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CULTURA
CSS | 27 de Outubro de 2017
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HISTÓRIAS ASSOCIATIVAS (24)*
O VOZEIRO
CAETANO VERÍSSIMO
Rui Hélder Feio
Justiça.gov.pt
Na sequência de um artigo publicado
anteriormente nesta coluna sobre o
lançamento do site www.Justiça.gov.pt,
pode agora realizar por si mesmo ou num
escritório de Solicitador ou de Advogado,
os seguintes serviços:
– Agendar pedido do Cartão de Cidadão
– Agendar pedido do passaporte
– Apresentar queixas sobre a prestação dos
serviços dos organismos do Ministério da
Justiça
– Associação na Hora,
– Balcão Casa Pronta
– Balcão Divórcio com Partilha
– Balcão Heranças
– Biblioteca da Justiça
– Cobrar alimentos no estrangeiro
– Colocar anúncio para o exercício do
direito legal de preferência
– Consultar certidão de casamento
– Consultar certidão de nascimento
– Consultar certidão permanente comercial
– Consultar certidão permanente predial
– Consultar certificado de admissibilidade
de firma ou denominação
– Consultar citação edital
– Consultar contas anuais
– Consultar diligências marcadas
– Consultar distribuição de processos
judiciais
– Consultar documentos do processo
de injunção
– Consultar lista pública de execuções
– Consultar o meu processo executivo
– Consultar publicidade do PER
e insolvências
– Consultar venda de bens em processos
declarativos
– Consultar venda de bens penhorados
– Custas processuais
– Declarar um óbito
– Depositar documentos particulares
autenticados
– Design
– Empresa na Hora
– Empresa Online
– Espaço e Linha Justiça
– Iniciar processo de casamento
– Iniciar processo de divórcio
– Justiça no meu caso
– Marca na Hora
– Nascer Cidadão
– Pedir e consultar registo criminal
de pessoas
– Pedir informação estatística
– Pedir mediação familiar
– Pedir mediação laboral
– Pedir registo comercial
– Pedir registo predial
– Registar automóvel
– Registar nascimento
– Registar procurações
– Revalidar carta de condução
– Saber se existe testamento
– Serviços B2B
– Simulador – Quanto custa comprar casa
– Simulador – Taxas de Justiça
– Sucursal na Hora
Escolha os serviços de um profissional,
contacte o Solicitador.
Envie a sua questão para
duvidas@ruifeio.pt
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ÁGUA TIRADA
DOS POÇOS E BAILES
À LUZ DO PETROMAX
Retomando o fio à extensa lista de histórias
em volta da União Arrentelense, Caetano
Veríssimo, refere, igualmente, recordarse das orquestras de jaz que animavam
os habituais bailes que regularmente
nela tinha lugar. “Era a realização desses
bailes que safavam a colectividade,” realça
“porque nessa altura esta vivia com muitas
dificuldades.
Estamos a falar de um período em que não
havia água ‘encanada’, nem electricidade”
sublinha. “ E a maioria dos habitantes
da terra, eram operários da Mundet,
Wicanders ou dos lanifícios, debatendose com grandes privações, porque os
ordenados eram extremamente baixos.”
Tal quadro vivencial instigava, obviamente,
a imaginação de quantos a ele estavam
sujeitos, em ordem a encontrar soluções
que facilitassem as suas condições de
vida. O exercício imaginativo estendia-se,
como se compreende, também aos corpos
directivos da colectividade, sobretudo, no
concernente aos aspectos que se prendiam
com o bom funcionamento do bar e com
a limpeza das instalações sanitárias.
Nesse sentido, resolveram instalar
no telhado do edifício um pequeno
reservatório, regularmente cheio, à força
de pulso, por meio de baldes de água,
recolhidos nos três poços envolventes à
sede.
O mesmo se poderá dizer quanto à falta
de luz, pelo que a iluminação da sociedade
se processava através de uns gasómetros
a carboneto. Mais tarde, substituídos por
uns petromaxes a petróleo. “O problema,”
salienta, “é que só havia dois. Numero que
sendo manifestamente insuficiente, nos
colocava, como é de ver, um sem número
de dificuldades quando se realizava uma
festa ou um baile.”
Aflições essas, que se acentuavam sempre
que algum deles queimava a respectiva
camisa. “Quando isso acontecia,” diz,
“ficávamos à média luz, durante o
tempo necessário ao arrefecimento da
cabeça e à consequente substituição da
camisa. Parecia que a festa ou baile, se
transformava, subitamente, numa espécie
de velório. Enfim, uma tristeza.”
Retratos de uma época marcada pela
constante exigência de sacrifícios a quantos
se entregavam à causa associativa, na
primeira linha dos quais, se encontravam
os filarmónicos que frequentemente se
deslocavam, a pé, com os instrumentos
debaixo do braço, até aos locais onde iam
a actuar.
“As posses da sociedade não nos permitam
que tomássemos a camioneta, logo, íamos
e vínhamos a pé, quer fosse para a Amora,
quer para Paio Pires, ou mesmo para o
Seixal.” Acentua Caetano Veríssimo que
ao longo das várias décadas de ligação que
mantêm à SFUA, passou por quase todos
os corpos directivos da agremiação.
Fernando Fitas
a responsabilizar-se pelo pagamento,
se, acaso, alguma das prestações não
obtivesse boa cobrança na data aprazada.
“Tínhamos, nós próprios que ser os
fiadores da colectividade junto das casas
que comercializavam os instrumentos,
para que estas autorizassem a sua venda
a crédito. O mesmo sucedia quanto às
reparações. De outro modo, nada feito, não
havia instrumento para ninguém. Uma
inquietação, levada da breca!” Assegura.
“Mais digo ainda: os ordenados da
generalidade da massa associativa eram,
nesse tempo, tão baixos, que a quotização
mal dava pagar o mísero vencimento do
contínuo, sendo que este recebia, somente,
trinta e cinco escudos/mês. E se o homem
se fartava de trabalhar!.. Trabalhava que
nem um mouro. Aliás, era ele quem
acarretava numa bilha, com capacidade
superior à de um desses barris de madeira,
toda a água necessária ao funcionamento
da colectividade.” Salienta.
Precisando o índice dos salários, então,
praticados, Caetano Veríssimo, esclarece,
igualmente, que quando começou a
trabalhar foi vencer 2$50/dia e quando
casou, ganhava 7$50 por semana. E o que
se passava consigo, passava-se, de resto,
com os operários das demais fábricas do
concelho. “Ora, com ordenados desta
Compra ou reparação de instrumentos
pagas a prestações sob fiança de um
director
De acordo com o conhecido filarmónico
da SFUA, “ os músicos da banda não
auferiam nenhum tipo de vencimento. E
quando recebiam alguma importância,
esta limitava-se, exclusivamente, ao
pagamento das horas de dispensa não remuneradas - concedidas pelos
responsáveis das diversas fábricas,
mediante prévia solicitação formulada,
nesse sentido, pela colectividade. Mas,”
acentua, “isso só acontecia, nos casos em
que a banda era contratada para ir actuar
fora do concelho.”
Por mor dos constrangimentos financeiros
que permanentemente apoquentavam
este tipo de instituições, a compra de
instrumentos constituía, invariavelmente,
uma aflitiva dor de cabeça para os
seus directores, que se viam forçados
dimensão,” afirma, “não era possível
cobrar quotas cujo valor se reflectisse,
pesadamente, na bolsa das pessoas.
Por essa razão, o seu valor era de 2$50
mensais.
Só o Dr. Alfredo Reis, dono da Quinta
da Fidalga” acrescenta “e o senhor João
Guilherme Carvalho Duarte, proprietário
da Quinta da Soledade, homens de muitas
posses, nessa altura, é que pagavam,
respectivamente, 3.000 e 1100$00 por
mês. Quase uma fortuna! Todos os outros,
ficavam-se pelos vinte e cinco tostões, ou,
no máximo, pelos três mil Réis.”
*Excertos de “Histórias Associativas- Memórias da
Nossa Memória – 1º Volume As Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do Seixal - 2001
