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ENTREVISTA
CSS | 23 de Junho de 2017
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FERNANDO FITAS,
PRÉMIO DE POESIA CIDADE DE OURENSE 2017
A trigésima terceira edição do Prémio de Poesia Cidade de Orense foi conquistada por Fernando Fitas, o que nos enche de orgulho e satisfação ao vermos reconhecido internacionalmente o trabalho de um nosso colaborador.
O Júri, reunido no Liceo da Cidade
e constituído por Luís González Tosar,
poeta e presidente do “Pen Club Galicia”,
Xurxo Alonso, poeta vencedor da edição
anterior, Edelmiro Vázquez Naval, poeta
ourensano, Sara Martiñá, professora de
língua e literatura galegas e María Hercília
Agarez, em representação do Grémio
Literário Vila Realense, apreciou os
textos escritos em galego e em português
apresentados pelos 29 concorrentes,
decidiu proclamar a obra "Subversiva
liturgia das mãos" da autoria de Fernando
Fitas, como a grande vencedora do Prémio
de Poesia Cidade de Ourense 2017.
Não podíamos deixar de o ouvir neste
momento tão significativo para a sua
carreira literária.
Parece que ficaste um pouco
surpreendido por teres vencido este
prémio. Isso deve-se á falta de confiança
no teu trabalho ou à modéstia que te
caracteriza?
Na verdade fui colhido de surpresa,
ainda que ao concorrer me habilitasse a
poder ter a fortuna de o ver distinguido
pelo júri. Mas confesso, era, do meu ponto
de vista, uma possibilidade que supunha
remota, ante a qualidade de alguns dos
poetas - portugueses e espanhóis - que
lograram vencer o referido prémio em
anteriores edições e a qualidade dos
respectivos trabalhos premiados.
falamos. Se fosse em Castelhano, talvez,
isso não fosse possível. Sobretudo, por se
tratar de poesia.
Será que a partir de agora as entidades
nacionais começam a reconhecer o
valor que tens e que mereces?
Com a publicação deste livro em
Espanha, abre-se um novo caminho à
internacionalização da tua obra?
O juízo de valor, nisto como em tudo
na vida, é sempre discutível. Não escrevo
com essa preocupação. Escrevo poesia
procurando dar o meu contributo para
transformar o absurdo mundo em que
vivemos, logo, o objectivo é o de passar
a mensagem daquilo que entendo ser um
contra-senso, ou mesmo aberrações em
certos domínios. Isto, porque entendo
que uma das funções primeiras da poesia
é denunciar, insinuar, senão mesmo
subverter aquilo que o “status quo” nos
tenta impingir como correcto, instigando
a que não tenhamos um olhar crítico sobre
o que nos rodeia. Esse princípio comigo
não colhe. Possivelmente resida aqui a
razão pela qual, em termos criativos, me
exprimo através da poesia.
É assunto em que não pensei.
Desde logo, porque tive a comunicação
do júri ao final do dia em que a decisão foi
anunciada. Mas também porque a tiragem
é reduzida, (apenas 150 exemplares)
e porque desconheço, em absoluto,
como é o panorama editorial galego e
espanhol. Admito que seja semelhante ao
português, dominado por dois poderosos
grupos que tudo engoliram, ou então, a
pseudo editoras que mais não fazem do
que colocar a chancela, sendo o autor a
pagar a edição. Em todo o caso, estou
disponível para, se houver alguma
entidade interessada em traduzi-la e
publicá-la em castelhano, encarar com
todo o interesse essa possibilidade.
Tens uma vasta obra literária e
já venceste outros prémios. Que
significado tem este último?
Todos os prémios são gratificantes
porque constituem o reconhecimento
do nosso trabalho, e por isso, todos me
trouxeram grande satisfação. Neste caso,
essa satisfação assume um significado
diferente porque resulta de ver um original
distinguido fora das fronteiras territoriais
do país. Digo territoriais e não linguística,
em consequência do aludido prémio
aceitar textos em Galego e Português,
idiomas cujas semelhanças nos permitem
– a uns e a outros – entender o que ambos
ARTE EM REDE NA QUINTA DO CONDE
O anfiteatro da Cova dos Vidros
recebeu nos dias 16 e 17 de Junho “A
viagem”, espectáculo de teatro de rua
concebido pela Companhia Radar
360, um projecto cultural tendente
a fortalecer as relações de bairro, ao
invés de retirar os jovens do meio a
que pertencem.
Promovido pela Arte em Rede,
o espectáculo alia as técnicas do
teatro à utilização de vários outros
recursos, entre eles, a utilização de
meios multimédia, dança, música e
a expressão plástica, para contar uma
história constituída pela história de
cada um dos seus jovens intérpretes.
Escrito e concebido pelos próprios
participantes, o elenco, constituído
por quatro actores profissionais e
dez jovens que nele realizam a sua
formação/estágio, o qual inclui uma
jovem quintacondense, visa, segundo
Julieta Rodrigues, directora artística
do colectivo responsável pela sua
execução, fomentar a denominada
escrita de bairro e o desenvolvimento
de competências artísticas, susceptível
de os dotar de ferramentas que lhes
permitam perspectivar o futuro com
maior confiança.
De acordo com a responsável
artística do projecto “o cruzamento
destas disciplinas, conduziu-nos a uma
linguagem híbrida onde a criatividade
funciona a 360º. O trabalho da
Companhia tem sido desenvolvido
no campo da pesquisa do corpo
teatral, da manipulação de objectos
e da utilização de maquinaria de
cena. A ocupação do espaço público,
a aproximação das manifestações
artísticas às pessoas e a utilização
de espaços não convencionais para a
realização dos nossos projectos, são o
nosso habitat natural”
A realização dos dois espectáculos
que tiveram lugar na freguesia por
iniciativa da Arte em Rede, associação
cultural constituída pelos municípios
de Almada, Barreiro, Moita, Oeiras,
Santarém e Sesimbra, contou com a
colaboração da Junta de Freguesia da
Quinta do Conde.
