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ENTREVISTA
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ASSOCIAÇÃO DE PARALISIA
Celino Cunha Vieira
EDITORIAL
Como já por várias vezes tenho
afirmado, estou farto de tanta hipocrisia.
E não me refiro à meia dúzia de
“pensadores” que só escrevem palermices
sobre este jornal no “facebook”, porque
não têm o mínimo de credibilidade e
não me merecem qualquer consideração.
Refiro-me sim aos responsáveis por mais
de uma centena de mortes que poderiam
ter sido evitadas na sua maioria se
houvesse humildade e competência para
tal. Por parte do governo já ouvimos
milhentas desculpas sobre os incêndios e
em nenhuma delas é assumida qualquer
responsabilidade sobre os mesmos.
Agora, quando se começam a revelar
algumas das causas, grande parte do
país fica indignado. E é só uma parte
do país porque a outra parte quer
encontrar desculpas para defender
a sua bandeira partidária, enquanto
outros, comprometidos com a bandeira
do parceiro, vão desenterrar tantos
argumentos do passado, que ainda
chegam ao D.Dinis por se ter lembrado
de mandar plantar um pinhal lá para os
lados de Leiria.
Assumamos que todos somos
responsáveis, uns mais que outros,
porque quando votamos estamos a
escolher quem nos deve governar,
mas num caso como este deixemos
as esquerdas e as direitas para outras
ocasiões e gritemos de raiva por aqueles
que já não o podem fazer.
Não se pode admitir que um
Secretário de Estado da Protecção
Civil diga que “têm de ser as próprias
comunidades a ser proactivas e não
ficarmos todos à espera que apareçam
os nossos bombeiros e aviões para nos
resolver os problemas”, assim como
a senhora ministra dizer que a sua
demissão não iria resolver nada porque
o que era necessário no momento era
agir. Não se entende é porque não agiu
nem reagiu, acabando por se demitir
“por dignidade”, seja lá o que isso possa
significar. Coitada da senhora que
segundo revelou, não teve férias. Mas
infelizmente todos aqueles sessenta e tal
que morreram em Pedrógão também
não as tiveram.
A ex-ministra devia era ter feito o que
o seu chefe Costa fez, que nessa época
estava a banhos numa ilha espanhola,
deixando cá os “ajudantes” – como
dizia o outro de Boliqueime – a tratar
dos incêndios e do roubo de material
militar.
E já que o senhor Primeiro-Ministro
afirma que “seguramente situações como
as vividas no domingo vão repetir-se",
teremos de nos apetrechar com alguma
antecedência, distribuindo baldes e
regadores de plástico e até diuréticos pela
população envelhecida das aldeias mais
remotas. Se não conseguirem apagar
os incêndios com água, pode ser que o
efeito do medicamento possa ajudar.
Director: Fernando Borges - CP1608
Registo do título: 125282
Depósito Legal: N.º 267646/07
Contribuinte N.º 194 065 499
Propriedade e Editor: Ângela Rosa
Hoje comemora-se o dia Nacional da Paralisia Cerebral. Este dia foi implementado com o objetivo de combater
o preconceito em relação a pessoas com esta condição. O “Comércio” esteve à conversa com José Patrício,
presidente da Associação de Paralisia Cerebral de Almada e Seixal (APCAS), de forma a conhecer qual o trabalho
desenvolvido pela associação no combate a este estigma social.
Em que área geográfica a associação exerce
a sua actividade?
Apesar do nome da associação contemplar
Almada e Seixal, a nossa área de intervenção
é muito maior. Actualmente, trabalhamos
não só nos vários concelhos da península de
Setúbal como também na Área Metropolitana
de Lisboa. Essencialmente, a nossa área de
domínio é o desporto adaptado, trabalhando
na maior parte das vezes em parceria com
escolas.
Qual é a principal missão da APCAS?
A nossa grande missão passa por trabalhar
permanentemente na inclusão de pessoas
na sociedade, não só com paralisia cerebral,
mas com qualquer grau de deficiência em
geral. Não se trata apenas de lutar por
direitos, trata-se de mudar mentalidades.
Estas mudanças têm de partir da própria
pessoa, da família e da comunidade em
geral. Só deste modo será possível que estas
pessoas se afirmem perante si e perante a
sociedade, tendo uma participação mais
activa na comunidade. A maior parte destas
pessoas, durante muitos anos, viveram muito
fechadas, muito resguardadas, achando que a
sua condição seria o motivo que os obrigava a
ser mais passivos na sociedade. E nós sempre
batalhamos por isto: inclusão, participação e
cidadania para todos.
Falou-nos que trabalham além das áreas
do Seixal e Almada, nomeadamente em
toda a península de Setúbal e na Área
Metropolitana de Lisboa. De que forma
é que esses municípios têm ajudado a
associação?
Nós temos colaborado imenso com os
diferentes municípios, com alguns de uma
forma mais pontual como quando somos
convidados a participar ou a dinamizar
alguma actividade. Com muitos outros
através de contratos programa, ou seja, onde
são estabelecidos programas de intervenção
anual. Esses programas vão desde o trabalho
com escolas dos concelhos, instituições de
idosos, com outras entidades ou directamente
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com as próprias autarquias. É traçado
um plano de trabalho que envolve várias
componentes, passando desde o desporto à
formação, e havendo um acompanhamento
de perto, quer por parte da instituição quer
por parte da autarquia, da forma a seguir
o desenvolvimento dessas actividades.
Estes contratos programa, garantem um
trabalho mais duradouro, não só pelo seu
resultado final, mas por ser um trabalho
de continuidade e de grande envolvência
de muita gente desses concelhos. O que
temos verificado ao longo dos anos é que
progressivamente vamos aumentando o
número de contratos programa com os vários
municípios, reflectindo-se na qualidade de
vida das pessoas com deficiência residentes
nesses concelhos.
Que actividades é que a Associação tem
feito ao longo dos anos para combater o
estigma que a população “geral” sente em
relação à pessoa com deficiência, e se ainda
se sente esse estigma?
O estigma ainda se sente um pouco. Tudo
o que são mudanças de comportamento e
atitudes numa civilização demora muito
tempo, são coisas que atravessam algumas
gerações. As coisas têm vindo a melhorar
substancialmente, o povo português é um
povo tradicionalmente solidário, mas é
um povo mais virado para a solidariedade
pontual do ajudar e não propriamente
para o acolhimento enquanto par. Estas
pessoas acabam por ser um bocadinho
marginalizadas em muitas questões da
participação a começar logo pelo emprego,
por exemplo, têm muito mais dificuldade
na entrada do mercado de trabalho. Nas
actividades que desenvolvemos, eu destacaria
três grandes blocos de trabalho. Um dos
blocos tem a ver com a componente especial
da reabilitação onde temos um centro de
atendimento, apoio e reabilitação social para
pessoas com deficiência. Acompanhamos
cerca de 40 agregados familiares, e portanto
é um trabalho que é feito com a família, com
Director Adjunto: Celino Cunha Vieira TE1218
Directora Comercial: Ângela Rosa
Paginação: Paulo Ramos de Sousa
Repórter: Fernando Soares Reis CP6261
Colaboradores: Adriana Marçal, Agostinho António Cunha, Alvaro
Giesta, Dário Codinha, Fernando Fitas CP2760, José Henriques,
José Lourenço, João Araújo, Jorge Neves, João Domingos CO-1693,
José Mantas, José Sarmento, Maria Vitória Afonso, Maria Susana
o objectivo de desenvolver-lhes competências.
Colaboramos no desenvolvimento de
competências de autonomia, promovemos
a independência das pessoas e de alguma
forma também a reintegração social destas
famílias. Quando acontece o nascimento ou
uma situação de deficiência num agregado
familiar, normalmente esse agregado acaba
por se afastar de toda a vida social que sempre
teve, e portanto trabalhamos muito essas
áreas de competências.
Temos um outro domínio extremamente forte
na instituição que é a área do desporto e da
formação. No desporto adaptado temos feito
imensos projectos inovadores, acabámos de
lançar no passado dia 26 de Setembro, 5.000
colecções de livros. Fizemos uma colecção em
parceria com a Faculdade de Motricidade
Humana, o Ministério da Educação e a
Câmara Municipal do Seixal, lançamos deste
modo os maiores especialistas em Portugal
em desporto adaptado e fizemos 21 livros, 20
são de modalidades diferentes e um manual
geral que tem aspectos transversais.
Estes livros são ferramentas de trabalho
para os professores e para os técnicos.
Actualmente os alunos com deficiência estão
todos integrados na escola, e os professores,
nomeadamente de Educação Física, vêem-se
a braços com uma grande dificuldade que é
como desenvolver as diferentes modalidades
com uma diversidade tão grande de alunos.
Como desenvolver o voleibol com um aluno
em cadeira de rodas, como fazer futebol com
um aluno cego, e portanto, estes livros trazem
isso, trazem ferramentas, trazem estratégias,
trazem metodologias para que os professores
consigam adaptar essas 20modalidades às
diferentes realidades que têmpela frente. E se
numa 1.ª edição nós lançámos 200 colecções,
agora em 26 de Setembro lançámos a 2.ª
edição, 5.000 colecções de livros, que
contaram com o patrocínio do Presidente da
República, teve o financiamento da Secretaria
de Estado do Desporto e da Secretaria de
Estado para a Inclusão, e ainda das Câmaras
Mexia, Mário Barradas, Miguel Boieiro, Paulo Nascimento, Paulo
Silva, Pinhal Dias, Rúben Lopes, Rui Hélder Feio, Vitor Sarmento.
Impressão: Funchalense - Empresa Gráfica, S.A.
Tiragem: 15.000 exemplares
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