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CSS | 23 de Novembro de 2016

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A esquecida
«Conspiração das Hidras»

BURACO DA MINHOCA

Dário S. Cardina Codinha

SUPER-LUA
Tivemos, no dia 14 de Novembro a
maior lua desde 1948 e a mais próxima
do século será em 2052.
Na super-lua, esta fica cerca de 14%
maior e 30% mais brilhante.
Contudo, o olho humano não consegue
perceber essa diferença a não ser com a
comparação de fotografias.
De facto, a lua não fica maior, parece
maior por estar a uma distância menor
de nós, um fenómeno chamado de
“ilusão da Lua”, tal como quando a lua
viaja desde o horizonte até ao ponto
mais alto não altera de tamanho.
Ao estar mais próxima à Terra vai fazer
com que as marés fiquem ligeiramente
mais altas, a chamada maré de sigizia.
Uma curiosidade que nem toda a gente
sabe é que as super-luas serão cada vez
menores já que a lua afasta-se da Terra
3,8 cm/ano.
Há milhões de anos a super-lua era
gigantesca.
Ela formou-se a cerca de 22 500 Km da
Terra (hoje está a 380 000 km).
Apesar de estar na moda, não é um
momento raro de acontecer nem tão
extraordinário.
A super-lua é um evento que ocorre entre
1 a 4 vezes por ano quando a lua cheia
coincide com o Perigeu (o local da órbita
onde a Lua está mais próxima da Terra).
É possível haver um eclipse total de uma
super-lua? Sim, mas não neste século.
O eclipse da lua acontece quando há um
alinhamento entre o sol, a Terra e a Lua
e esta passa pela sombra da Terra.
Um eclipse da Lua apenas acontece
na Lua cheia e o eclipse do Sol apenas
acontece na Lua nova.
Não houve lobisomens nem bruxas a
voar pelos telhados.
Também não houve uma explosão de
nascimentos nem, os que houve, não
tiveram o sexo da criança influenciado
pela nossa Lua.

DR

Uma das mais desconhecidas intrigas políticas da História de Portugal é a chamada «Conspiração das
Hidras», activa entre Março e Julho de 1848. Esta conspiração, influenciada pela revolução de Fevereiro do
mesmo ano que levaria à implantação da efémera 2ª República Francesa, pretendia similarmente implantar
uma república em Portugal e foi a primeira expressão activa do republicanismo em Portugal, antecedendo a
criação do Partido Republicano Português (fundado em 1876) em cerca de 30 anos, e antecedendo em quase
meio século a tentativa revolucionária republicana de 31 de Janeiro de 1891, no Porto.
Esta ocorreu menos de 1 ano após o fim
da Guerra Civil da Patuleia, que opôs os
governos da rainha D. Maria II contra
uma coligação de forças progressistas
e miguelistas, representados na Junta
Governativa do Porto. A intervenção
da Quadrupla Aliança levara à
rendição de tal coligação na Convenção
de Gramido, mas a actividade
conspiratória das forças progressistas e
as acções de guerrilha dos miguelistas
(apoiantes do ex-rei exilado, D. Miguel)
continuavam.
A conspiração teve a sua génese na
criação da Comissão Revolucionária
de Lisboa, em Maio de 1848, liderada
por um «Triunvirato» constituído
por Oliveira Marreca, José Estevão e
António Rodrigues Sampaio. Outro
foco da conspiração encontrava-se
na associação secreta da Carbonária
Lusitana, sediada em Coimbra, sob a
liderança do padre António de Jesus
Maria da Costa. Segundo as memórias
do Marquês da Fronteira (o Governador
Civil de Lisboa em 1848), este afirma
que a conspiração consistiria no
suposto assassinato do casal real – D.
Maria II e o rei-consorte, D. Fernando
– através do lançamento de bombas de
mão ao coche real, durante uma ida
ao Teatro S. Carlos; seguia-se depois
um levantamento de civis armados e
de militares, que tomariam Lisboa.
No entanto, o governo do Duque de
Saldanha (presidente do ministério
de então) conseguiu deter vários
indivíduos associados à conspiração, no
dia 17 de Junho do mesmo ano – José
Estevão e António Rodrigues Sampaio
conseguiram escapar. Muito dos presos
seriam libertados segundo um acórdão
do Tribunal da Relação de Lisboa de
2 de Novembro do mesmo ano, pois
se terá chegado à conclusão que os

ROSTOS

Adelino da Silva Tavares
(1945)

Legenda: As figuras do «Triunvirato» da «Conspiração das Hidras»

depoimentos das testemunhas eram
contraditórios, não havendo assim as
provas necessárias para incriminar os
réus.
Todos aqueles que participaram na
conspiração e que ainda se encontravam
presos na altura acabariam por ser
amnistiados por Decreto de 20 de Junho
de 1849, pelo 2º governo de Costa
Cabral. Muitas das importantes figuras
que participaram na conspiração –
incluindo os membros do «Triunvirato»

Natural do Seixal, desportista nato, jogou
no então Seixal Futebol Clube, foi hoquista no Grupo Desportivo da Mundet e atleta no Sporting Clube de Portugal, onde foi
campeão nacional em iniciados de atletismo,
sendo treinado pelo professor Mário Moniz
Pereira.
Completou os estudos em Lisboa, na Escola Comercial Veiga Beirão e no Instituto
Comercial, trabalhando como contabilista e
analista de informática. Ingressou na Cooperativa Compelmada, fazendo parte dos seus
órgãos sociais.
Na sua vida política, fez parte da
Assembleia de Freguesia do Seixal, sendo Presidente da Junta de Freguesia do Seixal.
Em 1983, foi eleito Vereador do Ambiente, Higiene Urbana e Urbanismo na Câmara
Municipal do Seixal, cargo ocupado até 2001,
sendo ainda técnico, Vogal e Vice-Presidente
na Associação de Municípios do Distrito de
Setúbal e eleito na Assembleia Municipal do
Seixal (2005 a 2009).

- acabariam por se tornarem políticos
influentes do período da «Regeneração».
Apesar da aparente fraqueza de uma
conspiração abortada, a influência das
Revoluções de 1848 em Portugal foram
grandes no campo ideológico, sendo
esta a época do surgimento dos ideais
do republicanismo e do socialismo em
Portugal, além de surgirem os primeiros
jornais de imprensa a advogarem tais
ideais.
Rúben Lopes

Atualmente, faz parte da Associação Água
Pública e da Mesa da Assembleia da Santa
Casa da Misericórdia do Seixal.
Dedica-se à escrita, contando já com quatro obras publicadas, valorizando em todos os
cargos que ocupou o contacto direto com os
trabalhadores e população.
Foi agraciado com a Medalha de Mérito
Municipal, grau prata, no 180º aniversário do
concelho do Seixal, a 6 de novembro de 2016.

Mário Barradas