dos máximos duas semanas, iremos para o
Ministério.
Têm intenção de alargar essa luta a outros
transportes?
Isto há também outras vertentes.Depois de
tentarmos arranjar uma solução mínima
para este problema dos barcos, pretendemos
ter uma abrangência com os outros
transportes públicos. Nomeadamente
aqui na zona, e que afectam os próprios
utentes do barco, são os TST. Há uma
descoordenação total entre a chegada
dos passageiros dos barcos e a partida
dos autocarros, muitas das vezes o barco
chega e o autocarro já está a sair, e à noite
isto torna-se problemático. Portanto uma
das intenções desta Comissão de Utentes
neste momento é o enfoque nos barcos, nos
transportes fluviais, mas posteriormente
O abaixo-assinado tem alguma data a intenção é alargar aos utentes da TST e,
quem sabe, aos da própria Fertagus.
limite?
Vamos tentar ser mais breves possíveis, para
João Domingues
tentarmos atingir perto do que queríamos. O
