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CSS | 23 de Novembro de 2016

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*“Histórias Associativas - Memórias
da Nossa memória”

O movimento associativo constitui
uma das principais riquezas sobre as
quais assenta a identidade cultural do
actual Concelho do Seixal e dos seus
habitantes. Esse vasto património, cuja
construção se iniciou há mais de século
e meio, reflecte ainda a pujança e a
criatividade das gentes que, ao longo dos
tempos, aqui se radicaram e dele fizeram
um dos mais progressivos municípios da
Margem Sul do Tejo.
Antiga terra de pescadores, de
calafates, carpinteiros de machado e
de operários vidreiros e corticeiros, o
Concelho do Seixal, é, assim, um lugar
que se orgulha do seu passado, nele
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reconhecendo preciosos e indispensáveis
ensinamentos ao modo como tem sabido
rasgar os caminhos que conduzem às
alamedas do futuro.
Trata-se ainda de uma terra cuja
memória colectiva resulta da capacidade
interventiva evidenciada, desde sempre,
pelas suas instituições, na primeira linha
das quais se encontram as colectividades,
pólos aglutinadores de vontades e
saberes, que sempre se afirmaram como
os principais locais de reunião e de
convívio das diversas gerações que por
elas passaram.
Assumindo-se
igualmente
como
espaços de amizade e fraternidade, as
colectividades acabavam, afinal, por se
transformar, bastas vezes, em centros
de solidariedade, suprindo carências e
dificuldades de um ou outro associado,
sempre que a doença ou o infortúnio lhe
batiam à porta.
Ora, sabendo-se que a história oficial
da generalidade das colectividades,
apenas assinala os acontecimentos que,
do seu ponto de vista, maior relevância
adquiriram no domínio da vivência
colectiva, poucas vezes regista as pequenas
histórias individuais, muitas delas fruto
de uma profunda paixão associativa
que muito contribuiu para a elevação e
dignificação das próprias colectividades.
É esse conjunto de testemunhos
humanos, essa capacidade de entrega a uma
causa, essa disponibilidade permanente
de dar sem nada pedir em troca, a não
ser a estima dos restantes consócios e o

sentimento de haver concorrido para a
projecção da sua associação e, por via dela,
da própria terra, que aqui transcrevemos
em próximas edições.
São, pois, algumas dessas pequenas
histórias, ou, se se preferir, uma mão cheia
de subsídios que nos foram confiados
por um significativo número de pessoas
que, acreditando na nobreza dos valores
do associativismo, a ele se dedicaram,
doando-lhe o melhor do seu tempo, do seu

saber e experiência, e, nalguns casos, até,
os poucos tostões que haviam amealhado
ao cabo de uma vida de trabalho mal
pago, que ora se publicam.
Não sendo ainda pretensão reescrever
a história de cada uma das colectividades,
mas sim cuidar da recuperação do
valioso património humano constituído
pelas vivências e memórias dos seus
mais dedicados associados, com elas se
procura, objectivamente, salvaguardar
o inestimável legado que esses homens e
mulheres possuem, no fundo, preservar
um pouco da própria história do concelho,
antes que a inexorável lei da vida tratasse
de apagá-la.
Esse, foi, aliás, o grande objectivo
do trabalho colocado à disposição da
população do Concelho do Seixal e de
todos os interessados na história das suas
colectividades, constituindo-se ainda,
pela sua natureza, como a expressão de um
reconhecimento público, a todos quantos
fizeram do movimento associativo uma
das mais prestigiadas bandeiras desta
terra.
Fernando Fitas
*Excertos de “Histórias Associativas, - 1º
volume – As Filarmónicas”.
Propriedade e edição: Câmara Municipal
do Seixal.