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ENTREVISTA
CSS | 11 de Novembro de 2016
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FERNANDO FITAS,
UM MALTÊS POR VOCAÇÃO E OPÇÃO
Celino Cunha Vieira
editorial
Assim que foram conhecidos os
resultados das eleições presidenciais
nos EUA, fui contactado por alguns
Amigos para saberem a minha opinião
sobre o futuro das relações com Cuba,
já que Donald Trump referiu durante
a campanha que iria reverter todos
os acordos já estabelecidos. Pareceme, salvo melhor opinião, que o
presidente indigitado dos EUA não é
tolo e sabe perfeitamente que de nada
serve manter um bloqueio económico,
financeiro e comercial a Cuba, já que o
mesmo não surtiu os efeitos desejados
ao longo dos últimos 56 anos, tal
como reconheceu Barack Obama.
Esperemos que um Trump candidato
dê lugar a um Trump presidente,
responsável, moderado, pacifista e
acima de tudo humano, combatendo
asdesigualdades que existem no seu
país.
Quero acreditar que toda aquela
arrogância tenha sido apenas
estratégica e que o futuro presidente
dos EUA venha a merecer o respeito
de todo o mundo.
Nesta edição destacamos a
entrevista
que
nos
concedeu
Fernando Fitas, novo colaborador
do “Comércio”, assim como a coluna
de Paulo Silva que hoje também se
junta à equipa para, como Advogado,
esclarecer questões jurídicas que os
leitores lhe queiram colocar, bastando
para isso que nos enviem as dúvidas
que tenham.
Estivemos no Encontro alusivo
aos 40 anos de Eleições Autárquicas
em Democracia, integrado nas
comemorações dos 180 anos do
Concelho do Seixal e também na sessão
informativa sobre o lançamento das
obras de infra-estruturas do Pinhal do
General que há muito eram esperadas.
Também entrevistámos Bruno
Rochard que nasceu em Paris mas
há muito veio para Portugal, vivendo
há 11 anos no nosso Concelho e que
para além de empresário de sucesso, é
também um DJ (Disc Jockey) de fama
internacional, especialmente em países
Árabes para onde tem sido contratado
e onde o seu trabalho é reconhecido e
apreciado.
E como hoje é Dia de São Martinho,
temos um pequeno apontamento sobre
a sua vida e a lenda que nada tem a ver
com castanhas ou água-pé mas que nos
chegou até aos nossos dias. E para falar
de castanhas, mais propriamente do
castanheiro, Miguel Boieiro descrevenos as propriedades dos excelentes e
nutritivos frutos que esta árvore produz.
Natural de Campo Maior, Fernando Fitas iniciou a
sua carreira profissional como jornalista no extinto
“O Século”, passando mais tarde a colaborar com os
jornais “24 horas” e “Tal & Qual”, vindo a fundar e
a dirigir durante sete anos o quinzenário “Outra Banda” que era publicado no Seixal. Colaborou com outras
publicações nacionais e durante alguns anos, foi responsável por diversos programas culturais difundidos pelas
rádios locais. Como poeta tem várias obras publicadas e é detentor de alguns prémios literários, entre eles,
o Prémio Agostinho Neto da União de Sindicatos do Porto - CGTP (1999), o Prémio de Poesia Cidade de Moura
(1999/2000), Prémio Literário Raul de Carvalho (2002) e Prémio de Poesia e Ficção de Almada (2004 e 2014).
Nasceste no Alentejo em 1957 e apenas
com 5 anos viste para Lisboa, mas nunca
perdeste as raízes que te ligam à terra.
Porquê?
Ser alentejano, para mim, não tem tanto a
ver com o local ode se nasce, mas mais com
um estado de alma. Há quem não tenha lá
nascido e se sinta tão alentejano quanto os
que lá nasceram. Por isso, não obstante ter
vindo para a área de Lisboa muito novo ia
lá regularmente, até porque lá tinha ficado a
maioria dos meus familiares.
Tal não quer dizer que em certos períodos
não me tenha sentido mais daqui do que de
lá, devido à descriminação de que fui alvo
por parte de quem dirigia os destinos do
município onde nasci, quadro que felizmente
se alterou significativamente nos últimos
anos.
Consideras então que independentemente
do local onde se nasceu ou viveu, o que conta
é o sangue herdado dos nossos antepassados?
Decerto modo sim. Porque entendo que
independentemente da localidade onde
nascemos, o mais relevante são os valores e
os princípios que aprendemos nos bancos de
casa com os nossos antecessores. São eles que
nos ensinam desde o berço, a importância
da honestidade, da verticalidade, da
solidariedade, da amizade…
Talvez seja por isso que não tomo parte
em “capelinhas”, assumam elas o cariz que
assumirem e prossiga imperturbavelmente (às
vezes com elevados custos!) o meu percurso e
me assumo um maltês por vocação e opção.
Fernando Fitas é um nome que nos leva
à escrita em prosa e à poesia; à declamação,
ao jornalismo ou à investigação. Em qual
destas actividades mais te revês ou te dá
mais prazer?
São formas diferentes de expressão e, por
isso, cada uma tem um lugar próprio no meu
universo de escrita. O jornalismo é a minha
actividade profissional e o discurso poético,
o modo de que utilizo para descansar quando
me sinto cansado da prosa jornalística. Logo,
de um tiro o sustento, do outro a satisfação.
Seja como for, já ganhaste vários prémios
literários.
Sim, é verdade. Mas ao contrário de
outros autores, eu produzo pouco. Houve um
período em que a actividade jornalística me
absorvia de tal maneira que estive dez anos
sem escrever um poema. Para se escrever
poesia, tem de se ter disponibilidade temporal
e uma grande disponibilidade mental. O que
não era o caso.
Recentemente fizeram-te uma
homenagem numa acção cultural de
Sesimbra onde foi abordada a tua
obra literária. Como correu?
Tratou-se de uma iniciativa da Associação
Cultural e Estudos Sociais Raio de Luz. Não
foi uma homenagem, mas uma abordagem
da minha bibliografia feita por Joaquim
Saial, professor e ex-director da Revista
Cultural Calipole.
Foi interessante
e surpreendente,
posto ter sido
a primeira vez
que ouvi
alguém
debruçarse sobre o
conjunto de
livros de que
sou autor.
Publicaste já vários livros e
certamente o melhor será o próximo.
Mas daqueles que já foram
editados, qual o que mais destacas
e porquê?
É difícil responder, porque todos
eles corresponderam a um período
da minha vida e por consequência a
um processo criativo que resultou de
um conjunto de vivências e memórias
que dele guardei. Em todo o caso,
direi que guardo com muita ternura o
segundo livro, “Amor Maltês”, editado
em 1986, assim como, “A casa dos
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e Publicidade
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Afectos” e “O Ressoar das Águas” pelo papel
que tiveram na depuração da linguagem que
creio ter alcançado em “Alforge de Heranças”,
a mais recente obra editada.
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Director Adjunto: Celino Cunha Vieira TE1218
Directora Comercial: Ângela Rosa
Paginação: Sofia Rosa
Desporto: Luis Pontes CO1039
Repórter: Fernando Soares Reis CP6261
Colaboradores: Adriana Marçal, Agostinho António Cunha,
Alvaro Giesta, ANIVET - Consultório Veterinário, Dário Codinha,
Fernando Fitas CP2760, Hugo Manuelito, José Henriques, José
Lourenço, João Araújo, Jorge Neves, José Mantas, José Sarmento,
Brevemente será lançado o 2.º volume
de Histórias Associativas, editado pela
Câmara Municipal do Seixal com base na
recolha e investigação que efectuaste nas
colectividades mais antigas do Concelho.
Quando será isso?
A apresentação do segundo volume desse
projecto realizado durante sete anos, está
marcada para dia 26 de Novembro, pelas
15h00, na Timbre Seixalense e no decurso
da qual, segundo informação da autarquia,
contará com a participação de agrupamentos
musicais de algumas das colectividades que
integram a aludida obra.
Vais passar a colaborar com o
“Comércio” através da publicação dos teus
textos sobre as Colectividades do Concelho
do Seixal. Que importância julgas que isso
terá para os leitores?
Tem a importância, presumo, que têm
todas as coisas que falam da nossa história,
posto que um povo sem história é um povo
sem memória.
Neste caso, sem embrago de estarmos
perante excertos do 1º volume do aludido
projecto efectuado para o município e editado
em 2001, possibilitará a quem não tenha tido
oportunidade de ler o referido trabalho
possa adquirir um melhor conhecimento
do que foi a vida das colectividades e das
pessoas ao longo de mais de um século,
das suas histórias pessoais, vivências e
vicissitudes.
Queres deixar umas palavras para
quem passará a ler o que escreveste?
Faço votos de que a leitura
desses retalhos da vida da
comunidade
associativa
seixalense, possibilite nuns
casos, recordar episódios
e reavivar momentos
de grande alegria e
ternura e, noutros,
sobretudo os mais
novos, enriquecer os
seus conhecimentos
sobre a História de
quem, na maior
parte das vezes,
nunca teve voz,
apesar de ser
protagonista da
evolução deste
concelho.
Maria Vitória Afonso, Maria Susana Mexia, Mário Barradas, Miguel
Boieiro, Paulo Nascimento, Paulo Silva, Pinhal Dias, Rúben Lopes,
Rui Hélder Feio, Vitor Sarmento.
Impressão: Funchalense - Empresa Gráfica, S.A.
Tiragem: 15.000 exemplares
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