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entrevista

CSS | 8 de Março de 2017

2

DIA internacional
DA MULHER

Celino Cunha Vieira

Mulher, Esposa e Mãe, Johana Tablada de la Torre é a actual Embaixadora de Cuba em Portugal, tendo-nos
respondido a algumas questões relacionadas com este dia.

editorial

Quando no final do século XIX surgiu
a ideia de criar um Dia Internacional
da Mulher para reivindicar melhores
condições de vida, de trabalho e o direito ao
voto, justificava-se plenamente essa forma
de chamar a atenção para as injustiças que
então eram praticadas em todo o mundo.
Mas será que hoje os motivos são os
mesmos?
Nalguns países ainda subsistem
desigualdades gritantes, mas felizmente
que hoje o panorama é bem diferente e
no século XX assistimos à valorização
de muitas mulheres que se destacaram
internacionalmente pelos seus méritos
revolucionários,
políticos,
culturais,
desportivos ou científicos.
Em Cuba, por exemplo, entre muitas
outras mulheres, Célia Sánchez, Haydé
Santamaria, Melba Hernández e Vilma
Espin, participaram activamente no
Movimento 26 de Julho, acompanhando
em plano de igualdade os “barbudos” na
Sierra Maestra, sendo consideradas heroínas
da Revolução que triunfou em 1959.
Por todo o mundo e em épocas
diferentes, muitas mulheres se têm
notabilizado por terem exercido ou ainda
exercerem os mais altos cargos nos seus
países, independentemente das suas cores
políticas e maior ou menor simpatia que
tenhamos por cada uma: na Alemanha,
Angela Merkel; na Argentina, María Eva
Duarte de Perón (conhecida como Evita),
María Estela Martínez (conhecida como
Isabelita Perón) Cristina Kirchner; no
Brasil, Dilma Rousseff; no Chile, Michelle
Bachelet; na Coreia do Sul, Park Geun-hye;
nos Estados Unidos, Hillary Clinton; nas
Filipinas, Corazón Aquino; em Israel, Golda
Meir; na Índia, Indira Gandhi; na Irlanda
Mary Mcaleese; na Libéria, Ellen Johnson
Sirleaf; na Nicarágua Violeta Chamorro;
em Portugal, Maria de Lurdes Pintassilgo;
no Reino Unido, Margaret Thatcher e
Theresa May; em Taiwan, Tsai Ing-wen e
não esquecendo a actual directora-geral do
Fundo Monetário Internacional, a francesa
Christine Lagarde.
Recordando que os Jogos Olímpicos da
Antiguidade estavam vedados às mulheres,
nos da Modernidade realizados no Rio de
Janeiro em 2016, quase já se atingiu uma
paridade de atletas e cada vez há mais
mulheres medalhadas.
Embora a atribuição dos Prémios Nobel
tenham uma selecção muito subjectiva,
principalmente na Paz e na Literatura, cerca
de 50 mulheres foram já laureadas, na sua
maioria por actividades científicas, o que
revela bem que a inteligência não tem nada
a ver com as diferenças com que se nasce.
Por tudo isto e por muitas outras
razões, só se pode chamar cretino àquele
eurodeputado polaco que considera as
mulheres como seres inferiores e menos
inteligentes que os homens.
Feliz dia a todas as Mulheres.

governamental ou num cargo de governo,
complementa a visão da identidade porque
são estruturas que durante muitos séculos
tiveram uma aproximação que está sujeita
a preconceitos, mas felizmente que nem
sempre é assim: há muitos homens que têm
uma visão absolutamente sem preconceitos,
mas no geral a sociedade está muito marcada
pela História, considerando a mulher
como tendo um papel secundário. Então,
quando uma mulher chega a uma situação
de liderança, não que seja melhor ou pior,
pode nessas circunstâncias proporcionar um
complemento à estrutura em que está inserida.
Essa visão feminina e familiar que a mulher
sempre tem, possibilita-lhe a particularidade
de uma maior consideração a todos e ao
mesmo tempo a de ter essa sensibilidade
e criatividade que tem a mulher com a sua
versatilidade para poder fazer muitas coisas
ao mesmo tempo. Considero que isso é uma
coisa que sempre a acompanha, porque a
teoria de hoje é de que a mulher ainda tem
de fazer mais trabalho em casa e também
quando profissionalmente consegue às vezes
tomar decisões de uma maneira mais simples.
Penso que é muito positivo não existirem
discriminações para homens ou mulheres,
porque o importante é o trabalho de equipa.
Até aos dias de hoje, a Mulher travou
grandes batalhas pela luta dos seus
direitos no mundo de trabalho. Quais as
dificuldades existentes no mercado de
trabalho que provocaram esta emancipação
da Mulher pelos direitos de igualdade?

Ao longo dos tempos, a Mulher tem
conseguido destacar-se e conquistar
lugares que antigamente pertenciam
aos Homens. No seu entender, o que
contribuiu para esta mudança?
Na minha opinião, o ensino e a cultura
tiveram um papel determinante porque
nas circunstâncias em que as mulheres
conseguiram avançar, foi precisamente
como resultado das transformações que vão
para além da mulher e que tem a ver com
as alterações de uma sociedade assente numa
base cultural em que permita que a mulher
possa seguir em frente sem ter o apoio dos
homens. Deve-se fundamentalmente à
mudança de mentalidades mas também
à mudança de legislações. Para mim o
fundamental é a cultura e o ensino que
permitem uma transformação da sociedade
e justiça social de maneira a que a mulher

Administração, Redacção
e Publicidade

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consiga ter direitos que antigamente não tinha.
No caso de Cuba, por exemplo, foi determinante
a Revolução Cubana e foram importantes as
lutas que se travaram não só para a mulher,
mas para toda a sociedade, possibilitando
esse acesso às gerações de pessoas que pela sua
pobreza e miséria não tinham ensino, educação
nem cultura. Uma vez que consegues perceber
melhor o mundo, a sensibilidade das pessoas é
muito maior e no entender da mulher, isso tem
um papel relevante.
A famosa guerra dos sexos; Homem x
Mulher continua no mundo empresarial.
Para si, o que muda numa empresa ou
organismo gerido por uma mulher?
Eu acho que uma mulher quando tem
um papel líder em qualquer estrutura, seja
em empresas, seja numa organização não

Director Adjunto: Celino Cunha Vieira TE1218
Directora Comercial: Ângela Rosa
Paginação: Sofia Rosa
Desporto: Luis Pontes CO1039
Repórter: Fernando Soares Reis CP6261
Colaboradores: Adriana Marçal, Agostinho António Cunha,
Alvaro Giesta, ANIVET - Consultório Veterinário, Dário Codinha,
Fernando Fitas CP2760, Hugo Manuelito, José Henriques, José
Lourenço, João Araújo, Jorge Neves, José Mantas, José Sarmento,

Na minha opinião não é o caso de
Cuba, embora que cuba também tenha
grandes desafios, mas em comparação com
o plano internacional, a maior dificuldade
que a mulher tem no mundo do trabalho
tem a ver com o facto de que não se pague
pelo mesmo trabalho às mulheres e isso
é inaceitável. Em Cuba, por exemplo, se
uma mulher e um homem fazem o mesmo
trabalho, seja um trabalho simples ou de
direcção o ordenado tem que ser igual. A
não ser assim, é um acto discriminatório e
ilegal. Por exemplo na União Europeia há
muitos países que, para minha surpresa, não
mencionando nenhum, não tem leis que
estabeleçam que para o mesmo trabalho tem
de haver igual remuneração. Acho que esse
é o principal desafio. Também está o desafio
que se prende com a selecção das pessoas
em que o critério para a escolha de uma
mulher fica condicionado pelas funções que
são únicas da mulher, como a maternidade.
Existem pessoas que não querem ter uma
mulher numa posição de liderança porque
no momento em que essa mulher decide
constituir família, não vão poder contar com
ela com a mesma disponibilidade que acham
que o homem pode ter. Eu acho que essas
são as duas das principais dificuldades no
mercado do trabalho.

Maria Vitória Afonso, Maria Susana Mexia, Mário Barradas, Miguel
Boieiro, Paulo Nascimento, Paulo Silva, Pinhal Dias, Rúben Lopes,
Rui Hélder Feio, Vitor Sarmento.
Impressão: Funchalense - Empresa Gráfica, S.A.
Tiragem: 15.000 exemplares
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