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CSS | 28 de Outubro de 2016

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UNIVERSO PARALELO

José O´Neill Pedrosa
o «adesivo» seixalense (II)

Dário S. Cardina Codinha

Um mito confirmado
Há mais de dez anos que luto para
desconstruir mitos e para construir o
pensamento crítico.
Ouvi muitos mitos relacionados aos
fetos, quando a minha mulher estava
grávida.
Resolvi pôr à prova esses mitos e desconstruí-os a todos.
Mal eu sabia que ia criar um mito.
É verdade, tanto lutei contra mitos
que me vi envolvido num novo mito e,
sabem que mais? Eu testei-o, e sabem a
melhor? Já vão saber.
Um dos primeiros mitos a desconstruir foi aquele de que a azia da grávida
provinha da quantidade do cabelo do
feto.
Se a mulher tivesse azia significava
que o bebé tinha muito cabelo. Nada
mais fácil de verificar pela quantidade
de bebés com cabelo provindos de grávidas que nunca tiveram azia ou de bebés
quase carecas cujas mães sofreram muito
com a azia.
O segundo ponto do frágil edifício
deste mito é dinamitado quando se verifica que a azia acontece num período
de gestação onde o feto ainda não tem
cabelo.
O terceiro apoio desfaz-se nos livros,
onde está confirmada a causa da azia.
A azia nada mais é do que a subida do
estômago e a pressão sobre ele exercida
no momento em que o útero começa a
tomar o seu lugar, enquanto a gravidez
avança.
Não foi apenas este o mito desfeito
nos seus pilares e a colapsar perante uma
explicação científica e falta de fundamento estatístico.
No entanto, mas eu sabia que criara
um mito, também ele com cabelos. Agora o mundo fica a saber que esfregar a
barriga da grávida vai fazer com que o
bebé nasça com o cabelo sem regras e
espetado. Isto deve-se à electricidade estática transferida para o bebé.
Mas atenção! O bebé tem de possuír
cabelo, quanto mais abundante melhor.
Eu confirmei a veracidade quando a
minha filha nasceu, pois o seu cabelo
estava espetado e assim ficou cerca de 1
mês.
A estatística e a ciência não interessam
para aqui.

Rúben Lopes

Com a Implantação da República, José O´Neill Pedrosa tornou-se um «adesivo» (termo usado para identificar
um político do destronado regime monárquico que aderiu ao novo regime republicano), e tornou-se membro do
Partido Republicano Português (PRP), chegando a ser o sócio-fundador do novo Centro Republicano Democrático
de Lisboa (inaugurado em Outubro de 1911, sediado no Palácio da Regaleira, no Largo de S. Domingos).
Em 3 de Julho de 1912, de acordo com uma
Portaria do Ministério da Marinha, foi criada
uma Comissão de Ostreicultura, com o objectivo
de elaborar um diploma constituído com as
disposições necessárias para o desenvolvimento
da indústria ostreícula no país – José O´Neill
Pedrosa foi um dos vogais desta mesma
Comissão, tendo a mesma sido dissolvida a
28 de Fevereiro de 1918. Em meados de 1913,
por razões que não foi possível apurar, o jornal
de Almada “O Correio do Sul” noticiava que
Pedrosa tinha sido expulso do PRP (O Correio
do Sul, n.º 160 de 17/08/1913).
Em 1915 – já em plena I Guerra Mundial –
encontramos Pedrosa na qualidade de membrofundador da Liga Económica Nacional, que
tinha como objectivo divulgar os problemas
económicos do país e fazer as necessárias
reivindicações perante o Governo para os resolver.
A 18 de Abril de 1916, juntamente com outros
membros da Liga Económica Nacional, Pedrosa
conferenciou junto do Ministro do Fomento
sobre os trabalhos apresentados ao Governo por
parte da mesma Liga (segundo notícia do jornal
República, n.º 1894 de 19/04/1916, pág.1). A
24 de Agosto de 1916, representando a mesma
Liga, Pedrosa juntamente com representantes de
associações de operários corticeiros (incluindo
associações da Margem Sul) teve uma outra
reunião com o Ministro do Fomento, para
discutir a problemática da exportação da
cortiça para o estrangeiro (segundo notícia
do jornal República, n.º 2029 de 25/08/1916,
pág.1). Em 29 de Outubro de 1916, deu-se o
Congresso desta Liga no salão nobre do teatro
S. Carlos, onde Pedrosa apresentou um plano de
reorganização da indústria corticeira nacional.
No entanto, o Congresso desta Liga não teve os
apoios desejados junto do Governo e da opinião
pública, e a Liga Económica Nacional parece
ter-se dissolvido de forma obscura.
Só apenas em 1920 foi possível detectar
novamente José O´Neill Pedrosa, que parece
ter decidido retornar à actividade políticopartidária, aderindo ao Partido Republicano
Liberal (partido criado em 1919, que teve origem
na fusão de vários partidos e agrupamentos
republicanos). Juntamente com esta adesão,
Pedrosa pretendia criar um Centro Republicano
Liberal Seixalense, mas as fontes históricas não
nos permitem apurar se o tal Centro de apoiantes

do partido foi criado no concelho.
Nas eleições legislativas de Julho
de 1921, José O´Neill Pedrosa
atinge o cargo mais relevante da
sua carreira política, ao ganhar
a candidatura de deputado
pelo círculo de Alcobaça, pelo
Partido Republicano Liberal. No
entanto, Pedrosa só ficaria no
cargo durante alguns meses, pois
em 19 de Outubro do mesmo
ano, um golpe revolucionário
levaria à dissolução das Câmaras
do Congresso da República em
Novembro seguinte. No mesmo
ano, juntamente com outros
proprietários, Pedrosa criou o
Sindicato Agrícola do Concelho
do Seixal (do qual era Presidente),
uma associação para a defesa
dos interesses da agricultura do
concelho do Seixal – só foi possível apurar que o
mesmo Sindicato esteve em actividade no ano de
1921, chegando a elaborar estatutos, sendo que
no entanto, as fontes históricas existentes não me
permitiram determinar se esta mesma associação
chegou a ser legalizada (documentação sobre
o mesmo Sindicato encontra-se no Espólio
Mário Vieira Lourenço, no Arquivo da Câmara
Municipal do Seixal).
Em 1923, Pedrosa adere ao Partido
Republicano Nacionalista (partido sucessor
do Partido Republicano Liberal, criado através
da união deste último com outros partidos).
A imprensa da época demonstra que em 1925,
Pedrosa era então o presidente do Centro
Republicano Nacionalista Dr. Jacinto Nunes
(em Alcântara), centro associado ao mesmo
partido.
Com o golpe de 28 de Maio de 1926 e com
o fim da I República, José O´Neill Pedrosa
afasta-se da actividade política, dedicandose a determinadas causas do concelho do
Seixal, como a tentativa de evitar a extinção
da Comarca Judicial do Seixal (que englobava
os concelhos do Seixal, Barreiro e Sesimbra),
participando a 28 de Junho de 1927 com
outras personalidades do concelho numa
entrevista com o Presidente da República, Óscar
Carmona, sobre o mesmo assunto – a Comarca
acabaria por ser dissolvida no Decreto-Lei

ROSTOS DO SEIXAL
ADELINO JOSÉ
SAÚDE CUNHA
(1931 - 2006)

Neto de um dos fundadores do Seixal
Futebol Clube e filho de um antigo jogador deste clube, Adelino Cunha é natural do Seixal e sempre deu voz ao associativismo na sua Sociedade Filarmónica
União Seixalense onde foi ator no seu
Grupo Cénico desde 1946, autor de pe-

ças para o mesmo e dirigente associativo,
ocupando os cargos de Vice-Presidente da
Direção, Vice-Presidente da Assembleia
Geral, Secretário da Direção, Delegado à
Federação das Coletividades de Cultura e
Recreio e Presidente do Conselho Fiscal.
Ainda na União Seixalense, idealizado
por Manuel Canelas, foi responsável, juntamente com António Cunha e Wilson
Quintino, pelo PIZ - PIZ (sátira famosa
a nível nacional sobre o programa ZIP ZIP que trouxe até ao Seixal os seus apresentadores Fialho Gouveia, Carlos Cruz e
Raúl Solnado em 1968), foi membro da
Comissão do Centenário (1971), fundador do Grupo Cénico Infantil (1969) e do
Grupo Coral da União (1973), formador
do conjunto SUS MUSIC em 1977 (que
mais tarde dá origem ao famoso Grupo
de Baile), foi agraciado com o Diploma de
Gratidão Por Bem-Fazer (1982) e proposto e aclamado Sócio de Mérito em 2003.
Juntamente com outros grandes nomes
ligados ao Seixal e à União Seixalense,

Legenda:
Foto de José O´Neil Pedrosa
(retirado do jornal A Voz do Seixal)

n.º 13917 de 9 de Julho de 1927, não tendo a
entrevista o sucesso desejado. Pedrosa foi nesta
época também o presidente de uma Comissão de
Melhoramentos do concelho, que entre outros,
tinha como objectivos o estabelecimento de luz
eléctrica por todo o concelho, o melhoramento
ou substituição do imposto ad-valorem, a
regularização do fornecimento de água potável
por todo o concelho, a dragagem do Rio Judeu,
o fornecimento de um subsídio de Estado à
delegação da Cruz Vermelha no Seixal e a
reparação de várias estradas (O Seixalense, n.º
81 de 17/06/1928, pág.2).
Em 20 de Junho de 1939, Pedrosa faleceu na
sua residência em Lisboa - tinha então 93 anos –
tendo o funeral ocorrido no dia seguinte, com a
presença de várias personalidades do concelho do
Seixal (A Voz do Seixal, n.º 243 de 01/07/1939,
págs.1 e 2). A 23 de Julho seguinte, deu-se no
edifício da então extinta Associação da Classe
Piscatória da Vila do Seixal, uma homenagem
ao falecido, presidida pelo historiador e professor
universitário José Maria de Queirós Veloso (A
Voz do Seixal, n.º 245 de 01/08/1939, págs. 1 e
2). O túmulo de José O´Neill Pedrosa encontrase no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, junto
dos jazigos de outros membros da sua família.

protagonizou grandes inovações na vila
de então, tais como o arraial elétrico, a
criação da primeira Orquestra Jazz e as
pazes entre a Timbre e a União no 1º de
maio de 1974, acontecimento este que
juntou centenas de pessoas no Estádio do
Bravo.
Homem de grande sensibilidade, Adelino Cunha desempenhou ainda cargos
diretivos nos Bombeiros Voluntários do
Seixal e, visando a recuperação da antiga
ação dos jograis, criou o Trio Hortelão.
Possui hoje um arruamento com o seu
nome no Bairro Novo.

Mário Barradas