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dia do pai
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Feliz
Dia Pai
do
Ser Pai, é fácil !
Tenho muitas historias com o meu falecido Pai mas, esta que vou
contar, marcou-me para toda a vida.
Não é só dar amor, carinho, educação é transformá-lo em um
homem, uma mulher de carácter honesto.
Em 1982, andava eu na escola das Cavaquinhas e todos os dias
antes de sair de casa o meu Pai fazia a mesma pergunta:
Ser Pai é a melhor coisa do mundo, e um dia não vou ter só um
filho, uma filha, vou ter uns amigos pro resto da minha vida.
-Tens dinheiro? Toma, nunca gastes todo, NUNCA GASTES ATE
AO FIM!!
Pedro Pereira
Ser Pai é para mim uma lição de vida, de cumplicidade,
de altruísmo e de amor supremo. Partilho convosco a
curiosidade de ter sido pai em dia de aniversário, escusado será dizer que a Festa passou a ser só do meu filho e
que deixei de fazer anos... ou melhor apesar da festa ser
só dele partilhamos o dia, dia que também partilhamos,
orgulhosamente, com o notável poeta, libertador e revolucionário José Julián Martí Perez.
"Para as crianças trabalhamos, porque eles são os que sabem querer,porque
eles são a esperança do mundo" José Martí.
Rui Piedade
Um dia, já na escola, tivemos uma aula livre. Fomos para o café,
jogar matraquilhos e eu, só não gastei o dinheiro para o autocarro. Um colega meu tinha
bilhetes pré-comprados, deu-me 1 bilhete e gastamos o dinheiro.
Acabaram as aulas, apanhei o autocarro, pico o bilhete e regresso a casa descansadinho
como todos os dias. Ao sair na minha paragem como habitualmente, o cobrador vira-se
para mim e pede para ver o meu bilhete. Eu gelei quando ele me disse que o bilhete era
até à paragem anterior e tinha de pagar mais 20 escudos. Por sorte, a paragem era mesmo
à frente do restaurante do meu pai (na altura era mercearia) e ele estava mesmo ali para
me safar daquela vergonha. Depois, claro que fui gozado por ele uma serie de tempo mas,
aprendi uma lição para toda a vida e já a ensinei aos meus filhos. Tenho sempre dinheiro
comigo, no mínimo, o dinheiro do autocarro para casa.
Alberto Holbech
Decorria o ano de 1969, o meu pai, carpinteiro de limpos, trabalhava duro para garantir o básico, casa, alimento e todo o necessário para irmos sobrevivendo. O dinheiro era pouco, na fábrica pagavam mal e ele reclamava melhores salários.
Um domingo ao almoço estávamos os três, eu a minha mãe e o meu pai, o almoço de domingo era especial; a sopa do costume, a broa e o conduto, que
servia também de sobremesa, era melão. Um dos meus pratos favoritos: melão, broa e azeitonas.
Depois da sopa, sempre bem cozinhada pela minha mãe, chegou a vez do melão e o meu pai, como era seu hábito, pegava na navalha para cortar o melão,
uma primeira para mim, depois para a minha mãe e finalmente para ele. Todos começaram a comer e o meu pai reparou que pus a minha talhada de lado e
espantado perguntou porque não comia, ao que respondi que tinha dois amigos da minha idade que não tinham nada em casa para comer e que ia levar as
minhas duas talhadas do melão e a broa para eles. Antes que a minha mãe pudesse falar, ele rapidamente disse: “não, deixa estar, se é assim que ele quer,
é assim que vai ser…” cortou outra talhada, deu-ma com meia broa e disse para as levar aos meus amigos e voltar para a mesa. Assim fiz e ao regressar à mesa reparei que no meu
prato estavam outras duas talhadas de melão e perguntei porquê, se tinha dado as minhas, ao que ele respondeu: “estou muito orgulhoso do teu gesto, vamos dividir por todos e assim
custa menos. Sabes, não há homem sem homem e tu hoje foste um homem ao dividir com os teus amigos…”
São estes os valores que me ensinou: solidariedade, amizade e camaradagem. O meu pai foi, é e será sempre, um exemplo de vida e de luta para mim! Meses depois teve que fugir da
PIDE para França, onde vivemos até 1979, regressando nesse ano a um Portugal livre!
Jorge Fernandes
O dia do pai não é somente o dia do pai, é também o dia da
família. Eu, pessoalmente vejo o dia do pai como o dia da
família e não o de um indivíduo. Neste dia tento passar em
família, pois o homem não concebe o seu filho sozinho. Mas,
também concentro-me em reflectir em todo o trabalho que
realizei ao longo dos anos em prol dos meus filhos, na educação que lhes dei, nos valores que incuti, e sobretudo no
comportamento e atitudes que estes têm na sociedade, pois
são esses comportamentos que espelham a imagem da minha pessoa e do meu ensinamento. A aprendizagem é um longo caminho a percorrer, sei por experiência própria, que darão
muitos trambolhões nesse percurso, e a minha missão como pai é ajudar os meus filhos a se
levantarem e garantir que aprendam a cada tombo que dão.
José Raimundo
Ser pai é algo que todos os
homens deveriam ser. Mas
ser pai a sério. E ser pai
é cuidar, é amar, é ser companheiro, amigo, compincha e muito mais. Recentemente decidi perguntar ao
meu filho de 3 anos o que
é o amor. Não esperava nenhuma resposta em concreto
dada a complexidade da questão. Fiquei completamente
surpreendido com a resposta e ainda mais com a prontidão
da mesma: "Amar é fazer um amigo feliz!". Nada disto foi
ensinado e foi completamente espontâneo. Fiquei pasmado
com a profundidade e prontidão da resposta.
Bruno Campos
Pois bem, uma das histórias que tenho com o meu Pai é a
seguinte e que penso ser a que melhor ilustra o quanto ele
é uma referência para mim desde sempre:
Como é normal, para qualquer miúdo o Pai sempre é a
sua referência e eu desde pequenino que vi o meu como
a minha referência e exemplo a seguir. Assim ainda na 3ª
classe quando todos temos que fazer aquelas redacções
típicas sobre o tema " O que queres ser quando fores
grande?", enquanto todos respondiam as tradicionais
profissões (doutor, enfermeira, hospedeira, piloto, etc.) eu
respondi "eu quero ser livre como o meu Pai".
Na altura a professora e os meus pais não entenderam,
ficaram preocupados e recorreram a um psicólogo, sendo que chegaram á conclusão que simplesmente queria ser "empresário", não ter patrões a mandar em mim
e poder definir os meus próprios horários.
Desde sempre o meu Pai tem sido a minha referência e também no dia do meu
casamento fez questão de me passar os princípios de criar uma família.
Jorge Partidário
Numa época em que há dias para tudo, escrever sobre o Dia do Pai
sem ser banal e cair em frases feitas é um desafio. Desafio em nada
comparável, é certo, à aventura de ser pai, uma das maiores e mais
compensadoras da vida de um homem. Ser pai é um ato de coragem,
um caminho de aprendizagem contínua e de enriquecimento pessoal, repleto de inúmeras alegrias mas também de muitos receios e
contrariedades. Ser pai é prover, ensinar, brincar, mimar, ralhar…é dar
asas para voar.
Ser pai é amar de um amor infinito e incondicional, na certeza de
que o mais pequeno e simples gesto ficará para sempre gravado na memória de todos os filhos. Esta é uma
certeza que tenho enquanto filho de um pai a quem deixo aqui a minha homenagem pública. Feliz Dia do Pai!
Joaquim Santos
