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SOCIEDADE

CSS | 8 de Março de 2017

4

Histórias Associativas*(4)

o vozeiro

Da Orquestra Jazz
“Os Aranhas”
a criador da “Marcha das Canas”
Fernando
Fitas

Rui Hélder Feio

Após falecimento
Pergunta - Faleceu uma pessoa de família.
Quais as burocracias a tratar?
Resposta- Em caso de falecimento de
uma pessoa há um conjunto de entidades
que devem ser informadas e vários passos que
devem ser dados pelos herdeiros.
Talvez o melhor seja contactar um solicitador, pois existem casos fáceis de resolver,
mas outros que o profissional estará mais
preparado.
Em primeiro lugar, terá de obter a declaração de óbito. Normalmente a Agência Funerária procede a esse registo na Conservatória
do Registo Civil, mas também pode ser um
familiar. Para tal é fundamental apresentar
não só os dados relativos à pessoa falecida
mas também entregar o certificado de óbito,
emitido pelo médico que confirmou o falecimento.
Depois convém solicitar os apoios sociais
para os familiares da pessoa falecida, ou seja a
atribuição de diversos apoios e subsídios com
o objetivo de ajudar financeiramente os familiares mais próximos do falecido a suportar os
encargos do funeral mas também a garantir
que eles continuam a ter meios de subsistência. Além do subsídio por morte ou do
reembolso das despesas de funeral ou ainda
do subsídio de funeral, os cônjuges, filhos e
ascendentes têm ainda direito a uma pensão
de sobrevivência. Esta é uma prestação que é
atribuída às crianças e jovens órfãos de pessoas não abrangidas por qualquer regime de
proteção social.
Deve também identificar os bens do falecido e fazer a habilitação de herdeiros. O
primeiro passo que deve ser dado é a determinação de quem é o cabeça-de-casal. Apesar
de não haver um prazo definido para se fazer
a habilitação de herdeiros, este procedimento deve será feito com brevidade.
Por vezes, os herdeiros não têm o conhecimento total do património detido pela
pessoa falecida. Sobretudo quando estão em
causa contas bancárias e outro tipo de aplicações financeiras. É aqui que os conhecimentos de um profissional, como solicitador,
fazem a diferença.
Outro passo que não pode ser esquecido
é a comunicação do óbito às Finanças. As
regras ditam que o “cabeça de casal” deverá
fazer esta comunicação junto dos serviços
das Finanças da área de residência da pessoa
falecida até ao final do 3º mês após o mês
do falecimento, através do preenchimento do
Modelo 1 do Imposto do Selo.
Por fim, há que fazer as partilhas. Quando
todos se dão bem, podem-no fazer sem problema, mas se existe a possibilidade de conflito, há que submeter um pedido de inventário
para que as partilhas sejam efetuadas. Aí escolha os serviços de um profissional, contacte
o Solicitador.
Envie a sua questão para duvidas@ruifeio.pt

(Continuação)
Naquele espaço público de grande valor
efectivo, tocaram “Os Aranhas”, orquestra jaz,
constituída por si, José Calqueiro, Adelino
Tavares, - pai do vereador da Câmara Municipal
com o mesmo nome - João Tavares, Zé Mendes,
Rafael Gonçalves e José de Oliveira Gomes.
Este conjunto de sete músicos, pertencentes
à banda, animava os bailes de carnaval e os
arraiais, nos santos populares, gozando, por
isso, e pela qualidade do seu reportório, de
elevada popularidade, atributos que os levaram
a percorrer Portugal de norte a sul.
“Interpretávamos as composições mais
conhecidas dos grandes compositores de jaz à
época: Glen Miller, Nil Armstrong, Bill Alley
e todos os outros. Esses temas que colhiam o
agrado da massa associativa e nos obrigou a
que, só em 1958, aqui actuássemos, 27 vezes,
forçava-nos ainda a contratar um agrupamento
para nos substituir, sempre que assumia-mos um
compromisso com qualquer entidade estranha à
colectividade.”
Emílio de Oliveira Rebelo, conta também
que “ todas as despesas provenientes dessa
contratação, tal como a aquisição das partituras,

eram suportadas por nós, pois, na opinião
dos sócios, não fazia sentido que sendo os
instrumentos com que tocávamos pertença da
sociedade, estaarcasse com os custos resultantes
dos nossos impedimentos.”
A ideia de constituir o referido agrupamento,
surgiu no seio do corpo da banda, em ordem
a responder a uma das necessidades com que
a Timbre se confrontava, dotando-a de uma
orquestra ligeira que assegurasse a feitura dos
bailes (tão necessários às finanças da agremiação)
sem nenhum tipo de encargos.
“Assim”, diz, “ pedimos ao proprietário de
uns armazéns, então existentes à entrada da
Vila, que nos deixasse utilizar um espaço das
citadas instalações para efectuarmos os ensaios.
Como o local em causa, estava pejado de teias
de aranha e havia que atribuirmos um nome
ao grupo, desde logo, decidimos que o mesmo
se chamaria “Os Aranhas”. Esta a estória da
denominação dada à orquestra.”
Este género de formações, tão usual naquela
época, constituía ainda uma forma de
aperfeiçoamento das técnicas musicais,
para quantos tentavam aprofundar os seus
conhecimentos.

“Além disso,” refere Emílio de Oliveira
Rebelo, “era hábito que os aprendizes, antes
de integrarem a banda, saíssem à rua no 1º de
Dezembro, para tocarem o hino da restauração,
mas como o “Estado Novo” proibira a execução
de tal hino e a consequente prossecução desse
ritual, o mesmo sucedendo no 1º de Maio,
vimo-nos impedidos de dar continuidade a essa
tradição.
Havia, assim, que encontrar maneira de
contornarmos a situação, pelo que começámos
a aproveitar a quinta-feira da espiga para,
a pretexto da realização de piqueniques, a
rapaziada poder mostrar os seus atributos. Foi
num desses encontros, na Quinta do Lírio,
que Arnaldo Tavares me lançou a ideia de
organizarmos uma marcha pelo S. Pedro, à
semelhança de uma brincadeira com canas, feita
em Cacilhas que vira fazer, pelos habitantes da
Ramalha, na Cova da Piedade, numa ocasião
em que regressava a casa depois de ter ido visitar
um irmão que se encontrava hospitalizado.
Discutimos a ideia e concluímos que para a
iniciativa colher a adesão popular, importava
que o desfile, a par de incluir uma composição
musical inédita, alusiva à nossa terra, ocorresse
às primeiras horas da manhã, de 29 de Junho,
(dia do feriado concelhio), para que nele se
integrassem todos quantos, até esse momento,
estivessem nos bailaricos, visto que nessa época,
estes se prolongavam até cerca das sete horas.”
(continua…)
Fotos: Artur Marques (Atchixa)

*Excertos de “Histórias Associativas- Memórias da Nossa
Memória – 1º Volume AsFilarmónicas”. Edição Câmara
Municipal do Seixal.-2001.

ROSTOS DO SEIXAL
Dom João I (1357 - 1433)
DR

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Nasceu na cidade de Lisboa, sendo
popularmente conhecido como o Mestre
de Avis e apelidado de O de Boa Memória,
foi o rei de Portugal e dos Algarves de
1385 até à sua morte, sendo o primeiro
monarca português da Casa de Avis.

Possuía terras no concelho do Seixal,
mais particularmente área envolvente
ao Moinho de Maré do Castelo, em
Corroios, tendo como seu braço direito o
Santo Condestável Nuno Álvares Pereira.
Era o filho ilegítimo do rei Dom Pedro I
de Portugal com uma senhora chamada
Teresa Lourenço, sendo escolhido e
aclamado como rei durante a Crise de
1383 –1385.
Com o apoio do condestável Nuno
Álvares Pereira e dos aliados ingleses
travou a Batalha de Aljubarrota contra
o Reino de Castela, que invadira o país.
A vitória foi decisiva: Castela retirou-se,
acabando bastantes anos mais tarde por
o reconhecer oficialmente como rei. Para
selar a aliança Luso-Britânica casou com
Filipa de Lencastre, filha de João de Gante
- 1º Duque de Lencastre, dedicando-se
desde então ao desenvolvimento do reino.
Em 1415, conquistou Ceuta, praça
estratégica para a navegação no norte

de África, o que iniciaria a expansão
portuguesa. Aí foram armados cavaleiros
os seus filhos Dom Duarte, Dom Pedro
e Dom Henrique, irmãos da chamada
Inclita Geração.
Morreu na cidade de Lisboa, tendo
deixado para trás um património
riquíssimo, hoje pertencente ao Concelho
do Seixal.
Envie a sua sugestão de «Rosto do Seixal» para:
comerciodoseixal@gmail.com

Mário Barradas