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ENTREVISTA
CSS | 27 de Outubro de 2017
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"NÓS LEVAMOS A MENSAGEM DO SEIXAL
PARA FORA DO CONCELHO, E LEVAMOS
A IMAGEM DO BENFICA PARA FORA DO SEIXAL"
,
A Casa do Benfica do Seixal comemorou no passado dia 19 de Outubro
o 10.º aniversário da sua inauguração. Paulo Lopes, o actual Presidente
falou ao “Comércio” numa entrevista onde fez um balanço da presença
da Casa do Benfica no Seixal e do objectivo de ter formação de atletismo
e mais modalidades.
Qual o balanço que fazem destes 10 anos?
Eu não vou falar dos 10 anos, vou falar
dos seis anos em que estive envolvido no
projecto Casa do Benfica do Seixal porque
dos quatro anos para trás não posso falar
muito, quem presidiu foi a Dr.ª Ana Reis e
eu não tenho um conhecimento válido do
que foi feito. Sei que construiu alicerces para
uma nova Casa do Benfica, uma nova sede
onde ainda hoje está instalada, no Mercado
Municipal do Seixal, no antigo restaurante
O Judeu. O próprio Benfica, a organização e
administração acharam, que era importante
nós termos uma Casa do Benfica no Seixal
dado que tínhamos ali também o Centro
de Estágios, então arranjaram o espaço
condigno e fizeram aquela casa com a nova
imagem das Casas do Benfica.
Entrei para associado no dia da inauguração,
a partir desse momento comecei a frequentar
a Casa do Benfica e quem lá estava sempre
achou que eu seria uma mais-valia como sócio
e como futuro dirigente da Casa, e foi isso
que aconteceu. Quatro anos depois, entrei
para Vice-Presidente da Casa do Benfica
a convite da Dr.ª Ana Reis, que eu duma
maneira singela a quero homenagear pela
“casa às costas”, ela e as outras colaboradoras.
Não vou mencionar nomes para o caso de
esquecer-me de alguém, mas tenho a Dr.ª
Ana Reis como referência, como uma grande
benfiquista deste Concelho e como grande
impulsionadora da Casa do Benfica do
Seixal. Tudo o que sabia e sei hoje, também o
devo à Dr.ª Ana Reis, como ela também sabe,
e estou à vontade para dizer, que aprendeu
muita coisa comigo.
É esse o balanço que posso pensar, cheguei a
uma Casa que me agradou bastante, agarrei-me
às pastas todas para perceber onde seria útil, e
fiz um pouco o trabalho que Luís Filipe Vieira
fez no seu início no Sport Lisboa e Benfica,
agarrei-me a tudo: visitei, telefonei, apareci e a
Casa hoje está como está, com uma imagem
satisfatória, não só para o Concelho do Seixal,
mas também para o próprio Benfica que viu
em nós uma referência aqui no Concelho.
Ou seja, nós temos um grande nome por trás,
mundial e claro que também temos as nossas
fraquezas e os nossos adversários vêem em
nós uma ameaça. Temos sentido isso, o nosso
crescimento causou inveja a muita gente aqui
no Concelho, desde castigos a jogadores do
Futsal, alguns dos nossos jogadores também
não perceberam onde estavam, acharam que
era uma colectividade como qualquer outra,
e com o maior respeito para com todas as
colectividades do Concelho. Há muito que
pertenço ao movimento associativo e sei o que
é o movimento associativo neste Concelho,
mas houve situações de mentalidade de
atletas e cidadãos do Concelho que eu não
concordo e que pensam que somos só mais
um. Não somos só mais um, somos um no
Concelho e importante para o país, não é à
toa que quando visito as Casas do Benfica no
Norte de Portugal que ficam satisfeitas com o
trabalho que é feito por esta Casa. Eu tenho a
facilidade de explicar aos presidentes das Casas
o trabalho que é feito e eles ficam maravilhados
porque lá não conseguem fazer. Nós levamos
a mensagem do Seixal para fora do Concelho,
e levamos a mensagem do Benfica para fora
do Seixal. É esse o nosso trabalho, à Cosme
Damião.
Vou aproveitar ter mencionado o Futsal.
No início, a Casa do Benfica do Seixal
era apenas um pólo de encontro dos
benfiquistas do Concelho. Além do pólo,
que continua a ser, é também uma casa
de desporto, têm atletismo, futsal e pesca
desportiva.
Precisamente. Tivemos caminhada, estamos
a tentar revitalizá-la, e estamos com ideia de
implementar a Sueca, mas voltando atrás,
de facto o atletismo é a modalidade mais
forte da casa, nem é o futsal. Posso dizer que
iniciei o projecto com três atletas, a pedido
da Dr.ª Ana Reis, e hoje somos perto de
60. Crescemos devagarinho, ocupamos a
posição quatro no Concelho, e posso dizerte que fora do Seixal já somos bastante
conhecidos ao ponto de sermos muitas
vezes convidados para eventos de outras
Casas. Claro que a tendência é melhorar, a
tendência é um dia termos formação, é esse
um dos nossos objectivos, ter formação para
condignamente podermos representar o
Benfica em termos federados, seja em pista
ou corta-mato, porque um dos objectivos das
Casas é formar o atleta e o homem para um
dia ir para a casa-mãe. A Casa do Benfica
de Paredes é um exemplo disso, o Rui Silva,
que hoje está no atletismo do Benfica é um
dos grandes nomes do atletismo ao nível
nacional, nasceu desportivamente na Casa
do Benfica de Paredes, e nós também temos
o mesmo objectivo, ter um atleta ponto de
referência do Seixal no Benfica.
Falou em cerca de 60 atletas só no
atletismo, que são de variadas idades,
a maioria são do escalão de sénior para
cima, mas têm ainda alguns jovens.
Como é que esses jovens vieram parar ao
atletismo da Casa do Benfica do Seixal?
São os filhos de alguns atletas, são os
sobrinhos ou mesmo vizinhos dos nossos
atletas. Temos sido procurados por outros
pais na vertente de formação mas sempre
lhes disse que neste momento não dá, não
temos ninguém que os forme, pensamos ter,
mas neste momento não. Onde é que temos
apostado? É na malta mais experiente,
de mais idade, e temos tido frutos. Eles
próprios trazem atletas de outros lados,
eles gostam do ambiente e ficam.
Ainda há pouco tempo tivemos no
Corta-Mato das Seixalíadas e vi esse bom
ambiente. Os nossos atletas junto dos outros,
a amizade que existe entre todos, e entre as
colectividade deste Concelho e não só. Há
colectividades que vêm doutros lados, que
assiduamente vêm ao Seixal, e têm essa boa
relação connosco e sabem quem nós somos.
E o futuro? Passaram 10 anos, o que
falta fazer, o que se pode esperar para os
próximos anos?
A ideia é o crescimento e para esse crescimento
também a Casa tem de crescer, se calhar ter
outra visibilidade que não tem, arranjarmos
um outro local condigno e com visibilidade
e que os benfiquistas tenham orgulho na
Casa e venham mais vezes. Não é ter a Casa
onde ela está e estar fechada durante a parte
nocturna, nós queremos que os benfiquistas
comecem a frequentar a Casa à noite, porque
é uma Casa com sistema de bilhética e que
os benfiquistas tenham esta Casa como
referência para a compra de bilhetes.
Só durante a parte diurna é que a frequentam
para a compra de bilhetes e à noite também
tem de ser. O sítio onde ela está neste
momento é um local não apropriado para se
andar durante a noite porque tem pouca luz
e quem lá vai pode ter receio de lá passar, e
nós precisamos de mais visibilidade. Estamos
à procura, há umas propostas engraçadas e
vamos tentar que isso aconteça. Mas o futuro
é o crescimento, não só no local mas também
em modalidades…
Que modalidades gostava então de
implementar na Casa do Benfica do
Seixal?
Se calhar o Andebol, o Xadrez, as Damas,
a Sueca… Termos aquelas modalidades de
pavilhão como o Voleibol, o Basquetebol
e a Casa de Benfica de Palmela é uma
referência nessa modalidade. O Montijo
também o tem. O Seixal é conhecido pelo
basquetebol a nível nacional e quem o diz
que nós não o possamos ser também? É
uma questão a aprofundar, desde que haja
patrocínios e as entidades estejam atentas a
essa situação.
Mas por enquanto Futsal e Atletismo são
o futuro, como o futsal pode sê-lo a nível
distrital. Já fomos convidados a participar
a nível distrital mas financeiramente não
podemos, as taxas de inscrição são muito
altas, a própria deslocação entre o Seixal e
outras localidades é complicada, não temos
veículo próprio, temos de andar com veículos
da Câmara Municipal ou com os nossos
veículos e neste momento ainda não. Mas
já pensamos que daqui a dois ou três anos
estarmos na Distrital e já estamos a fazer
uma equipa nova no Futsal, com malta nova,
terem ideia do que é a Casa e irmos para a
Distrital. E não sei se sabem, mas esta Casa
já tem o nome marcado no Sport Lisboa
e Benfica em termos de história, fomos a
Campeã Mundial da 3.ª Edição do Mundial
de Casas do Benfica, no Estádio da Luz.
Fomos os campeões mundiais e temos a
Taça da nossa sede, para quem quiser vê-la.
Tivemo-la exposta nas festas populares e a
população ficou admiradíssima porque não
sabia, e claro que foi com os jogadores que
estiveram cá no passado, passado esse que
deixou de existir e agora temos é de pensar
no futuro, com outros objectivos e com outra
formação a nível de homem e de atleta, é por
aí.
Não posso deixar de agradecer à colectividade
do CRD das Cavaquinhas pelo facto de
ser a nossa casa-mãe em termos de Futsal, é
aqui que iniciamos o campeonato, estamos
mais perto do Seixal. No passado estávamos
no CDC Casal do Marco, e uma palavra
de agradecimento para com eles porque
durante todos estes anos, na pessoa do actual
presidente em exercício que é o Bruno Ramos,
nos acolheu e nos ofereceu as melhores
condições possíveis, mas nós entendemos
que temos de estar próximos dos seixalenses.
Temos de estar perto da nossa casa, e então
o objectivo Cavaquinhas é por aí, para ver se
os benfiquistas nos acompanham. Porque
é engraçado que em cada colectividade que
visito, todos me dizem que lá é que é a casa
do Benfica. Vejo sempre as colectividades
cheias, ao contrário da Casa do Benfica que
não a vejo, será que é do local, será que não
está entranhado, será que é das colectividades
terem muitos anos e os benfiquistas já as
frequentam há muito tempo… O facto é
que essas colectividades onde entro, até nas
Cavaquinhas me dizem isso, gosto de ouvir
e agora vamos ver se efectivamente acontece
nos jogos.
Quero também fazer um agradecimento
ao Poder Local, à Câmara Municipal
do Seixal por todas as condições que
nos tem dado, à Junta de Freguesia
do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio
Pires também pelo apoio que nos tem
dado, e não esquecendo todas as outras
freguesias que sabendo que a Casa do
Benfica do Seixal existe e sabem que não
é exclusiva do Seixal, é uma Casa de todo
o Concelho do Seixal. Há quem também
tenha historicamente a ideia de que Seixal
e Amora não possam coexistir, eu sou
almadense, não pertenço ao Concelho e a
minha ideia é completamente o contrário,
nós somos a Casa do Benfica de todo o
Concelho do Seixal, não só da freguesia.
