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Cultura
CSS | 11 de Agosto de 2017
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Histórias Associativas (20)*
o vozeiro
Rui Hélder Feio
Perguntas e respostas
Memórias da Filarmónica
nascida entre os operários
dos lanifícios
musical, actividade que manteve
até 1914.
No entanto, considerando que
o trabalho conjunto, seria mais
profícuo para o desenvolvimento
da missão que ambas as
colectividades
perseguiam,
entenderam
os
respectivos
dirigentes proceder à fusão das
duas agremiações, processo que,
a ajuizar pelos registos que até nós
chegaram, se caracterizou por um
clima de bom senso.
Esse ambiente de concórdia e
de reunião de boas vontades,
mobilizador do esforço de todos,
permitiu, não só evitar eventuais
feridas decorrentes de rivalidades
estéreis, mas acima de tudo,
assegurar o êxito do aparecimento
da actual sociedade.
Pretendo adquirir um automóvel
novo e tenho deficiência motora, tenho de pagar o Imposto sobre veículos?
Terá, se a sua percentagem de deficiência motor for superior a 60 e se o
automóvel não exceder os 160 g/Km
de CO2 e até ao limite de 7800 Euros,
tenha uma limitação funcional devido
às alterações na estruturas e funções do
corpo, ou tenha dificuldade em andar
na via pública sem auxílio de outrem ou
utilizar próteses, ortóteses, cadeira de rodas ou muletas, ou elevada dificuldade
de acesso ou utilização de transportes
públicos.
Também no caso de se tratar de um
deficiente profundo, com deficiência
superior a 90%, e que tenha acentuada dificuldade em andar na via pública
sem a ajuda de outrem ou que use meios
de compensação como muletas ou tenha
grandes dificuldades de aceder a transportes públicos, ou estejam impedidos
de conduzira automóveis. Caso o veículos seja adaptado para deficientes que
se movam em cadeira de rodas, o limite
pode subir para 180g / Km. Os deficientes visuais com grau superior a 95% estão dispensados do pagamento de ISV.
Vendi um automóvel mas tenho
receio que o comprador não proceda
ao registo. Se tal acontecer como devo
fazer?
Quem vende também pode proceder
à alteração do registo. Sugiro que aguarde 60 dias e caso o comprador não tenha efetuado o registo, dirija-se a uma
conservatória de registo automóvel ou
ao escritório de um Solicitador para requerer à alteração. Deve apresentar um
comprovativo de venda onde constem os
dados do veículo e dos intervenientes.
Após a recepção desta informação, o
comprador é notificado para proceder
ao registo ou opor-se. Caso o comprador
forneça dados ou não o faça, o Conservador tem a possibilidade de registar ou
mandar apreender o veículo.
Tanto o pedido como a apreensão
pode ser avaliado no prazo máximo de
dois anos.
De acordo com vários documentos existentes
no museu da agremiação, cuja origem é
atribuída a diversos testemunhos recolhidos
junto de antigos habitantes da localidade, a
fundação da Sociedade Filarmónica União
Arrentelense, remonta a 1872, ano em que
o gosto pela música levou os operários da
extinta Fábrica de Lanifícios de Arrentela
a decidirem pela constituição de uma
filarmónica.
Segundo ainda os referidos escritos, tal
ocorreu por altura da visita efectuada pela
Rainha D. Amélia ao citado estabelecimento
fabril, acontecimento que estaria, aliás, na
atribuição do nome de Real Sociedade Fabril
Arrentelense, designação que, para além
de aludir às suas origens, visava, também,
manifestar à soberana o reconhecimento dos
trabalhadores por tão honrosa a visita.
Esse gesto, sabe-se, agradou de tal forma aos
proprietários da fábrica, que ordenaram ao
seu director, de apelido Roldão, para liquidar
o valor total do fardamento da banda
Todavia, o aparecimento desta agremiação
instigaria, no entanto, um conjunto de
moradores do lugar a encetar igualmente
diligências tendentes à constituição de outra
sociedade. Assim nasceu, algum tempo
volvido, a Real Sociedade Filarmónica
Honra eGlória Arrentelense que tinha como
principal objectivo o incremento da arte
Neta de um dos fundadores e principais
entusiastas da secular colectividade
arrentelense, Virgínia da Silva Ferreira, 74
anos, é uma das pessoas que desde criança
se habituou a (con)viver com as histórias
que atribuem a seu avô o papel de grande
protagonista.
É, por isso, com indisfarçável desvelo que
dele nos fala, quando inquirida sobre que
histórias ou episódios ainda se recorda,
nos quais o seu avô haja estado envolvido.
Uma ternura que nos
sensibiliza, porque
genuína, sem vaidades
que não sejam as que
resultam do profundo
orgulho que nutre
pela figura e obra do
seu antepassado.
Um
testemunho
que nos deixa como
que
embevecidos,
tamanho é o enlevo
e o carinho que deixa
transparecer em cada
frase; um discurso
que tende a projectar,
parágrafo após parágrafo, a grandeza
humana do seu antecessor, sempre que se
reporta aos feitos por ele cometidos em prol
da sua sociedade.
“Parte das coisas que sei acerca de meu avô
paterno, de seu nome, António da Costa
e Silva, foram-me relatadas por meu pai,
outras tive oportunidade de as presenciar
quando ainda era criança.” Começa por
dizer Virgínia da Silva Ferreira ao mesmo
tempo que recorda ter sido ele um dos
impulsionadores da construção do antigo
coreto de Arrentela, situado na Av. da
República, onde hoje se localiza o parque
infantil, junto à marginal.
“Desse coreto, inaugurado em 1898,
hoje nada resta.” Salienta. “ Mas o seu
derrubamento não pode ser motivo para que
ignoremos o elevado esforço e imaginação
que a sua construção exigiu a quantos
aqui viviam. Por isso, quando a obra ficou
concluída, os poucos moradores da zona,
deram, naturalmente, largas à sua alegria,
realizando uma festa, como, aliás, era norma,
sempre que se conseguia alcançar algum feito
que se afigurava importante para a terra.
*Excertos de “Histórias
Associativas - Memórias
da Nossa Memória
– 1º Volume As
Filarmónicas”.
Edição Câmara Municipal do
Seixal-2001
ROSTOS DO SEIXAL
DR
Os custos para o ex-proprietário são
de 75 euros.
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Envie a sua questão para:
duvidas@ruifeio.pt
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Virgínia da Silva Ferreira
A União Arrentelense
na Terceira Geração
Fernando
Fitas
António José
Castanheira Maia
Nabais (1947)
Licenciado em História pela Faculdade
de Letras da Universidade de Lisboa, possui
o curso de Pós-Licenciatura em Museologia
pelo Instituto Português dos Museus e fez
um Estágio de “Museologie Nouvelle et
Experimentation Sociale”, em Grenoble. Foi
diretor do Departamento de Conteúdos da
Expo’98 e do Pavilhão do Conhecimento dos
Mares da Expo’98, técnico superior do IPPC e
do Instituto Português de Museus, presidente
do conselho diretivo da F.P. Fernando Pessoa e
membro do conselho diretivo no Liceu de Vila
Franca de Xira.
António Nabais nasceu em São Vicente de
Lafões, concelho de Oliveira de Frades, mas
o seu contributo para o concelho do Seixal
tem sido grandioso: foi responsável pela
organização e desenvolvimento do Ecomuseu
Municipal do Seixal e ainda de outros museus
como museólogo titular, realizou conferências,
seminários e cursos subordinados ao tema
Museus e Património em diversas instituições,
foi diretor do Museu Etnográfico e
Arqueológico Dr. Joaquim Manso e professor
de Museologia na Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, na Faculdade de
Belas Artes e na Universidade Lusófona.
O cargo na Câmara Municipal do Seixal de
assessor para a área do Património Cultural –
Museologia foi-lhe atrbuído em 1979. Exerceu
ainda o cargo de presidente da Associação
Portuguesa de Museologia (APOM) e
presidente da assembleia-geral da APOM.
Tem publicado a História do Concelho
do Seixal, editada pela Câmara do Seixal e,
muitos dos seus textos em revistas, nacionais
e internacionais da especialidade e em obras
de referência.
Mário Barradas
