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Saúde

CSS | 02 de Agosto de 2017

10

meningite
O QUE É E CAUSAS

influenzae e pelo Streptococcus pneumoniae.
Actualmente o Plano Nacional de Vacinação
inclui vacinas para a N. Meningitidis e
para o H. influenzae, pelo que o número
de casos de meningite provocada por estes
agentes tem vindo a diminuir. Actualmente
a causa mais frequente de meningite
bacteriana na comunidade é o Streptococcus
pneumoniae, existindo uma vacina
disponível para as pessoas com maior risco,
nomeadamente idosos, doentes crónicos e
imunocomprometidos.

A meningite é uma inflamação das
membranas (meninges) que cobrem o cérebro
e a medula espinhal e é frequentemente
causada por uma infecção viral ou
bacteriana. Outros agentes infecciosos, tais
como os fungos, podem também provocar
meningite e existem ainda causas mais raras
que incluem as reacções medicamentosas
atípicas e o lúpus eritematoso disseminado.
A etiologia mais comum é a viral. Qualquer
pessoa pode contrair uma meningite viral,
mas esta doença ocorre mais frequentemente
Além dos bebés e dos idosos, as pessoas
nas crianças. A meningite pode ser causada com doenças crónicas e/ou com deficiências
por muitos vírus diferentes, mas o enterovírus do sistema imunitário apresentam um maior
é o agente mais habitual.
risco de terem uma meningite causada por
bactérias e fungos.
A meningite viral causada pelo enterovírus
ocorre sobretudo no Verão, mas pode ocorrer
SINTOMAS
em qualquer altura do ano. A via de entrada
do enterovíris no organismo é geralmente
Os sintomas de meningite variam, mas
gastrointestinal e a transmissão é sobretudo incluem frequentemente:
fecal-oral (por exemplo, através de mãos
mal lavadas contaminadas com fezes). O dores de cabeça
contágio é possível durante o período em febre
que as pessoas infectadas têm o vírus nas rigidez da nuca (dor e dificuldade em
fezes. Menos frequentemente, o contágio movimentar o pescoço)
também é possível por via oral-oral ou por
via respiratória. A infecção por enterovírus é
Outros sintomas podem incluir:
geralmente assintomática ou provoca doença
ligeira, resultando raramente em meningite. sensibilidade à luz
Excepto nos casos raros de meningite do náuseas e vómitos
grupo herpes, a meningite viral irá curar sonolência
espontaneamente ao fim de 7 a 10 dias.
confusão mental
A meningite bacteriana é uma infecção
muito grave e potencialmente fatal que pode
afectar pessoas saudáveis, sendo no entanto os
bebés e as pessoas idosas os mais susceptíveis.
No passado, os três tipos mais comuns de
meningite bacteriana eram causados pela
Neisseria meningitidis, pelo Haemophilus

Os sintomas podem ser mais ligeiros
nos casos de meningite viral, enquanto que
na meningite bacteriana são habitualmente
mais intensos, podendo ocorrer alteração
do estado de consciência e convulsões. Nas
crianças pequenas os sintomas podem ser
particularmente difíceis de detectar. Os

bebés com meningite podem mostrar-se
menos activos ou com choro intenso, com
recusa em comer e vómitos. Nos idosos
também pode ser difícil diagnosticar a
meningite, manifestando-se frequentemente
por deterioração mental sem febre.

Dr. Jorge Neves

pode ser realizada profilaxia com antibióticos
para evitar que contraia a doença.
A vacinação contra o Streptococcus
pneumonia, o Haemophilus influenzae e a
Neisseria meningitidis constitui a melhor
forma de prevenir a meningite bacteriana.
Não existe nenhuma vacina para prevenir
os tipos comuns de meningite viral.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico é confirmado através da
análise do líquido que envolve a medula
espinhal (líquido cefalo-raquidiano) para
identificar a presença de bactérias ou de
células que combatem as infecções. O líquido
é removido por meio de uma agulha, sendo
esse procedimento denominado punção
lombar.

TRATAMENTO
A meningite viral é tratada de forma muito
semelhante à gripe, com repouso e muitos
líquidos, devendo verificar-se a recuperação
ao fim de uma semana a 10 dias. A meningite
bacteriana é uma emergência médica e requer
uma dose elevada de antibióticos endovenosos
administrados em internamento hospitalar.
Adicionalmente, dependendo do doente e do
tipo suspeito de meningite bacteriana, pode
ser administrada dexametasona endovenosa
(um corticosteróide).

EVOLUÇÃO
A meningite viral tende a melhorar
espontaneamente ao fim de 7 a 10 dias. Pelo
contrário, se a meningite bacteriana não
for diagnosticada e tratada precocemente,
pode causar uma incapacidade permanente
ou a morte. A duração do tratamento
medicamentoso para a meningite bacteriana
depende da idade da pessoa, da sua resposta
à medicação e de outros factores.

PROGNÓSTICO
Na meningite viral o prognóstico é
excelente.
O prognóstico da meningite bacteriana
depende da idade do doente, da bactéria
responsável pela doença e da precocidade
com que é diagnosticada. Até 10% das
pessoas com esta doença irão falecer e uma
percentagem significativa dos sobreviventes
irá apresentar sequelas a longo prazo, tais
como uma diminuição da acuidade auditiva
ou problemas neurológicos.

PREVENÇÃO
As bactérias e os vírus que causam a
meningite são encontrados nos líquidos
orgânicos, como a saliva e o muco, e
disseminam-se por contacto directo.
Algumas pessoas são portadoras destes
microrganismos no nariz e na garganta e
podem transmiti-los para outras pessoas,
embora esses “portadores” não estejam
doentes. Se uma pessoa estiver em
contacto próximo com alguém a quem foi
diagnosticada uma meningite bacteriana,

CONCHELOS
referida plantinha, a qual, desde já, juntei à
minha lista de comestíveis espontâneos.
Os conchelos, chapéus-dos-telhados,
orelhas-de-monge ou umbigos-de-vénus, cuja
designação científica é Umbilicus rupestris,
da família das crassuláceas, são ervas frágeis
mas perenes que aparecem com frequência nas
escarpas abruptas, muros e telhados antigos e

No início as folhas são verdes suculentas e
tenras e podem ser, de facto, utilizadas em
saladas, dando-lhes um sabor acidulado
e uma textura gelatinosa muito original.
Depois, em plena primavera, a planta tornase avermelhada, brotando um caule erecto
que chega a atingir, em condições modelares,
60 cm de altura, guarnecido de botões florais

cascas de árvores onde se concentra alguma
humidade.
O nome provém da configuração das suas
folhas em forma de concha ou de umbigo, visto
que surgem côncavas partindo duma base de
pecíolo longo. O seu aspecto é deveras curioso.

dispostos em cachos esbranquiçados. As flores,
suspensas por um pequeno cálice, possuem
cinco pétalas soldadas em forma de tubo.
A raiz forma uma toiça espessa formando
tubérculos que perpetuam a planta.
É considerada uma erva medicinal desde

Miguel Boieiro

DR

Há tempos, a pedido do meu mestre de
fitoterapia, compilei uma lista de plantas
silvestres utilizáveis na alimentação humana:
ervas espontâneas que crescem no campo e que
podemos comer em saladas, em esparregados,
em sopas, etc.
Actualmente esta moda está a ser seguida
por algumas correntes naturalistas de
alimentação racional que pretendem libertarse da padronização excessiva imposta pelas
grandes cadeias de supermercados. Digamos
que se trata duma reacção natural ao
consumismo desregrado que hoje comanda
a nossa vida, tendo por único objectivo a
obtenção de lucros.
Portugal, país temperado com variados solos
e microclimas, possibilita admiravelmente e
cada vez mais, o aproveitamento de recursos
vegetais selvagens, face ao estado de abandono
caótico da nossa agricultura, refém dos
ditames das corporações união-europeístas
a que o nosso governo, sem peias, obedece.
Sim, nos terrenos agrícolas abandonados é
possível encontrar vegetais para a panela, salvo
se houver por perto fontes poluidoras ou uso
de herbicidas (infelizmente também muito em
moda, induzidas pelo “marketing” abusivo
das multinacionais do sector).
Tudo isto vem a propósito da troca de
impressões que mantive com um companheiro,
também amante destas lides, que me revelou
que consumia conchelos com regularidade,
misturados nas saladas de alface e agrião.
Ora eu tenho conchelos no meu quintal,
trepando pela vertente norte do tronco
duma palmeira e acabei por experimentar,
concluindo, com agrado, na mais-valia da

tempos imemoriais, quer por administração
interna, quer externa. Na sua composição
podemos encontrar mucilagens, açúcares,
tanino, ferro, potássio, silício e vitaminas.
Tem propriedades cicatrizantes, refrescantes,
calmantes, diuréticas, anti-hemorrágicas e
anti-sépticas.
O suco das folhas é utilizado para aumentar
a emissão da urina, tomando-se uma colher de
sopa em jejum, dissolvida num copo de água.
As mesmas folhas esmagadas servem para fazer
cataplasmas ou emplastros, eficientes para
curar e cicatrizar feridas, aliviar queimaduras,
eliminar borbulhas e frieiras. Aplicando
directamente as folhas sem a sua cutícula
inferior, acalmam-se as dores e inflamações,
em especial, a gota e a ciática.
Registam-se também diversos preparados
em homeopatia e em medicina asiática,
exercida, quer por chineses, quer por
ayurvédicos indianos.
Se com este breve apontamento conseguir
suscitar a curiosidade dos leitores, amantes
da botânica aplicada, fico recompensado pelo
trabalho de investigação que efectuei sobre a
umbilicus, que uns cientistas complementam
com rupestris e outros com pendulinus, sendo
basicamente a mesma planta.