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Saúde

CSS | 24 de Março de 2017

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VARICOCELO
O Varicocelo é um síndrome anatómico de varizes escrotais. Geralmente à esquerda, por razões anatómicas,
devido ao refluxo de sangue da veia renal na veia espermática, por insuficiência valvular. Pode desenvolver-se
num testículo ou em ambos, mas em 85 a 95 % dos casos envolve o testículo esquerdo. Trata-se de uma patologia
benigna, congénita, atingindo cerca de 10 a 20 % da população masculina e desenvolvendo-se após a puberdade.
A principal característica é a dilatação
das veias que drenam o sangue da região
dos testículos, provocando ainda a
acumulação de substâncias nocivas para
o órgão e o aumento da temperatura
local, levando a uma diminuição na
produção dos espermatozóides. A maioria
dos homens convive com a doença sem
problemas, e apenas 15% terão a sua
fertilidade comprometida, muitas vezes
só detectada quando o casal pretende ter
filhos.
Fisiopatologia
Cada grupo de veias escrotais juntamse e formam, no abdómen, a chamada veia
espermática, sendo uma do lado direito
e a outra do esquerdo. A veia direita
percorre em sentido oblíquo até à veia
cava, facilitando a drenagem do sangue,
enquanto que a veia espermática esquerda
desemboca perpendicularmente na veia
renal esquerda, formando um ângulo
de 90 graus. Esse ângulo, associado ao
calibre reduzido da veia renal, dificulta
a passagem do sangue, explicando-se
assim a maior incidência de varicocelo
no lado esquerdo. Quando acontece
do lado direito é provável que a doença
se manifeste dos dois lados, ou será de

DR

sintomas, sendo diagnosticado o
varicocelo em exames físicos de rotina.
Dor testicular;
Sensação de peso do(s) testículo(s);
Infertilidade;
Atrofia do(s) testículo(s);
Varizes escrotais visíveis ou palpáveis
Diagnóstico

excluir outra patologia associada.
A doença manifesta-se através da
falência ou deficiência das válvulas
existentes na veia testicular. Estando em
perfeito funcionamento, o sangue passa
pelas válvulas impedido de retorno. O
que provoca a má drenagem do sangue
é a deficiência, pois a acumulação nos
testículos força de maneira acentuada as
veias, provocando a dilatação.
O esforço intenso, tal como a prática de
musculação, com o aumento intenso da
pressão intra-abdominal poderá também
facilitar o aparecimento de varicocelo.
A maioria dos homens não apresenta

O diagnóstico do varicocele é
habitualmente clínico, pela palpação do
cordão espermático. Pequenos varicocelos
podem ser detectados por Eco-Doppler,
Termografia ou Venogramas. Quando
o doente é observado por infertilidade o
espermograma é de maior importância,
revelando uma baixa contagem de
espermatozóides, baixa motilidade e
alterações da morfologia,
(Oligoastenospermia).

Dr. Jorge Neves

é forçada a drenagem do sangue para
outras veias da região pélvica;
Cirurgia laparoscópica: com ajuda de
câmara intra-abdominal;
Embolização: procedimento não
cirúrgico.
Prognóstico
A taxa de cura com a cirurgia varia de
80 a 95 %. Os doentes com recidiva de
varicocelo poderão ser reoperados. Após
a cirurgia 2 a 5 % dos doentes poderão
desenvolver um hidrocelo, situação
benigna caracterizada por acumulação de
líquido à volta do testículo.
Cerca de 50 % dos homens operados
por infertilidade conseguem ter um filho
após 1 ano. Recomenda-se a realização
de espermogramas aos 3 e 6 meses após
a cirurgia.

Tratamento
Cirurgia:
recomendada
sempre
que haja dor, atrofia testicular ou
por infertilidade. Por vezes chamada
“varicocelectomia”, consiste na laqueação
das veias espermáticas a nível da zona
inguinal ou nos quadrantes inferiores do
abdómen. A veia testicular interrompida,
DR

Celidónia

"a erva betadine"
O ilustre Maurice Mességué, para além
de famoso fitoterapeuta, era também,
subsidiariamente, “maire” de um pequeno
município do Gers (Pirinéus franceses).
Os seus livros, de que se encontram
traduzidos em português, pelo menos
dois, “Homens e Plantas” e “A Natureza
tem Razão”, continuam a entusiasmar
os leitores. De facto, Mességué foi
igualmente um extraordinário escritor.
Vem isto a propósito da planta que
ele considerava mais importante para os
tratamentos dos numerosos doentes que o
procuravam, muitos deles já desenganados
na medicina alopática.
De resto, é sabido que cada ervanário
ou fitoterapeuta tem a sua planta
preferida, ou seja aquela com a qual mais
se identifica.
De entre as suas “simples”, Mességué,
colocava a celidónia nos píncaros.
Após ter lido alguns dos seus trabalhos,
fiquei com imensa curiosidade de
conhecer a tal celidónia, ou quelidónia,
como também a apelidam.
Já tinha memorizado a sua configuração
física mas, a despeito de ser uma planta
muito comum e vulgar, segundo referia
Maurice, eu nunca a tinha visto. Não
era seguramente uma planta da minha
região, na qual, mais ou menos, mantenho
alguma intimidade com todas as ervas
espontâneas.
Devo dizer que andei, tempos
infindos,
quase
obcecado,
para
encontrar a celidónia. Até que um dia,
já lá vão quarenta anos, fui a uma festa
de aniversário da empresa Bouygues,
onde um dos meus primos trabalhava,

Miguel Boieiro

nos arredores de Paris. Depois da fina
comezaina (foi a primeira vez que comi
salmão, nessa altura raro em Portugal),
começou o baile. “Pé de chumbo”, como
sempre fui, escapuli-me para uma mata
próxima onde me entretive a observar a
abundante flora silvestre. Nisto, surge,
perante os meus olhos, uma planta
que me era desconhecida. Analisei-a e,
quase por instinto, cortei uma das suas
folhas que imediatamente brotou uma
seiva amarela. Então, pela descrição há
muito memorizada, logo concluí que,
finalmente, tinha descoberto a tão famosa
celidónia. Fiquei eufórico.
Apanhei um grande ramo e entrei no
baile gritando para a minha mulher Manela! Encontrei a celidónia! -. Toda
a gente ficou a olhar para mim com ares
interrogativos e só então me dei conta da
“barraca” que estava a dar.
Familiarizei-me depois com a minha
amiga Celidónia (posso escrever com
maiúscula?) e passei a apaparicá-la
sempre, no meu jardim.
A celidónia, Chelidonium majus L, é
uma vivaz da família das Papaveráceas que
se dá em terrenos sombreados e frescos,
sendo muito abundante no norte do País.
Cresce, sobretudo, em entulheiras, muros
arruinados e zonas pedregosas.
Possui um rizoma carnoso donde
saem talos tenros que chegam a ter 80
cm. As folhas são lobadas, verde-claras e
levemente azuladas na página inferior. Os
talos apresentam-se vilosos, cilíndricos
e quebradiços deitando um suco de cor
amarela, mas que logo passa a alaranjado
em contacto com o ar. As bonitas flores,

de um amarelo brilhante, compõem-se de radiestésicas, evitam tocar-lhe. Não
quatro pétalas em cruz. Têm numerosos parece, portanto, haver perigo.
estames e frutificam numa vagem com
Em homeopatia é utilizada pelos
sementinhas castanhas.
especialistas mais experientes, mas em
doses infinitesimais.
O nome “Chelidonium” provém
do grego e significa andorinha, talvez
Não quero responsabilidades. Fica bem
porque a floração costuma coincidir com esclarecido de que toda a planta é venenosa
a chegada daquelas aves migratórias. Por e que só pode ser usada em alcoolaturas,
isso, também se chama erva-andorinha, tratamentos por osmose, cataplasmas,
ou ainda, erva-das-verrugas. Este último banhos ou aplicações diretas da planta
nome indicia uma das suas aplicações fresca. Os resultados, em quaisquer dos
mais populares.
casos, são excelentes, como tenho vindo
Com efeito, o látex da celidónia cura a comprovar por experiência própria e das
admiravelmente verrugas, herpes, calos e pessoas que me são chegadas.
feridas cutâneas.
Atribuem-lhe também propriedades
Há três anos, fiz uma alcoolatura (com
antiespasmódicas,
hipotensoras
e álcool a 60 graus), quando estive nas
purgativas, entre outras.
termas de S. Pedro do Sul, região onde a
A planta é muito forte, contendo, pelo celidónia abunda. Ainda dura. Utilizo-a
menos, dez alcalóides. Tal significa que é sobretudo, como desinfetante cutâneo e
bastante tóxica e em doses mais elevadas resulta muito bem.
chega a ser mortal. Portanto, nunca a
Para terminar, direi como Mességué,
devemos usar para usos internos, isto é, “a celidónia faz chorar o homem que vai
para infusões. Há quem diga que basta morrer e cantar o que vai curar”.
80 g da raiz fresca (a parte mais tóxica)
Cuidado com esta planta de forte
para matar um cão. No entanto, todos “personalidade”!
os animais, mediante as suas qualidades